Cuidados com o assédio moral

DANIELA SANTINO

Os pedidos de indenizações por assédio moral viraram os novos fenômenos na Justiça do Trabalho. Os tribunais passaram a receber, nos últimos anos, uma enxurrada de processos sobre o tema. A reparação do dano neste caso é recente e está sendo cada vez mais estudada pelos profissionais do Direito. O assédio moral pode ser definido como todo comportamento negativo que contribua para a degradação do ambiente de trabalho, que fira a dignidade da vítima, seja vindo dos superiores hierárquicos ou colegas de empresa. O assédio é uma situação prolongada no tempo, repetitiva, com a finalidade de excluir a vítima do local de trabalho.
Normalmente incute na vítima sentimentos de constrangimento, humilhação, medo, desprezo, incapacidade, inferioridade, entre outros. Pode evoluir para doenças de fundo psico-emocionais. Geralmente, a vítima começa a se abster do local de trabalho. O assédio moral é difícil de ser identificado porque, na maioria das vezes, se mostra de forma sutil e dissimulada.
Por se tratar de nova "fonte de condenações", muitas decisões da Justiça trabalhista ainda conferem quantias elevadas para a indenização. Por isso, a empresa deve se resguardar o máximo possível, procurando documentar todas as situações que gerarem algum tipo de conflito e buscar com atitudes efetivas harmonizar o ambiente de trabalho.
Na prática, o empregador é responsável objetivamente ou pela culpa na escolha do empregado ou pela falta de fiscalização do ambiente e das relações de trabalho. Por esse motivo, cabe a empresa utilizar de todas as suas forças para coibir comportamentos que possam ter indícios de um assédio.
O empregador pode e deve evitar qualquer comportamento que possa ser caracterizado como assédio moral, principalmente quando o fato lhe for comunicado. É preciso estar muito atento à satisfação dos funcionários com o ambiente de trabalho e funções desenvolvidas.
Quando alertado, o empregador deve identificar, reconhecer o problema e, acima de tudo, saná-lo. Portanto, as empresas devem manter abertos os canais de comunicação para que esse tipo de informação chegue aos administradores da empresa. Mais do que isso: esses canais devem funcionar de maneira que sejam tomadas todas as providências cabíveis. Para tanto, é necessário que o empregador tenha um contato muito mais direto com seus empregados, além de instruí-los a evitar qualquer comportamento que possa ferir a dignidade alheia.
A principal atitude do empregador deve ser a orientação, por meio de informativos ou palestras a todos os funcionários, informando constantemente seus empregados a reconhecer e sanar o problema. Recomenda-se, inclusive, a análise de exemplos da jurisprudência.
É recomendável tomar os seguintes cuidados no ambiente de trabalho:
- evitar críticas públicas ao trabalho alheio;
- evitar boatos e fofocas;
- evitar ampla divulgação de fatos vexatórios;
- orientar e instruir os funcionários com clareza e precisão acerca de suas funções e hierarquia dentro da empresa;
- organizar e estruturar a empresa;
- definir responsabilidades;
- elaborar e adotar um código de ética;
- evitar situações discriminatórias ou de exclusão;
- evitar humilhações ou brincadeiras que possam ter duplo sentido ou ser mal entendidas;
- abrir espaço para que os funcionários relatem suas queixas com sigilo e tomar - providências para verificação da procedência ou não da queixa, tomando as medidas cabíveis.
Por fim, a empresa é responsável por manter um clima de cordialidade, amizade e solidariedade entre os trabalhadores. Qualquer atitude discriminatória e ofensiva deve ser evitada e coibida. Tomadas as atitudes corretas de modo sistemático, é pouco provável que uma empresa tenha problemas com assédio moral.
Daniela Santino é advogada de Direito do Trabalho do escritório Correia da Silva Advogados e pós-graduada em Direito Constitucional (daniela.santino@correiadasilva.com.br)


Zoológico humano

SYLVIA ROMANO

Há muito tempo, venho pensando o porquê de no Brasil os índios serem mantidos à margem da civilização, condenados a viver na ignorância, sem acesso a qualquer modernidade e a noções mínimas de comportamentos ditos sociais. Essa, hoje, pequena parcela da população de legítimos brasileiros está condenada a viver para sempre como animais.
Repete-se no nosso País a mesma postura escravagista implantada na Austrália pelos colonizadores ingleses, que viam nos aborígenes uma sub-raça que deveria ser mantida segregada, jogada à própria sorte para que se extinguisse naturalmente, o mais rapidamente possível em prol dos interesses e da hegemonia de uma superioridade branca.
Infelizmente aqui em nossa terra, este mesmo descalabro vem ocorrendo há muito tempo, graças a interesses de um órgão do governo - a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) -, que pelo visto, segundo uma grande matéria publicada por uma das mais importantes revistas do mercado editorial, está mesmo é preocupado em conservar o seu quadro de funcionários, provavelmente com altos salários, e que tem grande interesse em manter a "bugrada" na santa ignorância e na exploração. Obviamente sabe-se que alguns não são tão coitados assim, pois já houve casos até de cacique com avião próprio, motocicleta e outras amenidades tecnológicas; porém a maior parte dos nossos índios passa fome, morre cedo, sacrifica crianças com deficiências e acabam com a nossa fauna por não ter o que comer. Isso sem falar na exploração das florestas por madeireiros clandestinos e no garimpo em terras indígenas totalmente sem controle.
Hoje nos Estados Unidos, como exemplo de uma política indigenista correta e sem protecionismo estatal, o índio americano mantém suas tradições em festivais folclóricos e museus. Foram, em sua grande maioria, absorvidos pela sociedade, mantendo um padrão de vida equiparável à classe média norte-americana com acesso a todas as modernidades que o mundo contemporâneo oferece.
O processo de aculturação é longo e a integração dessa população não se faz de uma hora para outra. No meu entender, muitos anos se passarão para que essa parcela de brasileiros venha a se integrar à sociedade, mesmo com a implantação de um planejamento e uma política de integração séria visando torná-la produtiva e principalmente respeitada em seus direitos e deveres como qualquer cidadão.
Enquanto o governo não deixar de lado sua postura protecionista e segregativa para resgatar os índios da ignorância e do atraso cultural a que foram submetidos desde a descoberta do Brasil e integrá-los à sociedade, eles continuarão morrendo, seja em suas tribos ou tentando fugir de uma realidade que já não tem razão de ser e que, quando conseguem sobreviver, acabam caindo na marginalidade por falta de condições de sobrevivência no mundo moderno. É preciso mudar essa mentalidade pois, pelo que eu saiba, o nosso Pais é um dos poucos que ainda insiste em manter grandes áreas de seu território como um grande zoológico humano.
Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.


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