Alonso de Oliveira
Quando o político de plantão em algum cargo executivo sabe
de menos, precisa se cercar de pessoas capazes de supri-lo em seus afazeres.
O presidente da República que sabe menos, sobretudo, que não
sabe ouvir vaias, entrementes, avalia que Deus é perfeito por ter dado
duas orelhas ao homem: uma para ouvir elogios e outra para ouvir vaias.
Tamanha jactância... Para não dizer outra coisa. E Deus nos teria
dado só uma boca para não dizermos besteiras. Nisso Lula é
uma pérola só.
Sem saber como enfrentar as ameaças de caos - propriamente nem ameaças
mais são... - que tanto o atormentam, mata o tempo defendendo e blindando
a ‘tchurma’ do PT incrustada no poder: a última novidade
agora é culpar o piloto do avião pelo choque do Aírbus
contra o prédio da Tam Express. Morto, não poderá se
defender... Viajando a esmo, de lá para cá, com toda a sua trupe,
queima o dinheiro que arrecada com impostos sem fim e viaja a lugares onde
há uma claque organizada só para aplaudi-lo.
Dizem os entendidos que o brasileiro trabalha seis meses de graça para
o governo pagando impostos, sem receber a contraprestação na
forma de saúde, habitação, transportes, educação
e tantas outras coisas mais. Se a economia vai bem - quer dizer, o governo
arrecada bastante - não é por mérito da equipe econômica
governamental, mas é por que está entremeada por outras economias
bem-sucedidas que vão muito bem e impulsionam a brasileira.
É o mesmo resultado do freio de ajuste dos coletivos urbanos das grandes
cidades. Quando não cabe mais ninguém, o motorista breca bruscamente
o veículo e a massa fica bem compactada como sardinhas na lata. Todos
se ajeitam para caber mais um. Diferente dos políticos que se ajeitam
na boa, à beira de piscinas de hotéis de luxo, em remansos litorâneos,
com dinheiro pago pelo contribuinte, onde decidem a nossa sorte - melhor,
azar - e a sua parte no negócio, pois é isso que o Brasil é
para a cambada política: um grande negócio.
Voltando a Lula, nosso maior presidente da República do etanol que
“este país já teve”, sua última investida
contra Fernando Henrique Cardoso - e a chance de ficar calado - lhe rendera
o costumeiro bordão que o deixara de ressaca: dissera que FHC perseguira
sem piedade - coitados - os barões usineiros da cana-de-açúcar
e do álcool. Ao que o ex-presidente, em seu melhor estilo trocista,
sem querer polemizar, mas não perderia a chance de marcar um golaço,
rechaçara: “álcool? Disso Lula entende...”. Entregara-se
de bandeja. E daí, como fica sua assessoria?
Alonso de Oliveira, jornalista, foi secretário de Administração,
coordenador de Recursos Humanos e diretor de Suprimentos da prefeitura de
Americana.
Henrique Matthiesen
O ensino protocolar robustece posições alienantes que não
consenti ao jovem o desenvolvimento de suas potencialidades fecundas, ao mesmo
tempo em que dificulta posições mais contestadoras, buscando
incutir-lhe a visão de planeta da burguesia, oferecendo as veemências
desta como se fosse os de toda coletividade. A educação pública
vem sendo sucateada pelos contínuos governantes. Os ordenados dos professores
estagnaram, desanimando o exercício da docência. A propriedade
da escola degrada-se e não prepara para a existência. Na fantasia
de um ensino melhor um continente de jovens procura nas escolas privadas,
coagidas a pagar altas mensalidades. O sonho de um desenvolvimento superior
é circunscrito a poucos. E a esses poucos resta uma universidade pública
insuficiente de verbas e de autonomia chantageada.Nas universidades privadas,
mesmo pagando caro, somos aglomerados em salas de aula superlotadas.O conhecimento
além de se transformar em objeto é de péssima qualidade
na maior parte dessas instituições.
A armadura de "não há vagas" ou pré condição
da experiência angústia sobre nós, transformando-nos numa
hoste de desempregados, exatamente no período em que temos maior vitalidade
e necessidade de produzir. Quando alcançamos driblar essas dificuldades,
não nos dão salários honrados nem direitos trabalhistas.
Cada vez mais meninos trabalham, o que aferi ao Brasil o troféu mundial
em abuso de mão de alvitre infantil.
A maior parte dos jovens tem ingresso restrito ao que é produzido no
mundo das artes. O cinema e o teatro são praticamente impenetráveis.
A literatura faz parte de um mundo longínquo. As artes plásticas
existem na frieza das galerias. Os jovens artistas vêem abreviando seu
ambiente para produção cultural. As rádios FM privilegiam
musicas estrangeiras ou as nacionais pasteurizadas, sem vez para as inovações.
Os anfiteatros e as salas de contemplação não estão
ao nosso alcance.
No campo, a probabilidade de possuirmos uma porção de terra
para plantio é resumida por um jazigo, onde somos sepultados por pelejar
pela reforma agrária e pela integridade. Logo cedo estamos trabalhando,
às vezes com menos de 10 anos, e sem tempo para a escola o que arduamente
existe. Muito de nós somos prisioneiros nos latifúndios pelo
Brasil afora. Também participamos do exercito de bóias frias,
cortando cana e lavrando terra de outrem.
Muitos dos nossos, enclausurados para dentro, imergem na densa solidão,
sem outra passagem senão essa viagem para dentro, imerge no mundo do
alcoolismo e das drogas pesadas. A policia os aborda como bandidos enfiando-os
na cana sem instituir diferença entre o usuário "doente"
e traficantes.
Capitalismo tem o discernimento como marca. Os negros são tratados
como fulanos de segunda casta. Os índios massacrados pelos tecnocratas,
são considerados estorvo para a civilização. A mulher
é tratada como artefato ou como ser vassalo ao homem.
Nas grandes cidades é quase impraticável viver por pretexto
de seu crescimento caótico e da poluição cada vez mais
sufocante. Nossos rios e praias estão cada vez mais imundos e sem condições
de banho e trégua.
Uma parcela cada vez maio de jovens vem habitando ruas e viadutos das metrópoles
sem a mínima esperança de vindouro e sem contato com suas famílias
Esperando nas filas das instituições de "reeducação"
ou vulneráveis ao extermínio cometidos por policiais e facções
armados ou meramente pela insensibilidade de todos.
Henrique Matthiesen é colaborador
email: editor@diariosbo.com.br