Marcos Cintra
Não é a CPMF que deve ser extinta, como querem seus opositores.
São os impostos que infernizam a vida do contribuinte -IR, IPI, INSS
patronal e ICMS- que devem ser substituídos.
Façamos um teste de múltipla escolha, perguntando aos pagadores
de impostos brasileiros. A receita da CPMF em 2006 foi de R$ 32,1 bilhões.
Sabendo que todas as alternativas apresentadas abaixo têm idêntico
impacto orçamentário, qual delas é preferível
para você?
1) A eliminação da CPMF e a continuidade de todos os outros
tributos com suas alíquotas atuais;
2) A redução da alíquota do IR das empresas de 25% para
11%, e a continuidade da atual CPMF;
3) A redução do ICMS de 17% para 14%, e a continuidade da atual
CPMF;
4) A redução da contribuição patronal sobre a
folha de salários das empresas de 20% para 4%, e a continuidade da
atual CPMF.
5) A extinção do IPI e a redução da Cide-Combustíveis
em 50%, e a continuidade da atual CPMF.
Aposto que a alternativa 1 não seria a preferida. Convido os leitores
a enviarem suas opções para meu e-mail (mcintra@marcoscintra.org).
Divulgarei o resultado em meu site e nos próximos artigos, mantendo
em sigilo a identidade dos votantes.
Em 1990, quando propus o imposto único sobre transações,
estava criando um carneirinho angelical, que agora desejam transformar em
um bode fedorento, o que ele não é. O imposto veio para ficar,
ainda que o tema tenha sido transformado em uma oportunista disputa política.
De um lado está o governo, que, apesar da retórica dúbia
de seus representantes, luta intransigentemente para manter a vigência
do tributo. Do outro, um partido político, os Democratas (ex-PFL),
que se contradiz, pois ataca a cascata tributária presente na CPMF,
mas esquece que a mesma cascata se acha presente no Super-Simples, inovação
que não se cansa de elogiar e cuja paternidade não cessa de
reivindicar.
Os Democratas, agora na oposição, querem a imediata extinção
da CPMF, mas omitem da sociedade três informações fundamentais:
1) A de que se for preciso substituir a receita perdida, deverá haver
aumento de alíquota de outro tributo para gerar receita equivalente;
2) Que, alternativamente, há que se apontar onde serão efetuados
os cortes de gastos sociais e previdenciários custeados pela receita
do tributo que desejam extinguir; e
3) A de que o tributo foi instituído por esse mesmo partido, que apoiou
a criação e todas as suas prorrogações anteriores
enquanto era governo.
A CPMF é comprovadamente um tributo de alta produtividade e excelente
relação custo / benefício, mas que carrega interesses
que dificultam sua avaliação pela sociedade.
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas
Paulo Roberto
Lucas de Oliveira
O nome executivo foi dado aos trabalhadores que tomam decisões, lideram,
gerenciam e, portanto, assumem a responsabilidade pela obtenção
de resultados. Um executivo precisa entender muito bem o seu negócio,
ter grandes conhecimentos de gestão e de administração
e capacidade de influenciar e controlar pessoas. Uma empresa nada mais é
do que um grupo de pessoas que buscam atingir objetivos empresarias e pessoais.
Já se foi o tempo em que as pessoas buscavam um emprego qualquer e
deixavam a sua evolução profissional a cargo da empresa. Era
a empresa que decidia os rumos da carreira de cada funcionário. Ainda
hoje, não é fácil encontrar empregos e a concorrência
está mais acirrada, mas o perfil do profissional mudou bastante: uma
grande parte tem curso superior e muitos têm cursos de pós-graduação.
Outro fator a ser considerado é que a base do sucesso das empresas,
gradativamente, está saindo do capital e dos equipamentos e indo para
o conhecimento humano. Muitos economistas já consideram o conhecimento
como o quarto fator de produção. Em função disto,
é imprescindível que cada pessoa planeje sua carreira e assuma
o controle da sua ascensão profissional.
Obviamente, não é fácil colocar isto em prática.
Quanto mais progredimos em uma organização, mais ela exige habilidades
de relacionamento e menos habilidades técnicas. Para se alcançar
um posto alto de trabalho dentro de uma organização precisamos,
inicialmente, ter conhecimentos e habilidades técnicas inerentes às
funções que estamos exercendo, ao mesmo tempo em que temos de
ir desenvolvendo habilidades de relacionamento para comandar equipes de funcionários.
Dois fatores são fundamentais em uma equipe: conhecimento técnico
e motivação para atingir objetivos. Um líder deve desenvolver
estas duas características em sua equipe. Alguns profissionais consideram,
também, que a intuição não deve ser menosprezada.
Se a intuição for entendida como fruto da experiência
que uma pessoa tenha tido em sua vida, isto pode ser aceito. Se não
for assim, ela será algo fortuito. Será que devemos sempre confiar
na sorte? Uma empresa deve ser gerida dentro de padrões aceitáveis
de gestão, de administração e se a intuição
tiver como base estes padrões, ela ajuda, caso contrário, prejudica.
Na sua formação um executivo deve aprender a tomar decisões
e a arcar com a responsabilidade inerente ao seu cargo. Deve mais acertar
do que errar e assumir como seus os objetivos da empresa. A empresa pode ajudar
bastante incentivando o desenvolvimento desse funcionário por meio
de treinamentos, de acompanhamento de suas atividades, do estabelecimento
de um plano de carreira, de um plano de remuneração que valorize
a iniciativa e a consecução de objetivos e metas.
Tudo ficará mais fácil se a pessoa fizer algo que ela goste.
Não adianta ter um emprego onde somente o salário seja a motivação.
A partir daí, deve-se desenvolver e aprimorar o conhecimento técnico
e as habilidades de relacionamento. Isto pode ser feito tanto pelas experiências
diárias na empresa como por participação em cursos de
especialização e de desenvolvimento profissional. Algumas empresas
patrocinam e encorajam este desenvolvimento, mas a iniciativa e o interesse
dos executivos será imprescindível para a ascensão profissional
em um ambiente altamente competitivo.
Paulo Roberto Lucas de Oliveira é coordenador dos cursos de pós-graduação das Faculdades Integradas Rio Branco.
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