
Meu pai era fumante inveterado. Lutava para se livrar dessa dependência, mas era difícil de se conseguir, todos sabemos. Contudo, impediu que seus filhos ingressassem no vicio, proibindo energicamente qualquer manifestação nossa de querer fumar. Dizia ele, quando nos pilhava enrolando papel de jornal e ascendendo o pseudocigarro: “Não façam isto nem por brincadeira”. Reagiamos, afirmando que ele estampava na face um prazo especial ao fumar, ao que respondia : “Praz efêmero, escondendo tão grandes malefícios que jamais desejaria aos filhos”. Quando deixou de fumar, o enfisema, doença tão terrível, adquirida do tabaco, já tomava conta dele. Se todos os pais, mesmo fumantes, agissem como o meu, uma boa porção da humanidade estaria hoje livre desse terrível vício.
Wilma L. Braga