Alberto Novaes, meu pai

Gilson Alberto Novaes

Assistindo ao Fantástico no último domingo, uma reportagem chamou-me a atenção: "quanto tempo os pais ficam com seus filhos". Foi interessante notar que alguns pais se lamentavam pelo fato de quase não terem contato com eles - saem para trabalhar e os deixam dormindo e quando voltam eles já estão dormindo de novo. Não os vêem crescer! Não podem com eles conversar!
Enquanto assistia à reportagem, lembrei-me do meu pai! Que saudade! Deus o levou há mais de 43 anos e sua lembrança ainda está viva em minha mente, como se convivesse comigo ainda hoje, tantas foram as lições que com ele aprendi em apenas 16 anos.
Ter a presença do pai durante minha infância e adolescência foi a melhor coisa que eu tive. Meu pai era alfaiate e por isso trabalhava em casa. Ficava comigo vinte e quatro horas por dia. Como foi bom ter vivido tão perto do meu pai!
Minha mãe era costureira e assim, convivia nossa família. Nunca vi meus pais saírem para trabalhar! Que bom! Minhas peraltices de menino eram corrigidas pela minha mãe com mais rigor. A mãe sempre é a que mais vigia e corrige o filho. Meu pai, sempre por perto, sem desautorizar minha mãe, costumava "aliviar" as broncas e não raro, as surras que eu levava. Depois delas, meu pai costumava me dar alguma tarefa e conversava longamente comigo sobre outros assuntos, como se nada tivesse acontecido. Como foi bom ter apanhado da minha mãe! Como foi bom ter levado uns "cascudos" do "Seu Mozart" no Gabriel de Oliveira, a minha escola! Eram outros tempos!
Nunca me esqueci das lições de vida que aprendi com meu pai. Lembro-me detalhes de uma vez em que eu, criança com 6 ou 7 anos, gostei tanto de um pente que estava exposto numa esteira que costumeiramente um comerciante estendia no chão aos sábados perto da minha casa, que acabei tomando posse dele, sem que o proprietário percebesse.
O problema foi ao chegar em casa com aquele pentinho tão gracioso. Tinha um cabo que dobrava e protegia os dentes do pente para se guardar no bolso. Hoje isso não existe mais. Meus pais perguntaram de onde eu havia trazido aquele objeto e eu disse: - Peguei ali, na exposição do fulano de tal. - "Pois então vá devolver já, isso não lhe pertence" disse meu pai. Naquela hora eu queria fazer qualquer coisa, menos ir devolver o pente. Chorei muito e não queria ir, até que meu pai, tomando-me pela mão, acompanhou-me até perto do local e eu fui sozinho devolver o pente ao local de onde ele não devia ter saído. Tenho lembrado do pente durante toda a minha vida...
Lembro-me do meu pai, como já disse, "aliviando-me" broncas e surras de minha mãe! Quando isso acontecia, ele me pegava pela mão e me colocava sentado ao seu lado na alfaiataria. Conversava comigo e me ensinava a fazer o que ele sabia tão bem: costurar. Assim, aprendi a fazer "casa" para botões em roupa, chulear - que á aquela linha que se aplica no corte do tecido para não se desfiar, pregar botões, etc. Não cheguei a ser alfaiate, mas não fico com botões se despregando em minhas roupas, nem passo aperto nesse sentido. Mais do que aprender a pregar botões, chulear ou fazer "casa", era a conversa que tinha com meu pai. Calmamente ele me falava de outros assuntos, até que eu me esquecesse do ocorrido.
Aprendi com meu pai a respeitar os mais velhos. A alfaiataria do meu pai vivia cheia de gente. Lembro-me de visitas ilustres como o Prof. Arruda Ribeiro, grande amigo do meu pai e de suas gargalhadas, do Dr. Felício Fernandes Nogueira, médico da nossa família, do Prof. José Rodrigues e outros. Lembro-me também, de um ex-escravo negro, que vivia no Asilo São Vicente de Paula e que saia para seus passeios matinais. Estava sempre com meu pai na alfaiataria. Seu nome era Marcos. Como me lembro dele! Em princípio eu tinha medo do Marcos. Eu era bem pequeno e ele um velhinho encurvado que andava de bengala e eu não entendia o que ele falava. Lembro dele perguntando ao meu pai: - "Como chama o menino?" - "Gilson" , disse meu pai. - "Dito?" . - "Não, Gilson", respondeu meu pai. - "Ah! Dito. Quer peixe de bacalhau, Dito?". Ele andava com pedaços de bacalhau no bolso e os comia pelo caminho. Algumas vezes eu comi do bacalhau do Marcos...
No Dia dos Pais, quero homenagear o meu: ALBERTO NOVAES, o alfaiate, o ator (fundador do primeiro Grêmio Dramático de nossa cidade ao lado de Manoel Lyra e outros), o cristão, o Pai. O privilégio é meu, que tenho esse espaço que O DIARIO de vez em quando me dá para poder me manifestar.
Sou grato a Deus pelos pais de hoje que sabem que seus filhos precisam de suas presenças. Que o Todo Poderoso possa abençoar a todos nesse DIA DOS PAIS.
Gilson Alberto Novaes nosso colaborador, é Diretor Administrativo-Financeiro do Instituto Presbiteriano Mackenzie em São Paulo E-mail: ganovaes@mackenzie.com.br


