Minha adolescência na Vó Bibina

Juarez Alvarenga

Tinha quatoze anos quando preferi viver a margem da sociedade. Talvez seja por falta de rio onde pudesse mergulhar e nadar com naturalidade.Tomei então a iniciativa de dormir na casa de minha a vó Bibina, madrasta de meu pai que morava retirado da cidade. Pegava meu radio e todas as noites de luar ou não ia dormir neste sitio retirado.
Sempre compreendir deste cedo que devemos ter agressividade com nossos sonhos. Naquela época já percebia que as pessoas restringiam seus tímidos objetivos a monotonia diária. Tinha convicção que a grandezas de meus sonhos chegava até mesmo a mim marginalizar. Mas foi através destes sonhos que petrificaram em mim que conseguir pavimentar meu destino relativamente vencedor.
Acordava de madrugada e começava a estudar. Sonhei com um destino normal de ser um competente engenheiro da Usiminas, mas minha vida tomou direção infinitamente diferente. O foco era outro e os instrumentos usados começaram a fazer as coisas a acontecer devagar, porém solidamente.
Hoje vejo as meninas de minha época e fico imaginando que a vida nos retira tudo que ela temporariamente nos dar com abundancia. Elas, as meninas de minha época chegaram até a sonhar com o cantor Fabio Junior, mas as realidades os levaram para situações desforáveis e a destino totalmente diferenciados de seus sonhos de adolescência.
Menino tímido e observador lembro do mês de maio juntamente com meus colegas numa eletrola de marca sonata com disco vinil enfrentava os pais das meninas de minha época adicionadas ao frio irmos fazer serenata. A realidade de época era totalmente desfavorável quando colocava aquela coleção só de musica romântica ignorava que as moças de meu tempo estavam pensando em outros homens que não seja eu, porém hoje percebir que o sacrifício foi em vão.
Hoje por não ter deixado meus sonhos a beira das estradas parece para mim que aquela sociedade que um dia mim marginalizou começa a perceber da viabilidade de meus sonhos.
Existem muitas maneiras de olhar a natureza humana profundamente. Sabemos que são rigorosos pelo menos com os outros e só aceita vencedor, ou melhor, só ver o resultado positivo pronto não imagina os bastidores e as dificuldades para atingir tais objetivos.
Se você tem algum objetivo aprenda que o silencio dele esconde também as derrotas encontradas dentro de sua trajetória.
Esqueça as dádivas, estique o arco e aprenda a dar direção as flechas e mire com determinação e depois é só esperar o resultado.
Nos momentos de construção aja como um humilde pedreiro chega até mesmo a aceitar a descriminalização, mas depois do edifício pronto coloque em lugar estrategicamente visível.
Na época que comecei a alimentar meus sonhos de fragmentos reais percebi a voracidade e a insaciabilidade que um sonho em ação nos consome.
Hoje tem a noção que as musicas do passado não tinha ouvidos para as meninas de minha época, mas estou com novos tons de quem aprendeu a afinar os instrumentos desafinando na vida.

Juarez Alvarenga é advogado e escritor


O Papa e a Igreja na América Latina

Prof. Felipe Aquino

Pela primeira vez, o Papa Bento XVI visita um país não-europeu, vindo ao Brasil no próximo mês. Sob vários aspectos, trata-se de um fato de importância muito grande. Em primeiro lugar, o Brasil é o país que tem mais católicos no mundo, com cerca de 75% da população católica. Ainda que muitos não tenham uma vivência real de sua fé, isso reforça a figura do Papa como uma referência para a maior parte do povo.
João Paulo II sempre arrastou as multidões atrás de si. Bento XVI não deve ser diferente. O povo brasileiro, por sua profunda religiosidade, sempre vê no Papa "o homem de Deus" e aquele "que vem em nome do Senhor". Por isso, ouvirá a sua voz e acolherá suas palavras, que deverão tocar nos principais problemas que afligem a Igreja e a seus fiéis. Para muitos, será a única oportunidade de ver o Papa.
Não há dúvida de que o Papa falará dos problemas sociais que o povo da América Latina enfrenta: a brutal concentração de renda e a falta do mínimo necessário para a sobrevivência de muitos. Sem dúvida, ele trará o seu alento àquele que sofre no corpo ou na alma, apresentando o remédio de Deus para todos. Certamente, ele falará dos graves problemas e ameaças que sofre a família em nossos dias: aborto, divórcio, segunda união, casamento de homossexuais, manipulação de embriões, uso de células-tronco embrionárias, eutanásia etc. Ainda que muitos não concordem com o seu discurso, ele não deixará de apontar para o povo católico os caminhos ensinados pela Igreja.
O Papa vem, também, para a 5ª Conferência dos Bispos da América Latina. Trata-se de um evento de grande importância para o Continente, em que ele e os bispos vão analisar a situação de evangelização na América Latina - que ele chama de Continente da "esperança cristã". Certamente, suas palavras vão animar a evangelização em um contexto difícil de relativismo religioso e moral, em que Cristo e a Igreja católica são muitas vezes deixados de lado, enquanto crescem as seitas.
O discurso inaugural que o Papa fará na 5ª Conferência será temático para os bispos em seus estudos e análises da missão da Igreja na América Latina. Durante cerca de 25 anos, ele foi o braço direito do Papa João Paulo II como Prefeito da Congregação da Fé, e pôde conhecer bem os problemas da Igreja na América Latina. Isso lhe dá a oportunidade de propor caminhos e soluções para a missão evangelizadora da Igreja em nosso Continente. Não há dúvida de que suas palavras vão ser um referencial para os estudos e programas pastorais das dioceses.
Não menos importante é o fato da canonização do primeiro santo nascido no Brasil, frei Antonio Galvão. Isso é um marco para o Brasil, sinalizando que outros santos brasileiros poderão em breve ser canonizados, a exemplo do que João Paulo II disse: "O Brasil precisa de santos, de muitos santos!" Certamente, o Papa vai falar da importância da santidade para os cristãos, para o país e para a Igreja. Ele tem dito que a santidade dos seus filhos é a força mais poderosa da Igreja na missão de evangelizar.
Por fim, o Papa vem também como homem da Paz. Aquele que traz em seu traje branco a esperança de um mundo novo onde reine a paz e a vitória sobre a morte. A esse povo sofrido e amedrontado pelo sofrimento ele virá trazer a Luz de Cristo que ilumina as trevas do pecado, do medo, da angústia, da tristeza e da morte.

Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova.


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