Só existe um modo de ser livre: ser o opressor".
(Millôr Fernandes).
Alonso de Oliveira
Eis o grande poder de quem comanda: poder lavar as mãos. Quantas vezes
lavamos as mãos por dia? Quando passamos pelo semáforo e não
enxergamos aquelas tristes figuras esquálidas a nos pedir uma moeda.
Não as notamos - mas as percebemos - porque os automóveis são
dotados de vidro escurecido e de ar condicionado.
Curioso o homem: busca projeção social, sucesso financeiro e
realização pessoal. Quando os obtém, se esconde atrás
de imensos óculos escuros, dentro de veículos idem - não
de óculos, mas escuros, por certo...
Quando deparamos com situações constrangedoras assim, que falta
faz uma pia para lavar as mãos e as desinfetar com o mais aromático
dos perfumes. E também anestesiar a consciência. Isso é
fácil: é só se reunir com outros iguais e comentar o
desconforto. Perceberão que a semelhança é genuína:
todos gostariam de ter uma pia no automóvel, embutida de preferência,
para dissimular a omissão e a repulsa que os excluídos provocam
quando se dirigem ou estendem as mãos não lavadas ou sujas aos
aparentosos de bem com a vida.
Claro, se Jesus Cristo hoje lhes surgisse a frente ou lhes batesse a porta
- das verdadeiras fortalezas em que transformaram suas moradias: alarmes,
intercomunicadores, muros altos, cercas elétricas, câmeras de
vídeo, cães bravios, segurança 24 horas etc -, ele seria
repugnado só pela simples ou maltrapilha aparência e pelo cheiro
fétido que suas vestes sugeririam. Mesmo sem as sentir...
Cristãos dos mais diversos cultos e credos, freqüentam seus cultos,
confraternizam com seus assemelhados ali na igreja, declaram - ali também
- amá-los, exalam os mais caros aromas e têm as mãos limpas
- porque as lavaram, por óbvio -, sabem que os inúmeros sinais
que permeiam a realidade atual indicam o iminente retorno de Cristo - só
não sabem como e nem quando -, assim que se descartassem da visita
inoportuna, correriam para uma vez mais lavar as mãos. E ficariam em
paz...
Alonso de Oliveira, jornalista, ex-secretário de Administração da prefeitura de Americana.
Rev. Arthur Fernandes Junior
Estamos na semana mais importante na vida e na história do Cristianismo,
certamente, não pelos ovos de chocolate na suas multiformas e cores
de uma Páscoa consumista e mercadológica, mas, pelo evento que
trouxe razão e esperança para a nossa vida: A Ressurreição
de Jesus Cristo. Conforme a Bíblia registra nos Evangelhos, como em
Lucas capítulos 23 e 24, Jesus foi preso, julgado, condenado à
cruz e ao lado de dois malfeitores foi morto com todos os "direitos"
que um criminoso terrível tinha naquele instrumento de morte e dor,
tudo isso diante da dor dos familiares, amigos e discípulos e do escárnio
de um o povo que há poucos dias o saudava como o "Rei que vinha
em nome do Senhor".
Um homem chamado José de Arimatéia, pediu a Pilatos o corpo
de Jesus e envolveu-o num lençol de linho e o colocou no sepulcro aberto
em rocha onde ninguém ainda havia sido sepultado. Depois de três
dias, o mais surpreendente aconteceu: as mulheres foram até o sepulcro
e não encontraram o corpo de Jesus, Ele não estava mais lá,
Ele Ressuscitou! Esse ato maravilhoso de Deus em Jesus Cristo teve o propósito
de salvar e redimir toda a humanidade. Cristo venceu a morte e sua vitória
nos dá esperança para as situações mais difíceis
da nossa história, como a própria morte, por exemplo, que nenhum
de nós está preparado para enfrentar a perda ou o luto.
Lembramos na Páscoa o acontecimento real e suficiente da ressurreição
de Jesus Cristo. A Festa da Páscoa era celebrada pelos judeus e literalmente
significa "passar por cima", com referência à última
das dez pragas, a matança dos primogênitos, quando os anjos da
morte e da destruição passavam por cima das portas marcadas
pelo sangue de cordeiros imaculados proporcionando libertação.
O Livro do Êxodo em seu capítulo 12 apresenta a instituição
desta Festa Religiosa no primeiro mês do calendário judaico,
que corresponde ao mês de Abril para o calendário gregoriano;
o ritual era anual e reunia as famílias para o sacrifício de
um cordeiro puro e sem defeito. Quando lemos o Novo Testamento, percebemos
que o próprio Cristo participou das comemorações da Páscoa
(Mateus 26,17-19) como um judeu deveria fazer. Com a morte e ressurreição
de Cristo, a celebração da Páscoa reassume o sentido
de vitória, vida e libertação, uma vez que agora, Cristo
é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo com sua pureza e justiça,
seu sangue é a marca autêntica daquele que se arrepende e se
entrega ao Salvador afastando o anjo da morte e seus malefícios.
O principal símbolo da Páscoa não são os ovos
de chocolate, nem tampouco os coelhos, mas o maior símbolo da Páscoa
e do Cristianismo é a Cruz. Cruz que foi expressão de medo,
dor, vergonha e derrota, mas, que com a obra expiatória de Cristo assume
vitória sobre a morte e amor por parte de todos aqueles que querem
seguir a Jesus Cristo. A letra de um antigo hino cristão diz: "Sim
eu sempre amarei essa cruz, seu triunfo meu gozo será, pois um dia
em vez de uma cruz, a coroa Jesus me dará". É importante
observar que o lugar da cruz era meu e seu, mas o sacrifício da cruz
foi capaz de nos alcançar e nos salvar de todo pecado e condenação.
Todo preço já foi pago, todo sacrifício já foi
feito... tudo pelo sangue precioso de Jesus.
Devido ao episódio da cruz, agora você e eu sabemos que nossa
vida não é inútil... nossos fracassos não são
fatais... nossa morte não é o fim... "Tragada foi a morte
pela vitória. Onde está ó morte a tua vitória?
Onde está ó morte o teu aguilhão? O aguilhão da
morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças
a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor
Jesus Cristo" (I Coríntios 15,54-57).
Guarde em seu coração o sentido real da Páscoa e entregue
totalmente a Jesus como ele fez por você com Sua morte na cruz do Calvário.
Cristo não morreu devido à condenação dos homens,
nem por intenção política ou martírica, nem tampouco
por algum crime que tenha cometido, Cristo morreu por mim e por você...
por amor somente. O que você tem feito com esse dia da história?
Celebremos a vitória de Cristo Jesus sobre a morte na esperança
da ressurreição eterna para uma vida nova na presença
de Deus. Que o Senhor nos abençoe!
Rev. Arthur Fernandes Junior, Pastor da Igreja Presbiteriana de Santa Bárbara d' Oeste, que completa 80 anos de presença na cidade, e Presidente do Sínodo de Campinas
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