As dores da alma

Padre Jonas Abib

Talvez você esteja com o coração pesado e precisando do Senhor. Tenha certeza de que Ele mesmo está chamando a todos. Vamos acolher este convite que Ele nos faz hoje: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso" (Mateus 11,28).
Talvez você esteja carregando o fardo do seu casamento, de seus filhos adolescentes ou casados. Pode ser que você esteja vendo o casamento de seu filho desmoronar, aquele de quem você esperava tanto. Talvez, o seu próprio casamento esteja desmoronando.
Muitas vezes, nós estamos com a alma cansada e isso se reflete em nosso corpo: não dormimos, passamos a noite com sonos intermitentes. Então, não vemos a hora de anoitecer novamente. Depois, não vemos a hora de chegar o dia. Hoje, o Senhor está dizendo para você: "Venha a mim e eu lhe darei o repouso, o descanso de que você precisa".
Quantos de nós já encontramos essa solução que o Senhor nos dá! Nós já experimentamos maravilhas em nossa vida. Quanta coisa nós pedimos e o Senhor nos concedeu? Seja qual for o peso que você carrega, o Senhor está pronto para oferecer repouso.
"Senhor, Tu sabes as dores da alma que esses irmãos estão carregando. É promessa sua e eles estão vindo, estão acreditando. Dá a cada um de seus filhos e filhas o descanso, o repouso de que precisam. Muitas vezes, esse descanso vem porque o Senhor pousa tua mão entre nós. Dá-nos, meu Deus, o repouso da alma, do espírito e o alívio de que precisamos".
Tenha certeza de que nessa oração que estamos fazendo e na proclamação da Palavra, muito já está se realizando. Nos momentos de adoração Eucarística, quando estivermos louvando o Senhor, abrindo-nos para receber as curas que Ele quer fazer, Ele estará agindo.
"Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve"(Mt 11,30). Jugo é igual a canga, uma peça de madeira que se coloca no pescoço de dois bois para que eles puxem o carro e caminhem juntos. Com isso, Jesus está nos dizendo: "Meu filho, minha filha, caminhem comigo, pois ou vocês andam comigo ou andam ao léu no mundo. Caminhem nos meus passos".
Você entendeu? É preciso andar sempre com o Senhor. Sei que temos momentos de desânimo e que muitas coisas nos tiram do caminho, mas Jesus está nos chamando. Se você saiu do caminho do Senhor, volte correndo, porque Ele não se cansou de você.
"Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso."
Padre Jonas Abib é fundador da Comunidade Canção Nova e presidente da Fundação João Paulo II


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