Giomário Nunes Torres
É com muito pesar que comunico a morte daquele que seria o futuro
desse país, aquele que poderia ser o presidente da república,
o prefeito da cidade local, fenômeno do esporte, futuro ídolo
musical, um astro da sétima arte, um futuro professor, infelizmente
o nosso futuro faleceu. Os nossos jovens estão se suicidando, abreviando
as suas vidas e entregando-se tão fácil ao mal.
Tristemente leio as páginas dos periódicos a que tenho acesso
e deparo apenas com notas de falecimentos: "jovens presos roubando banco",
"jovens detidos traficando e consumindo drogas", "menores são
acusados de praticar homicídios", "adolescentes agridem idosos
e professores", "adolescentes são presos como sendo os chefes
na distribuição de ilícitos", etc. são essas
as notas de falecidos publicadas diariamente em todos os jornais do Brasil.
Os nossos jovens perderam o espírito de amor próprio, perderam
a garra, à vontade de vencer e viver que tanto marcou as gerações
passadas. Adotaram atitudes e hábitos ridículos para convencer
de que deixara a infância, são levados pelo modismo e desejam
ser o centro das atenções ferindo sua alma com tatuagens, piercings
que antes era usado somente por presidiários, atualmente é moda,
é símbolo de poder entre o grupo.
Mal saem das fraldas e já estão querendo aparecer, entregando
aos vícios, é de causar tristeza presenciar essas crianças
viciadas em álcool e o pior são os pais que consideram um pequeno
gole de cerveja não fazer mal, começam com um gole do copo dos
pais, depois vem a latinha e sucessivamente o vício se concretiza,
surgem a agressividade com os familiares e o mal se instaura na família,
reduzindo suas vidas seja em acidente automobilístico, discussões
ou até em coma alcoólico. Os pais como exemplos máximo
devem orientar seus filhos, ter atitudes dignas de serem imitadas pelos descendentes.
Sem nenhuma necessidade querem a qualquer preço chamar a atenção,
adquirem a inclinação de fumar, iniciando pela curiosidade e
acabam na overdose, terminam passando por dementes pois seus gestos estúpidos
tiveram apenas uma conseqüência, o fim de sua vida terrena e marcando
pra sempre o seu espírito.
Quando pequenos recebem de seus pais brinquedos que incentivam a violência
e/ou a morte, quando jovens buscam conhecer aquelas armas das quais tinham
de brinquedo e são subornados, seduzidos pelo fantasioso mundo do crime
que adotam o slogan do dinheiro fácil, essa propaganda aliada a intenção
de praticar delitos aguça ainda mais o desejo jovial, levando-os ao
nefasto mundo das infrações morais graves.
Querendo ser desejada pelos homens, as meninas passam a usar roupas curtas
que exibam seu corpo, embaladas pelos "novos ritmos musicais" que
incentivam a prática sexual desenfreada além do consumo de drogas,
cospem nas páginas da história ignorando as lutas feministas
pelo reconhecimento frente ao machismo que tão imperou ao longo dos
tempos, ela agora cobiçam serem chamadas de cachorras e aplaudem os
ritmos que as denominam de "tchutchucas". Nesses bailes engravidam
sem saber quem é o pai, e se nada mudar, seu rebento será mais
um a cometer maluquices e entregar-se facilmente as correntes do mal.
Em casa já não têm mais o hábito de freqüentar
um culto religioso, seus compromissos são somente aqueles que chocam
a sociedade, suas atitudes têm um único propósito: desagradar,
ferir e ofender a seus familiares, aliás, ignora a sagrada instituição
família como se fossem gerados do nada e não tivessem de prestar
contas a ninguém.
Causa imensa tristeza, mas é preciso admitir que ao andar que vai essa
carruagem logo mais cairá em um buraco que não lhes dará
condições de retornar ao percurso, assim com as atitudes e gestos
que a juventude escolheram seguir, o futuro está perdido.
Giomário Nunes Torres - Inspetor de alunos e Estudante de Letras na
FAC de Santa Bárbara d`Oeste
Juarez Alvarenga
A superficialidade humana não leva a reflexão e sim a admiração.
Como a profundeza nos torna transparente e habito ao auto conhecimento.
Ser viajante de seu próprio universo é encontrar pelos caminhos
matas fechadas, estradas esburacadas e até mesmo um pequeno mundo do
desconhecido além de distancias intermináveis. Varrer nosso
intimo do entulho do passado e capinar periodicamente as estradas que nos
levam a nós é permitir que o fluxo dos acontecimentos se expanda
velozmente.
Se você encontra estagnado e retido numa membrana impermeável
arrepende com a força do seu próprio intimo, somente assim seu
espaço interno deslocará com desenvoltura.
Nossa morada intima não é nômade. Somos cativos e por
isto cabe a nós nos acariciar, nos cativar e buscar naquele lugar ermo
a perola enterrada e ainda não lapidada.
Saiba entender o processo que levam as correições de nosso narcisismo
intimo. Os defeitos não podem ficar impregnados em nossas trajetórias
amputando assim virtudes estáticas.
Descubra a si, mesmo que para isto é necessário levar nosso
intimo a exaustão. O isolamento natural da estrada de nosso interior
poderá nos torna-nos prepotente, mas em compensação fará
a reflexão locomover sem esteios. Se aceita, pois aquele cadeado de
entrada irá despedaçar. Aprenda a dar ritmo ao seu mundo interior.
Se suas estradas estão estreitas está na hora de trabalhar para
ampliar.
A visibilidade dos horizontes de seu interior devem raptar com seu radar próprio
distancias mensurável, porém todas alcançáveis
pela nossa voracidade intima.
No ínicio da caminhada dentro de seu próprio mundo engatilha,
no meio saia da timidez e acelere e no fim, bem perto de seu pódio
existencial, se supere suba ao topo e de lá perceba que passagem do
êxito é feita de degrau de sacrifícios.
Conhecer sua estrada interior só será possível através
de uma maratona permanente. Nossa morada é como um casulo. Personalizada
e devem serem confortáveis. Sentir forasteiro dentro de nosso próprio
intimo é se escravizar, por isto alguns dessasustes naturais deverão
ser consertados com nossa invenção humana. Só nós
mesmos podemos dar a carteira de habilitação e, esta alforria
nos permitirá ampliar a cada dia a distancia caminhada.
Hoje me sinto perito dentro do meu mundo e ter meu interior revisado fez-me
renovado com os tributos do passado, acrescentado de motivação
para o futuro. Mas para isto foram necessários arrependar o cadeado
inicial, depois fazer logística na construção das estradas
que levam ao meu intimo e finalmente aprendir fazer acrobacias com minha própria
direção.
Não digo que minha morada intima é de perigo zero. Mas toda
ela está bem sinalizada e, o mais importante é que reajusto
a estas marcações. Sinto como turista e donos de meus próprios
passos. Ser fazer balé com os ritmos que a vida mim impõe.
Dentro de minha morada há combustíveis em demasia que mim permite
sentir com a voracidade de uma locomotiva que nasce da bravura do sol, entra
dentro da noite e desponta com a saída da lua.
Juarez Alvarenga-advogado e escritor
email: editor@diariosbo.com.br