Os boxeadores deportados

Antonio Carlos Pannunzio

Causaria compreensível indignação ao brasileiro que atletas nossos, enviados ao exterior com a incumbência de representar o país num campeonato, com chances de conquistarem pódios, medalhas e recordes, abandonassem a competição e manifestassem o desejo de não retornar à Pátria, para buscar, em outros pontos do planeta, melhores oportunidades.
Se, após as provas que deveriam disputar e vencer - mas das quais preferiram se ausentar -, mudassem de idéia e pedissem ao governo anfitrião para serem recambiados, no retorno não seriam tratados com amabilidade.
Depois, teriam de buscar outros caminhos na vida. Integrar nossa delegação em futuras competições internacionais é coisa que não voltariam a conseguir.
Mudando o que deve ser mudado, é isso o que está ocorrendo com parte dos boxeadores cubanos enviados aos Jogos Pan-americanos do Rio.
Quatro abandonaram a Vila Olímpica, ausentando-se das competições de que deveriam participar. Dois, encontrados e detidos pela policia, foram devolvidos pressurosamente a Cuba.
Um atleta brasileiro, devolvido ao País em condições assemelhadas, sofreria sanções esportivas e contratuais, que provavelmente o forçariam a mudar de ocupação. O castigo pararia por aí, pois ele não teria transgredido norma penal. Face ao pouco apreço do Comandante Fidel Castro pelos direitos humanos, há motivos para duvidar que a sorte dos cubanos deportados seja tão benigna.
Dos boxeadores que o governo Lula devolveu à ilha, um, campeão mundial em sua categoria, já foi informado de que, por decisão do próprio ditador, nunca mais lutará boxe. Receberá um "emprego decoroso, de acordo com seus conhecimentos".
Some-se a isso a rejeição dos futuros colegas de trabalho e ter-se-á algo parecido com o inferno na terra.
A dúvida sobre as represálias que poderiam incidir sobre os boxeadores era uma excelente justificativa para a autoridade brasileira ter agido com menos pressa, maior transparência, mais forte consciência da soberania brasileira e uma dose, mínima que fosse, de compaixão. Às pessoas, cuja sorte decidiam, faltava, naquele momento, serenidade e lucidez para decidir. Um deles, casado, deixara a esposa em Cuba.
As explicações dos motivos que levaram os cubanos a abandonar a Vila Olímpica são nebulosas e conflitantes. Dizem uns que desertaram com intenção de ingressar no milionário mercado do boxe profissional. Outros afirmam que foram seqüestrados, durante um giro pela cidade.
Ao abandonar sua equipe, eles se colocaram em situação irregular, agravada pela não apresentação do pedido de asilo político.
Em razão disso, os defensores do governo alegam que, sob o ponto de vista formal, o presidente Lula agiu de maneira correta. Os lacaios do Estado Novo invocaram razões parecidas ao deportar a mulher de Luís Carlos Prestes, em plena gravidez.
No caso Olga Benário, os autores da deportação queriam bajular os nazistas. No episódio atual, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta agradar Fidel Castro e, em nome desse objetivo, nocauteia os direitos humanos, conquista a medalha de ouro da subserviência e coloca o Brasil em destaque no pódio da humilhação aos olhos do mundo.
Antonio Carlos Pannunzio, Líder do PSDB na Câmara.


