Marcos Cintra
Melhorar a fluidez do trânsito em São Paulo teria efeito positivo para toda a economia paulista e brasileira. A cidade participa com 30% de tudo que é produzido no Estado que, por sua vez, responde por mais de um terço do PIB nacional.
Investir em melhores condições de circulação de carga e de pessoas na cidade de São Paulo proporcionaria maior competitividade ao setor produtivo em geral. Hoje o tempo e o dinheiro gastos nos congestionamentos impõem elevados custos às empresas.
Sobrevoando a cidade de São Paulo é possível verificar que os congestionamentos se concentram nas grandes vias arteriais e em seus acessos, ao passo que o restante do leito carroçável fica quase sem fluxo de veículos, mesmo nos horários de pico. A perversa lógica viária arrasta os motoristas para essas artérias através de um complexo sistema de mão e contramão, bloqueios de vias e redes de semáforos que privilegiam as grandes correntes de tráfego.
Essa concepção viária induz à construção dos megaprojetos de vias arteriais como os de gigantescos túneis, avenidas, viadutos e pontes. Essas grandes obras tem-se revelado inúteis, pois apenas deslocam os congestionamentos para alguns metros adiante.
Vale uma comparação de São Paulo com a ilha de Manhattan, em Nova York. Na capital paulista são 1509 km2, por onde circulam quase 6 milhões de veículos, ou seja, cerca de 4 mil veículos por km2. Em Manhattan, com área de 87,5 km2 circulam 1,9 milhão de veículos, ou 22 mil carros por km2. Mesmo tendo uma densidade de veículos 4,5 vezes maior, os congestionamentos lá são bem menos intensos. Os veículos ocupam de maneira mais ou menos homogênea toda as vias da ilha, fazendo o trânsito fluir por toda a superfície com maior velocidade.
Essa comparação mostra que a revascularização do trânsito em São Paulo, fazendo-o fluir por um número maior de vias, deveria ser a diretriz a ser seguida em curto prazo. O sistema arterial concentrador não funciona mais.
O modelo arterial demanda investimentos pesados em grandes obras viárias, como a ponte estaiada da Berrini (R$ 230 milhões) e os túneis Jânio Quadros (R$ 1,2 bilhão), Ayrton Senna (R$ 1,02 bilhão) e Rebouças (R$ 121 milhões) e Faria Lima (R$ 97 milhões), apenas para citar as mais conhecidas. Com os mesmos recursos teria sido possível revascularizar o trânsito construindo 88 novas pontes de porte médio, com seis vias cada uma, ao custo unitário de R$ 30 milhões. Seriam criadas 528 novas pistas em pontes que atravessariam os rios Pinheiros e Tietê a cada 500 metros, complementando as atuais 30, que viraram grandes pontos de estrangulamento.
O objetivo deve ser o de revascularizar o trânsito na maior economia do país. Em vez de grandes obras, bastaria um conjunto de obras menores por todos os pontos críticos da cidade de forma a criar um sistema integrado de circulação paralela às grandes artérias.
A médio prazo se estaria criando uma malha de vias reticulares por toda a cidade, desconcentrando fluxos de veículos, retirando-os das artérias entupidas e aproveitando melhor cada metro quadrado dos 16 mil quilômetros de vias de São Paulo. Isso favoreceria o ambiente de negócios no município, com reflexos positivos para a economia do país.
Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.
Chico Sardelli
São Paulo é um Estado que se destaca no cenário brasileiro, seja pelo espírito ordeiro e trabalhador de sua gente, pela competência e dinamismo de seus governantes ou ainda pela solidez de sua economia e grandeza de seu desenvolvimento. Para entender esse Estado/Nação em todo seu gigantismo, em toda a sua magnitude, é preciso conhecer também um pouco da história dos homens que constroem essa grandeza.
Entre essas pessoas está o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, um brasileiro e paulista cuja ação persistente e corajosa tem colaborado, de maneira destacada, para fazer girar as engrenagens da nossa economia, traduzindo desenvolvimento em geração de empregos e renda para o nosso povo.
O jornal "O Estado de São Paulo", com sua independência e profissionalismo, publicou recentemente a polêmica entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Fiesp, a respeito da renovação da CPMF, que acabou sendo rejeitada na madrugada de quinta-feira pelo Senado Federal. O ministro criticou, inclusive, a campanha em que a Fiesp participou contra a renovação do imposto do cheque, questionando até a representatividade de Paulo Skaf para falar em nome da indústria paulista.
Com argumentos bem fundamentados, o dirigente da maior federação industrial do País liquidou as alegações do ministro a favor da renovação da CPMF e ainda se permitiu lembrar ao governo, com muita pertinência, a diferença entre política industrial, um assunto de interesse público, e favores barganhados em mesas de negociação. Quanto à representatividade, Paulo Skaf lembrou ter sido reeleito para o comando da federação e eleito para a presidência do Ciesp com 99,5% dos votos. Além disso, recordou, a campanha contra o imposto do cheque foi decidida não só pela Fiesp, mas por quase três centenas de entidades empresariais e de outros setores da sociedade civil.
Considero como lamentável a atitude e as colocações do ministro Mantega em relação ao presidente da Fiesp, um homem adiante de seu tempo, que sempre lutou em defesa das nossas indústrias. Por sua clareza de idéias, percepção aguçada e, ao mesmo tempo, a firmeza com que defende suas convicções, Paulo Skaf é uma liderança respeitada e reconhecida em todo o nosso país. O Brasil carece de pessoas que sejam firmes em suas posições, assim como de líderes em diversos setores.
Pelas dificuldades que as indústrias de diferentes áreas de atividade atravessam ultimamente, é certa a necessidade do apoio de forças políticas, mas da mesma forma é preciso contar com a expressão da força e do dinamismo da indústria paulista, representada pelo senhor Paulo Skaf.
Um homem consciente de seu papel na sociedade. Uma liderança que, muito além da presidência da Fiesp ou das fronteiras do Estado de São Paulo, trabalha, incessantemente, pela grandeza e pelo desenvolvimento do nosso País.
Chico Sardelli é deputado estadual pelo Partido Verde, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil e de Confecções
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