Marisa
Orth: "O trabalho em Bang
Bang degringolou"
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Marisa
Orth não gosta de fazer rodeios. Responde de maneira direta
cada uma das perguntas. Por isso, não esconde que estar
na “pele” da beata Úrsula Lane da novela Bang
Bang tem sido motivo de algumas alegrias e de muitas tristezas.
Sem papas na língua, ela conta que as diversas “turbulências”
que atingiram a trama foram uma grande decepção.
“Não tivemos nenhum atrito na equipe. Mas a saída
repentina do Mário Prata fez com que o trabalho degringolasse,
já que os capítulos estão sempre atrasados”,
reclama. Já a maior recompensa foi poder contracenar com
atores como Ney Latorraca e Joana Fomm, com quem nunca havia trabalhado.
“Quase trabalhei com o Ney em TV Pirata, mas ele já
havia saído quando eu entrei. E Joana serviu até
de inspiração, pois ela foi maravilhosa como a Perpétua
em Tieta”, comemora.
Apesar dos problemas e da correria das gravações,
Marisa consegue enxergar momentos distintos de sua personagem
na trama. Ela acredita que a entrada de Carlos Lombardi acabou
fazendo com que Úrsula “saísse do armário”
e se revelasse uma verdadeira devassa. Não por acaso, a
beata passou a abusar das roupas sensuais. Mas a “sutil”
mudança não alterou o tom radical e a maneira exagerada
de Úrsula encarar a vida na fictícia Albuquerque.
“Ela manteve a coerência de ser uma personagem bastante
ousada. Se fosse surfista, iria pegar uma onda de dez metros e
não uma marolinha”, compara a atriz.
Com 16 anos de carreira na tevê - ela estreou em Rainha
da Sucata, de 1990 -, Marisa conta que, apesar dos percalços,
se divertiu bastante em dar vida à falsa beata. Em sua
quarta novela, a atriz acredita que seu trabalho foi reconhecido.
“As crianças me chamam de ‘Urubúrsula’.
Isso é legal, pois durante anos tenho sido chamada de Magda”
conta, referindo-se a personagem do humorístico Sai de
Baixo, que ficou seis anos na grade de programação
da Globo.
Na reta final de Bang Bang, qual é o seu balanço
da novela?
Foi interessantíssima de fazer. Na verdade, foi um projeto
inesquecível por uma série de razões. A idéia
original era ótima e a possibilidade de encontrar atores
com quem nunca havia contracenado foi um dos melhores aspectos,
além de ter passado por momentos de grande diversão.
Apesar de todos os problemas, não houve nenhum atrito entre
as pessoas que se dedicaram ao longo do tempo à novela.
Tivemos, é claro, problemas com o autor, que nos deixou
meio “frito” nas mãos da produção.
Como não tínhamos os capítulos com antecedência,
tudo ia se degringolando. Mas isso deu mais união à
equipe. Foram, na verdade, muitas mudanças, mas tentamos
fazer da melhor maneira possível. Com a saída de
Mário Prata e a entrada de Márcia Prates, não
existiram muitas mudanças com sua personagem. Mas assim
que Carlos Lombardi assumiu a trama, a Úrsula ganhou novos
contornos...
Desde o início, eu “imprimi” uma personalidade
forte à Úrsula. A caracterização sempre
foi feita de maneira exagerada, já que a personagem pedia
isso, beirando a caricatura. À medida que os autores foram
sendo trocados, eles respeitavam a maneira que eu interpretava.
Tanto que acredito que fui uma das que menos sofreu com as mudanças
de autor. Agora para o final é que ela está se revelando
uma grande devassa. Mas acho que isso era para acontecer mesmo,
era até previsível a idéia de transformar
aquela beata numa mulher mais ousada. Mas ela manteve a coerência.
Mesmo tendo se transformado numa verdadeira devassa, como está
acontecendo agora, ela continua sendo uma pessoa radical. Se ela
precisa ser uma devassa, ela será a mais devassa. Se voltar
a ser uma beata, será novamente das mais ferrenhas. Se
fosse uma surfista, ela iria logo pegar uma onda de dez metros
e não uma marolinha, pois não está de brincadeira,
é tudo para valer. Por outro lado, porém, nunca
havia feito uma devassa à la Lombardi, o que é bem
interessante e uma boa descoberta.
E o que você destacaria de mais interessante numa devassa
criada pelo Carlos Lombardi?
Reconhecidamente ele é anárquico, corajoso. Ao mesmo
tempo, tem muito ritmo e humor, um estilo muito próprio.
Não sei se ele está gostando ou não da minha
interpretação, mas procuro fazer a Úrsula
de uma forma um pouco crítica, colocando meus próprios
comentários de atriz, seja através de gestos ou
tom de voz. Além disso, sinto também que ele próprio
coloca uma opinião no que escreve da personagem e procuro
seguir esse caminho.