Felipe Aquino
A Semana Santa tem início no "Domingo de Ramos", que é
assim chamado porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, montado
em um jumentinho - o símbolo da humildade - e aclamado pelo povo simples
que o aplaudia como "Aquele que vem em nome do Senhor".
Aquele povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia há
poucos dias e estava maravilhado. As pessoas estavam certas de que Jesus era
o Messias anunciado pelos Profetas. Pensavam que ele fosse escorraçar
Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel. 'Que Messias
é esse? Que libertador é esse? É um farsante! Merece
a cruz por nos ter iludido'.
A entrada solene de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de suas
dores e humilhações. Aquela mesma multidão que o homenageou
motivada por seus milagres, agora lhe vira as costas e muitos pedem a sua
morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não
estava iludido.
Dessa forma, o Domingo de Ramos é o início da Semana que mistura
os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu
Jesus saudando-o com ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a
vitória. "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome
do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas".
Os Ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus e defensores
da fé católica. Os Ramos sagrados, que levamos para nossas casas
após a Missa, lembram-nos que estamos unidos a Cristo na mesma luta
pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado
e o cristianismo "light", adaptado aos gostos e interesses pessoais.
Impera, como diz Bento XVI, a ditadura do relativismo.
Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova
Sebastião Almeida
O cheiro ruim e a sujeira chamam a atenção de quem passa por
áreas degradadas pela ação do homem. Rios sem esgoto
tratado, lixões clandestinos e áreas com concentração
elevada de veículos incomodam a população. Nem sempre,
porém, o perigo está diante de nossos olhos. Imagine uma empresa
química desativada depois de décadas e que teve suas instalações
derrubadas para a implantação de um empreendimento imobiliário.
A possibilidade de contaminação nessa área é elevadíssima,
colocando em risco não apenas a saúde dos moradores, como também
a qualidade da água subterrânea que invariavelmente termina sendo
utilizada para o abastecimento de cidades de uma região.
Em março, participei de um seminário na Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir
formas de gestão de recursos hídricos pela indústria.
A preocupação dos presentes se concentrou na aprovação
de um projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa e que estabelece
diretrizes e procedimentos para garantir a proteção da qualidade
do solo e o gerenciamento dessas áreas contaminadas. O interesse dos
empresários pelo tema demonstrou que já se foi o tempo em que
se produzia apenas de olho nos lucros. Hoje em dia é feio virar as
costas para procedimentos preventivos e seguros em relação ao
meio ambiente.
Se aprovado, o projeto de autoria do Executivo vai provocar um avanço
nas relações entre as indústrias e o Poder Público,
permitindo a criação de um fundo com recursos das multas aplicadas
pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e demais órgãos de
fiscalização. O dinheiro seria utilizado na recuperação
e prevenção de locais atingidos pela ação do homem.
Tudo isso seria administrado por um conselho gestor, com a participação
de membros da sociedade civil e representantes dos governos municipais e estadual.
A principal inovação do projeto de lei é a inclusão
dos envolvidos no processo de contaminação em uma cadeia de
responsabilidades. Só para se ter uma idéia da importância
dessa questão, a região Metropolitana de São Paulo, onde
vivem mais de 20 milhões de pessoas, possui cerca de 1.800 áreas
contaminadas atualmente, sendo que a maioria se refere a vazamentos em postos
de gasolina, que liberam chumbo nocivo à saúde. Mas o descuido
com inseticidas, solventes, produtos farmacêuticos, herbicidas, tintas,
fertilizantes e baterias também pode ameaçar o desequilíbrio
de áreas utilizadas pela população.
A intenção da nova legislação é obrigar
as empresas que lidam com esses produtos a informar os órgãos
de fiscalização antes de encerrarem suas atividades em um determinado
local. Somente assim o governo terá condições de enviar
técnicos para mensurar a qualidade do solo e determinar se o local
tem condições de ser liberado para outros empreendimentos.
Em meio à discussão, não se pode jamais esquecer as vítimas
dessa contaminação, que sofrem com doenças de pele, danos
ao fígado e rins, dores de cabeça constantes, problemas neurológicos
e congênitos e vários tipos de câncer. Muitas delas encontram
dificuldades de atendimento no sistema de saúde e ficam desamparadas,
sem direito a indenizações e a um tratamento diferenciado para
seus casos. Isso tudo está sendo levado em conta nas emendas apresentadas
ao projeto de lei que está na Assembléia Legislativa. Ainda
é preciso mobilização para que sejam aprovadas e contemplem
as reivindicações da sociedade civil.
O aquecimento global e suas conseqüências têm ocupado bastante
espaço no noticiário. Existem motivos de sobra para isso. Mas
também se deve aproveitar o debate em torno dessa questão para
que possamos discutir outras formas de prevenção e preservação
do meio ambiente. Não adianta olhar só para céu e se
preocupar com o sol forte e as chuvas torrenciais provocadas pelo efeito estufa.
Precisamos olhar também para debaixo de nossos pés.
Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e membro da comissão de meio ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo.
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