Santa Bárbara d'Oeste, 19 de Abril de 2006





POLÍCIA
ESPORTES
VARIEDADES

Sinhá Moça capricha
no romance
para segurar Ibope

Menos sofrimento de escravos e mais cenas de amor. Essa é a mudança gradativa que o remake de Sinhá Moça estaria sofrendo na Globo nos últimos dias. Fontes da emissora garantem que, preocupada com a audiência do horário - que desceu da casa dos 40 pontos para os 30 pontos - a direção da rede teria pedido aos autores da trama que adicionassem mais romance ao folhetim, que tem como seu pano de fundo a sociedade escravagista da época.
Sinhá Moça, que estreou em março com média de 35 pontos, viu, nas semanas seguintes, sua audiência cair para a casa dos 30 pontos. As cenas de maltrato aos escravos, famosas em sua primeira exibição, teriam espantando um pouco a audiência, acostumada a tramas água com açúcar que vinham loteando o horário. Por isso, o pedido então de mais romance no ar.
Edmara Barbosa, uma das filhas de Benedito Ruy Barbosa que está fazendo o remake da trama, diz que a novela, desde seu início, trata de amores e da luta dos negros por sua liberdade e que os dois assuntos têm espaço cativo com o público.
“Mantemos a estrutura da novela, que originalmente tinha muito romance. Mas nosso trabalho de adaptação também consiste em aumentar a participação de alguns personagens”, contesta ela. “Na primeira versão da novela, a Cândida (Patrícia Pillar), por exemplo, era um pouco mais apática e agora influenciará mais na vida da filha.”
Edmara não revela o conteúdo das pesquisas de opinião realizadas sobre a novela, mas garantem que a maioria dos personagens está sendo muito bem-aceita pelo público, como o casal protagonista Débora Falabella e Danton Mello, Osmar Prado e Patrícia Pillar, e o vilão vivido por Humberto Martins.
“Ele se consagrou como galã e é muito bom vê-lo como vilão”, garante ela.


Cantor Luciano se envolve
com cinema nacional

Arquivo

Zezé di Camargo, depois de ver a história de sua família no cinema quebrar recordes de bilheteria e por pouco não parar no Oscar, volta ao palco como se nunca tivesse saído de lá. Faz gargarejos pela manhã, grava CD à tarde e cumpre a extensa agenda de shows - algo como 140 por ano - pela noite. Luciano é menos desapegado. O filho mais novo de Francisco pretende valorizar o cinema e, paralelo à carreira com o irmão, investe em idéias ousadas.
Welson David de Camargo, o Luciano, 33 anos, quer produzir um novo prêmio para o cinema nacional. A idéia já está em uma entusiasmada mesa de negociações com parceiros que Luciano prefere ainda não revelar. “São pessoas que entendem muito do negócio”. O que pode adiantar: será um prêmio realizado em São Paulo; os jurados serão críticos que deverão mudar a cada ano; haverá homenagens a nomes de expressão do meio, como o cineasta Glauber Rocha; será um prêmio destinado à produção de filmes sobretudo de caráter popular. A premiação de longas de outros países latino-americanos pode entrar em uma segunda etapa.
A experiência na produção extra oficial de 2 Filhos de Francisco, em 2005, fez o cantor se tornar, de cinéfilo, um empreendedor em potencial. Capaz de discutir tanto a linha evolutiva do cinema brasileiro pós chanchadas quanto os motivos que levaram o filme O Coronel e o Lobisomem, de Maurício Farias, fechar a trilogia iniciada com O Auto da Compadecida e seguida com Lisbela e o Prisioneiro sem sucesso, Luciano brilha ao falar de cinema. “Quando a euforia do Oscar acabou, senti mesmo um vazio por achar que não estaria mais naquele meio. Foi nesta época que conheci pessoas que antes só admirava à distância. Não voltei ao normal porque amo demais isso tudo.”
De Carla Camurati, que Luciano classifica como “heroína” desde que tomou conhecimento de sua produção hercúlea de Carlota Joaquina, em 1995, um e-mail elogioso inflou seu ego. “Me emocionei”. Da premiada diretora Laís Bodanzky, de Bicho de Sete Cabeças, de 2000, veio um convite para que o cantor participasse de um projeto de cinema realizado em comunidades carentes. “Aceitei na hora”. Nelson Motta, um eterno crítico da música sertaneja, fez inúmeros elogios a 2 Filhos de Francisco, mesmo ressaltando que continuava sem sentir cheiro ou sabor no repertório dos irmãos.


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