Oswaldo Vicentin
Domingo passado como milhões de telespectadores vi Faustão perguntar a algumas de suas bailarinas = o namoro é para ficar ou para casar? Somente duas delas responderam que o objetivo era casar! Isso me fez lembrar o sentido da palavra casamento antigamente, ainda na minha infância lá pelos lados do Bairro do Santo Antonio do Sapezeiro. Meu avô tinha um sítio e uma "baita" de uma casa, e por isso era chamada de casarão. A família italiana era numerosa. Eu era muito apegado com minhas tias. O namoro delas era rigorosamente dentro de casa, e não tinha esse "negocio" de "FICAR".. Nem pensar (bom... pensar podia...). A mulher não podia ter vários namorados como as atrizes de TV, sob pena de ser chamada de namoradeira, vulgar, e até de "biscate". Mama mia! Formidável era quando uma das minhas tias pronunciava a palavra CASAMENTO! Era sinal de que estava marcado, sacramentado. Tudo era um "mar de rosas" principalmente porque significava uma libertação da mulher, o sonho de ser vestida de noiva; e a esperança de um novo caminho e a "lua de mel". A lua de mel era realizada no "casarão" onde não havia forro.Portanto os "calientes" gemidos e sussuros tinham que ser bem "baixinhos" pois todo mundo estava de "botuca"! Todavia tinha namoro as escondidas; na lavoura, entre pés de cafés, milho, matos e regatos. Se houvesse flagrante ou qualquer ato contra a dignidade da família o resultado era casamento, ou conseqüências trágicas. Exemplo disso meu avô contou um fato acontecido:
Lá perto do bairro havia um baita de um italiano de nome Gerónimo apelidado Gê-Peitudo. O dito cujo tinha cabelos compridos, tórax dilatado, mãos grandes, estatura de dois metros. Caramba! Dava para lembrar Tarzam ou o Sansão da Dalila (Bíblia). Certo dia o Gê-Peitudo chamou sua mulher Joana, e disse: ....
- Joaninha, que tá acontecendo com nossa "fiola" a Margarida? Me parece que ela tá =engordando, Dio belo!
- Io (eu) ia te conta, má tava com medo. Alora (agora) conto = ela ta grávida!
Mama mia, nom me fale uma coisa dessa. E quem fez mar pra ela?
- Foi o Genaro, nossso visinho fio do Bepe...disse Joana.
- Si é vero (verdade) Genaro vai ter que casar. Porco cane!!
- Mas ele num quer casar, e anda escondido, disse Joana.
- Mas como assim? Pois veremos quelo (aquele) safado, capice?
- Em seguida Gerónimo gritou... Gustavo, arreie os cavalos. Ao mesmo tempo apanhou a velha espingarda que estava em cima do guarda roupa, limpou e carregou de chumbo..
Não demorou muito o bravo Gerónimo ( o Ge-Peitudo) estava na frente da casa do sr, Bepe.
- Como vai Geronimo ? Disse Bepe.
- No vá bene nó, (não vai bem não). Cadê o Genaro? Disse Gerónimo.
- Genaroooooo gritou Bepe, viene quá adesso (venha aqui agora).
- Chegou Genaro amendrotado, na frente daquele baita homem e foi logo perguntando..
- Que passa signore Gerônimo?
- Você engravidô minha filha. E alora (agora) cossa fare ( que vai fazer?
- Mama mia signore Gerónimo, Io (eu) só parlei (falei) com ela treis vezes lá perto do pé de café!!.
- Nom (não) seu moleque, você conversou si e tambem Rolô com ela embaixo do pé de café copado,capice? Ela tá esperando um bambino e disse que você é o pai, capice?
- Nisso, Gerónimo empunhando a espingarda e quase encostando no nariz de Genaro falou - então como vai FICAR? VAI OU NÃO VAI CASAR?....
- Bene (bom) Madona Mia disse Genaro, si for assim io (eu) caso..............
Não demorou dois meses estavam casados. Pudera Mama-Mia!
Naquele tempo as famílias zelavam pela honra, em vista disso tinham medo de que qualquer mancha da imoralidade viesse atingir o lar. Principalmente por que não queriam passar vergonha perante a comunidade ou sociedade. Contudo cada época tem a medida de seus valores. Muito embora a época atual seja diferente onde a liberdade é total, felizmente ainda existe grande parte de famílias que primam pelo maior respeito. Mesmo porque caso contrário daqui a pouco não existirão mais famílias. Hoje a espingarda está aposentada no que se refere a certas finalidades, capicem? Pois a julgar pelo andar da carruagem, nem com metralhadora daria para resolver ou segurar a juventude atual em suas intenções. Intenções diga-se de passagem cada vez mais audaciosas e inconseqüentes, e sem estruturas. Mas se pudesse voltar a minha juventude e me afeiçoasse profundamente por uma jovem, confesso que lhe levaria um BUQUÊ DE FLORES, e adoraria se ela me dissesse: quero FICAR SIM, mas com você para sempre. Uau! E da série "coisas boas da vida" samba no pé, batida de goteira na latinha, galo cantando de madrugada, alô, alô, amigo Angolini e pessoal do Arquivo Histórico da Fundação Romi, RECORDAR É VIVER, obrigado, aquele abraço, e antecipadamente um FELIZ NATAL e UM PRÓSPERO ANO DE 2008!
Oswaldo Vicentin, colaborador
Osvaldo Luiz
O cristão é constantemente chamado a proclamar a esperança. O papa Bento XVI, após a essência da caridade, anunciará, neste domingo, o que o mundo, muitas vezes renunciando à fé, já não consegue ter. Esperança.
Não é fácil esperar algo de bom com tantos conflitos, guerras declaradas e maquiadas com o título de violência urbana. Como acreditar no futuro, quando o egoísmo humano, em alta, se mostra incapaz de dividir o que é presente de Deus com tantos que hoje passam por todo tipo de privação? Com nossa ganância sem freios, estamos matando a "galinha dos ovos de ouro" - nosso planeta Terra - e privando nossos filhos e netos de sua herança.
Nesse ponto é que entra aquele que é configurado em Cristo. Ele só pode anunciar uma boa nova. Seus olhos não ignoram o mal que cresce ao redor, mas possuem profundidade suficiente para alcançar um horizonte, em que o bem sempre vence. Usa uma lente especial para se proteger da cegueira atual. Essa lente é composta por um elemento simples, porém, fundamental: fé. É a fé que produz esperança. Como diz filosoficamente o apóstolo Paulo, "ver o objeto de esperança já não é esperança".
Não é nada fácil revelar a esperança. Nossos sensores captam mais fortemente o desânimo e o pessimismo. Na euforia de buscar soluções, deixamos que elas escapem de nossas mãos. Fundamental, então, a paciência. Alguns dirão que estamos lunáticos, fora da realidade. Poderemos até ser vítimas de zombaria. Lá no fundo, entretanto, todos aguardam o anúncio. "A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus", diz o anúncio de Bento XVI, confirmando que somos "Salvos graças à Esperança".
Osvaldo Luiz é jornalista da TV Canção Nova e apresentador do programa "Tarde Especial" da Rádio Canção Nova (http://blog.cancaonova.com/osvaldoluiz/) (www.cancaonova.com
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