Marcos Cintra
A cidade de São Paulo pode ser classificada como o principal "motor" da economia paulista, uma vez que, em relação ao valor agregado gerado no Estado, seu setor de serviços contribui com mais de 60% e a indústria com mais de 39%. O município representa cerca de 30% do PIB estadual e 15% das exportações paulistas.
Ações visando tornar a economia paulistana mais eficiente implicam em benefícios que podem se propagar pela economia do Estado. Hoje essa eficiência está cada vez mais comprometida por causa dos congestionamentos que não param de crescer na capital.
Produzir em São Paulo está ficando cada vez mais caro. O tempo perdido no trânsito da cidade gera custos que comprometem a competitividade da produção e a perspectiva é que a situação piore por conta do aumento acelerado da frota no município. Todo mês entram em circulação na capital 30 mil novos veículos e os congestionamentos não param de aumentar e freqüentemente chegam a 200 quilômetros.
A velocidade do avanço do número de veículos em São Paulo impressiona. Entre 1990 e 2006 a frota saltou de 3,4 milhões para 5,6 milhões de unidades, ou seja, enquanto a população cresceu 1,3 milhão de pessoas, a quantidade de novos automóveis, ônibus e caminhões aumentou em 2,2 milhões.
Na primeira metade dos anos 90 a frota na cidade de São Paulo cresceu de forma tão rápida que a prefeitura restringiu a circulação de automóveis. Entre 1990 e 1995 o número de veículos rodando pelos 16 mil quilômetros de vias paulistanas cresceu mais de 1,1 milhão de unidades e a média de congestionamento durante o rush da tarde ultrapassou a marca dos 120 quilômetros, o que levou a criação do rodízio.
Ao longo dos mais de 10 anos de rodízio em São Paulo a frota seguiu aumentando por conta da expansão da indústria automobilística e da maior renda dos consumidores. Mesmo crescendo numa velocidade menor em relação ao período anterior ao rodízio o maior número de carros em circulação somado à carência de investimentos em infra-estrutura viária e transporte coletivo foram fatores determinantes para o aumento contínuo dos congestionamentos. Entre 1997 e 2007 a extensão média deles saltou de 65 para 85 quilômetros pela manhã e de 108 para 120 quilômetros durante à tarde/noite.
Investir em metrô é uma ação sempre lembrada como a solução para o problema. Porém, isso exige um volume de recursos que o país não dispõe de imediato. O custo do quilômetro do metrô estaria entre R$ 90 milhões e R$ 180 milhões.
Esperar até que recursos surjam não é a ação mais indicada. A saída seria investir no aumento da fluidez do trânsito através da revascularização da malha viária, o que favoreceria o ambiente de negócios na principal economia do Estado por conta do custo menor de logística que isso acarretaria.
Ao reduzir custo para as empresas, tanto para as que operam na cidade como para as que produzem em outros locais, mas comercializam seus produtos na capital, a revascularização das vias teria efeito benéfico para toda a economia do Estado. Ademais, seria um paliativo até que o sistema de transporte metroviário pudesse atender, em termos quantitativo e qualitativo, as necessidades de circulação na cidade.
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.
Rafael Villac
Vicente de Carvalho
Sem dúvida o país hoje atravessa um momento único em sua história, onde a economia estável tem trazido avanços ao setor produtivo, o que, contudo, ainda não se refletiu da mesma forma na distribuição de renda da população em geral.
O cenário atual tem como fonte principal a estabilidade econômica mundial e a prosperidade de seu desenvolvimento, após sucessivas crises, entre as quais podemos citar a crise russa, dos tigres asiáticos e do estouro da bolha das empresas de internet nos Estados Unidos e, agora, a crise do setor imobiliário americano.
O Brasil passou, ao longo dos últimos anos, de economia exportadora de matéria-prima e importadora de produtos industrializados, para economia produtiva de bens com tecnologia de ponta em alguns setores, como o aeronáutico, energia e mineração, onde Embraer, Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce são seus maiores expoentes.
O país, apesar de ter conseguido atingir local de destaque em tais segmentos de tecnologia de ponta, não deixou de se desenvolver nos setores tradicionais de suporte de sua economia.
Exemplo é o setor de produção agrícola, onde o país, com pouca expansão da área cultivável, em razão da constante e importante preocupação ambiental, vem batendo recordes de safra e vem consolidando sua posição como principal abastecedor global de alimentos. Isso num momento tão importante, onde China e Índia têm uma demanda cada dia maior por tais produtos, em conseqüência da maior capacidade de suas populações em ter acesso à alimentação.
E o crescimento do país, nesses campos, seja de alta tecnologia, seja de produtos agrícolas, tem se refletido na demanda por serviços jurídicos especializados.
Cada vez mais, empresas multinacionais com interesses no Brasil exigem que seu corpo jurídico tenha uma visão globalizada de mercado, conhecimentos específicos dos temas relativos aos investimentos e relações comerciais internacionais, além de bases de apoio locais, de preferência nos grandes centros financeiros mundiais, onde, normalmente, tais transações são formalizadas.
Apesar do crescimento e estabilidade econômica do país ainda estarem longe do ideal, tais fatores, entretanto, já surtem efeito dentro do universo jurídico, o que tem se retratado pela demanda por bons profissionais do direito, altamente qualificados, para assessorarem seus clientes no mercado global, com conhecimentos em áreas que antes não faziam parte do direito tradicionalmente, como economia e finanças.
Porém, a expectativa das empresas com relação aos advogados brasileiros que contratam atingiu, também, um patamar global de exigência. O que se espera dos advogados é a mesma competência e conhecimento que, ao longo dos anos, vem sendo mostrada por advogados internacionais, que, por sua alta qualificação e capacitação, muito contribuíram e têm contribuído para a expansão da economia global.
O Brasil só poderá demonstrar, no curto prazo, que está preparado para crescer como economia global, se seus advogados estiverem preparados para o exercício de sua função com conhecimento geral do que ocorre no mercado interno e global, agregando tais características com o conhecimento, em profundidade, do negócio de seu cliente.
Rafael Villac Vicente de Carvalho é advogado da área empresarial e representante do escritório Peixoto e Cury Advogados em Nova York
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