Manifesto aos Estudantes

Henrique Matthiesen

Ao passar o dia 11 de agosto, dia do estudante, devemos refletir, sobre o M.E. e a historia.
Para isso devemos mergulhar nos últimos 70 anos, onde os estudantes juntamente com a sociedade brasileira, reescreveram o Brasil.
As gerações passadas, contemporâneas e vindouras, a luta dos estudantes brasileiros, e suas concepções e desafios.
Vivemos juntos, marchamos juntos, apanhamos juntos, pelejamos juntos.
Mas do que isso se trilhamos juntos o mesmos caminhos e por que sempre tivemos os mesmos horizontes, comungamos da mesma concepção de país.
Muitas passagens abalizaram em nosso curso a do Movimento estudantil a nossa e a do Brasil.
Nessas derradeiras décadas foi sem oscilar uma travessia dolorosa.
Marcada pela repressão e pelo extermínio, de tantos jovens marcados de tantos sonhos, por um Brasil livre soberano e democrático.
Procuramos nessa historia um evento que melhor ilustrasse essa historia de peleja.
Quem sabe a morte de Edison Luiz, morto no, calabouço, restaurante universitário no Rio de Janeiro em 1968 com os episódios que se adviram 1968 o ano que não acabou.
Quem sabe a atitude arbritaria no regime militar ao perseguir os estudantes em 1964 um ato parvo, vindo após com outro ato impedido estudante de estudar.
O estudante atingido pelo ato 477 por 10 anos não podia estudar, uma das atitudes mais estúpidas e acéfalas do regime militar.
Quem sabe as ruínas de uma sede incinerada próximo dos arcos da Lapa no RJ (sede da UNE).
Quem sabe as invasões das universidades de SP da UNB de tantas outras universidades Brasileiras naqueles anos de chumbo.
Quem sabe Ibiúna em fila rumo a outras masmorras.
Quem sabe outros nomes como Honestino Guimarães, da Unb.
Quem sabe tantos outros desaparecidos, covas rasas, cemitérios clandestinos, corpos incepulculos.
Mas eu entendendo que as únicas expressões que pode sintetizar a existência da ação dos estudantes na historia do Brasil.
Ë Bravura e resistência.
Quantas vezes garotos ainda enfrentando canhão, como se o Brasil fosse uma gigantesca praça da paz celestial.
Quantas vezes multidões de púberes na peleja pela democracia.
Pelo fim da ditadura opressiva.
Pelas eleições diretas, amplas gerais e irrestritas.
Quantas vezes a peleja contra as elites antinacionais na advocacia do petróleo e nosso.
Quantas vezes faces pintadas, de verde amarelo, vestes tingidas de consternação, numa combinação de cores e de gestos pela ética na política.
Quantas vezes, quantos moços, quanta bravura.
Jovens de luta e de labuta, na edificação da historia do Brasil.
Hoje o país clama de novo, pelo caráter audaz de todos os jovens desta nação.
É muito comum conferir a mocidade à responsabilidade pelo país do vindouro.
Mas quem sabe, jamais em outra ocasião da historia a bravura dos jovens seja tão urgente, para edificar o presente de nosso país.
A juventude esta convocada desta vez não exclusivamente para edificar o vindouro, mas, especialmente para reconstruir o agora, de nosso país.
Por isso sintam-se emancipados, o Brasil carece de vocês para que seja o país do presente.
A emancipação e imprescindível.
E por que temos vivido, na nossa historia, cabe a vocês estabelecerem novos alicerces sedimentados nos princípios fundamentais da ética.
As bases dessa mesma edificação que com tanta peleja, procuramos deixar-lhes como espólio, se mostra cada vez mais carcomida.
Quem sabe, seja hora de tomar de novo as nossas ruas, como em tantos outros tempos inesquecíveis.
Quem sabe seja a ocasião igualmente de fazer historia dos nossos melhores sonhos.
Quem sabe esse não seja a hora de avançarmos e não simplesmente conjeturar nossos feitos do passado.
Quem sabe, o que vale mais são os próximos anos que ainda virão.
Não acreditem que as transformações que tanto o país reclama no executivo, legislativo e judiciário ocorram de dentro para fora.
Não esperem que aconteçam de dentro destas instituições para a sociedade Brasileira.
O alvedrio que conquistamos a duras penas, e com holocausto de tantos que tombaram tem que ser praticada hoje em sua plenitude.
As ruas turvadas de outros momentos, por nuvens de pólvora e de gás, precisam ser ocupadas de novo por ventos da compostura, dignidade, decência, da ética, e das melhores referencias.
Não se pode conceber um país com tamanha riqueza, coexistir com tamanha dessemelhança social.
Ha um grande muro de desonra a nos dividir e as no enfraquecer.
Há de se restaurar o Estado, com novas bases, com novas praticas, com novas luzes para edificar uma nação sinceramente cidadã, democrática, soberana e digna.
Henrique Matthiesen, Ex- dirigente Nacional do M.E.


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