O Ministério da Cultura investiga um indício de fraude em um
pedido de captação de recursos para um anunciado show de Ivete
Sangalo. O valor: R$ 520 mil, por meio da Lei Rouanet. A solicitação
foi aprovada pelo ministério, mas o assessor da cantora afirma desconhecer
o evento e o pedido de captação. Também nega que o show
tenha sido realizado (leia abaixo).
O projeto, que foi chamado de “Ivete Sangalo Repica Brasil”, cita
uma apresentação de Ivete no estádio Brinco da Princesa,
em Campinas (interior de SP), no dia 21 de janeiro deste ano. A autora da
solicitação é a empresa Acontece Administração
e Organização de Festas, registrada em Santo André (Grande
SP), que pediu para captar, por meio e renúncia fiscal, R$ 1.427.507,80
—dos quais apenas cerca de um terço foi aprovado.
A autorização foi publicada no “Diário Oficial
da União” no dia 22 de junho —data posterior àquela
que seria a do evento (uma prática legal, segundo o ministério).
Dele deveria constar a assinatura da artista citada, o que não ocorreu.
O assessor da cantora, Eduardo Scott, disse que segundo o irmão e empresário
da cantora, Jesus Sangalo, ela não fez a apresentação
na cidade. Ele informou que shows da cantora na cidade costumam ser realizados
pela empresa de eventos dos cantores Sandy e Junior. Scott disse que a cantora
nunca foi procurada pela empresa Acontece.
A Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura, responsável pelo
caso, informou que solicitou a carta de anuência da cantora ao proponente,
que alegou não ter condições de obter tal documento sem
o pagamento de um sinal à artista.
Funcionários do estádio de Campinas também disseram que
a apresentação “nunca aconteceu e nunca acontecerá”,
já que o local tem grama especial e não comportaria shows desse
porte.
A empresa Acontece não foi encontrada para comentar o caso. O número
de telefone apresentado pela empresa ao MinC pertence a uma farmácia
de manipulação, que afirmou possuir a linha telefônica
há menos de um ano. Se houve, a mudança do número deveria
ter sido comunicada ao ministério.
Procurada, a secretaria afirmou que o processo foi arquivado porque ficou
constatado que o prazo para captação havia acabado. O órgão
afirmou que entrará em contato com a empresa para “apuração
dos fatos e a averiguação de alguma irregularidade”.
Se houver confirmação de fraude, a empresa pode, entre outras
sanções, ter de entregar os recursos eventualmente captados
para o Fundo Nacional da Cultura. Isso se os donos forem localizados.
No mês passado, outro caso envolvendo captação de recursos
por meio de renúncia fiscal (as empresas deixam de entregar determinado
percentual de imposto para investir o valor em um projeto cultural) gerou
polêmica. O MinC aprovou, dentro da legalidade, captação
de R$ 900 mil para o DVD da cantora Vanessa da Mata, abrindo discussões
sobre a utilização dessa ferramenta para produtos comerciais
e com previsão de lucro.
No ano passado, outro caso polêmico envolveu as leis de incentivo fiscal.
O Cirque du Soleil conseguiu liberação para captar R$ 9,4 milhões
para suas apresentações. A operação foi feita
pela Lei Rouanet. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, chamou a liberação
de distorção.
O cineasta indiano Rajeev Nath está produzindo um remake de 'Casablanca',
trocando o Rick's Café do clássico por um restaurante no sul
da Índia.
No filme de 1942, Humphrey Bogart representou o dono do Rick's Café,
que tem um romance com uma mulher casada, Ingrid Bergman, e a ajuda a escapar
dos nazistas com seu marido, líder da resistência. O filme indiano,
em vez de se passar na 2ª Guerra Mundial, tem como pano de fundo o conflito
étnico no Sri Lanka.
'Meu filme será uma homenagem ao original', disse Nath, que pretende
promover a estréia de seu remake 'Ezham Mudra' ('O Sétimo Selo')
na cidade costeira do Marrocos, onde se passa a história do 'Casablanca'
original.
O protagonista do filme é um diplomata indiano que se tornou dono de
restaurante e ajuda sua amada e o marido dela, ambos rebeldes separatistas
tâmeis que combatem o governo do Sri Lanka, a escapar da Índia.
A guerra civil no Sri Lanka já causou quase 70 mil mortes desde 1983,
sendo 4.500 apenas desde o ano passado.
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