Santa Bárbara d'Oeste, 16 de Abril de 2006





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Marisa Orth: "O trabalho em Bang
Bang degringolou"

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Marisa Orth não gosta de fazer rodeios. Responde de maneira direta cada uma das perguntas. Por isso, não esconde que estar na “pele” da beata Úrsula Lane da novela Bang Bang tem sido motivo de algumas alegrias e de muitas tristezas.
Sem papas na língua, ela conta que as diversas “turbulências” que atingiram a trama foram uma grande decepção. “Não tivemos nenhum atrito na equipe. Mas a saída repentina do Mário Prata fez com que o trabalho degringolasse, já que os capítulos estão sempre atrasados”, reclama. Já a maior recompensa foi poder contracenar com atores como Ney Latorraca e Joana Fomm, com quem nunca havia trabalhado. “Quase trabalhei com o Ney em TV Pirata, mas ele já havia saído quando eu entrei. E Joana serviu até de inspiração, pois ela foi maravilhosa como a Perpétua em Tieta”, comemora.
Apesar dos problemas e da correria das gravações, Marisa consegue enxergar momentos distintos de sua personagem na trama. Ela acredita que a entrada de Carlos Lombardi acabou fazendo com que Úrsula “saísse do armário” e se revelasse uma verdadeira devassa. Não por acaso, a beata passou a abusar das roupas sensuais. Mas a “sutil” mudança não alterou o tom radical e a maneira exagerada de Úrsula encarar a vida na fictícia Albuquerque. “Ela manteve a coerência de ser uma personagem bastante ousada. Se fosse surfista, iria pegar uma onda de dez metros e não uma marolinha”, compara a atriz.
Com 16 anos de carreira na tevê - ela estreou em Rainha da Sucata, de 1990 -, Marisa conta que, apesar dos percalços, se divertiu bastante em dar vida à falsa beata. Em sua quarta novela, a atriz acredita que seu trabalho foi reconhecido. “As crianças me chamam de ‘Urubúrsula’. Isso é legal, pois durante anos tenho sido chamada de Magda” conta, referindo-se a personagem do humorístico Sai de Baixo, que ficou seis anos na grade de programação da Globo.
Na reta final de Bang Bang, qual é o seu balanço da novela?
Foi interessantíssima de fazer. Na verdade, foi um projeto inesquecível por uma série de razões. A idéia original era ótima e a possibilidade de encontrar atores com quem nunca havia contracenado foi um dos melhores aspectos, além de ter passado por momentos de grande diversão. Apesar de todos os problemas, não houve nenhum atrito entre as pessoas que se dedicaram ao longo do tempo à novela. Tivemos, é claro, problemas com o autor, que nos deixou meio “frito” nas mãos da produção. Como não tínhamos os capítulos com antecedência, tudo ia se degringolando. Mas isso deu mais união à equipe. Foram, na verdade, muitas mudanças, mas tentamos fazer da melhor maneira possível. Com a saída de Mário Prata e a entrada de Márcia Prates, não existiram muitas mudanças com sua personagem. Mas assim que Carlos Lombardi assumiu a trama, a Úrsula ganhou novos contornos...
Desde o início, eu “imprimi” uma personalidade forte à Úrsula. A caracterização sempre foi feita de maneira exagerada, já que a personagem pedia isso, beirando a caricatura. À medida que os autores foram sendo trocados, eles respeitavam a maneira que eu interpretava. Tanto que acredito que fui uma das que menos sofreu com as mudanças de autor. Agora para o final é que ela está se revelando uma grande devassa. Mas acho que isso era para acontecer mesmo, era até previsível a idéia de transformar aquela beata numa mulher mais ousada. Mas ela manteve a coerência. Mesmo tendo se transformado numa verdadeira devassa, como está acontecendo agora, ela continua sendo uma pessoa radical. Se ela precisa ser uma devassa, ela será a mais devassa. Se voltar a ser uma beata, será novamente das mais ferrenhas. Se fosse uma surfista, ela iria logo pegar uma onda de dez metros e não uma marolinha, pois não está de brincadeira, é tudo para valer. Por outro lado, porém, nunca havia feito uma devassa à la Lombardi, o que é bem interessante e uma boa descoberta.
E o que você destacaria de mais interessante numa devassa criada pelo Carlos Lombardi?
Reconhecidamente ele é anárquico, corajoso. Ao mesmo tempo, tem muito ritmo e humor, um estilo muito próprio. Não sei se ele está gostando ou não da minha interpretação, mas procuro fazer a Úrsula de uma forma um pouco crítica, colocando meus próprios comentários de atriz, seja através de gestos ou tom de voz. Além disso, sinto também que ele próprio coloca uma opinião no que escreve da personagem e procuro seguir esse caminho.


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