Família: projeto de Deus

Pe. José Augusto

Em 28 de dezembro comemoramos o dia da Sagrada Família. A família é um projeto de Deus, não um projeto humano. Quando retornamos para a nossa casa, precisamos encontrar essa família na figura do pai, da mãe e do filho. Muitos casais, infelizmente, não têm consciência de que foram criados por Deus. Por isso, fazem seus projetos humanos sem incluir Deus em suas vidas.
Se você não está consciente de que Deus o criou por amor, não está pronto para casar. Sim, porque se você foi criado por Deus, Ele te criou para uma finalidade. Uma das coisas mais lindas é que Deus nos criou não para vivermos só. A Sagrada Escritura mostra que Deus não quis que o homem ficasse sozinho. Deus tem como projeto que homem e mulher estejam juntos.

Família é missão, é vocação, tanto que ninguém se casa por medo de ficar sozinho. Você não tem que ser casado para não ser sozinho. Como sacerdote, eu não estou sozinho. Estou rodeado de pessoas o tempo todo. Você também nunca vai estar sozinho.
Deus chamou José e Maria, e Deus não chama um casal para não ter filhos, muito pelo contrário. É projeto de Deus que o casal tenha filhos, lembrando que pode uma esterilidade da parte de um dos dois. Os filhos são a finalidade do casamento. Casar para continuar vivendo sozinho, ah... isso não; não é isso o que Deus quer de vocês.

Algumas pessoas que não têm filhos, costumam ter a companhia de gatos ou cachorros. Às vezes, cuidam do animal de estimação, andando com o bichinho para lá e para cá, com toda paciência do mundo - enquanto não têm paciência de cuidar de um filho que Deus quer entregar a seus cuidados. É o marido de um lado, a esposa do outro e o animal de estimação no meio.
Homem e mulher são chamados para realizar o projeto de Deus. É preciso passar por uma experiência com Deus, abrir o coração, para saber o que Deus tem para cada um. É necessário passar pela experiência que um dia Maria, apesar de estar noiva de José, viveu também. José era um homem de bem, mas tinha dúvidas. O casal não pode desconfiar um do outro. Como você quer se casar com uma pessoa de quem você desconfia?
Qual é forma de não se desconfiar um do outro? É ter uma vida de oração. O anjo, em sonho, tirou todas as dúvidas de José tinha. Se você também duvida do seu cônjuge, peça a Deus para que ele coloque a certeza no seu coração. É para isso é que existe o tempo de namoro, o noivado. É necessário um tempo de conhecimento.

Maria e José percorreram esse caminho. O anjo do Senhor veio tirar todas as dúvidas do coração de José, pois Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Deus quis que José fosse a representação dEle aqui na terra com a finalidade de ter filhos.
Agradeça sempre: "Obrigado, Senhor, pelos meus filhos!" Os filhos serão sempre uma bênção. Ainda que você seja aquele filho que deu muito trabalho a seus pais, você é uma bênção, porque Deus te deu a seus pais; Deus te quis.
Os pais ficam planejando o futuro dos filhos antes mesmo de a criança nascer. Permita que o seu filho seja aquilo que Deus escolheu para ele. Quando você for rezar, diga: "Senhor, que meu filho cresça na graça diante de Deus".
Com os braços erguidos agradeçamos a Deus pela nossa família. Que em nossa casa haja um ambiente de perdão. Peçamos a presença de Jesus, Maria e José para a nossa família. Sempre.
Pe. José Augusto é sacerdote da Canção Nova.


Derrota feita só de espertezas

Antonio Carlos Pannunzio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu, na madrugada desta quinta-feira, a maior derrota parlamentar de seu governo, ao não conseguir, do Senado, votos suficientes para prorrogar a cobrança da CPMF até 2010.
O insucesso deveu-se menos ao fracasso do Executivo na tentativa de arrebanhar votos da oposição e mais ao insucesso em obter respaldo firme da sua própria base. Os votos negados à PEC da CPMF por senadores teoricamente incluídos no campo governista, principalmente do PMDB, foram decisivos para que não se alcançasse os 49 sufrágios favoráveis, indispensáveis à sua aprovação.
A falta de apoio suficiente em sua própria base fora constatada há bastante tempo. O governo poderia havê-la sanado mediante uma negociação séria e objetiva com a oposição, que a isso nunca se negou. Preferiu, no entanto, construir uma via de contorno, pavimentada de espertezas que, por fim, o levou ao atoleiro da rejeição e da derrota.

Quando parecia que nada mais mudaria a derrota anunciada, o líder Romero Jucá assomou à tribuna trazendo consigo duas cartas.
Uma, dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Institucionais, José Múcio, segundo a leitura que dela fazia, destinava toda a arrecadação da CPMF à saúde. Outra, do presidente, endossava a primeira.
O fato, supostamente novo, motivou um apelo dramático do senador Pedro Simon (PMDB/RS) para que a votação fosse adiada, a fim de propiciar uma leitura da nova proposta. Mas, logo a seguir, o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) demonstrava que se tratava apenas de uma esperteza a mais do Planalto. A carta de Mantega e Múcio nada tinha da objetividade anunciada por Jucá e que, por momentos, galvanizara o Senado.
Didático, o episódio coloca, para Executivo e Legislativo, a necessidade de um exame objetivo das contas públicas. Sem os recursos que adviriam do tributo cuja cobrança está em vias de expirar, não será possível fechar o orçamento de 2008 e cria-se um clima de incerteza sobre as contas públicas capaz de afetar toda a economia.

Resta saber se, premido pelas circunstâncias, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afinal entenderá que não lhe é mais possível usar a esperteza como sucedâneo barato da negociação objetiva e transparente.
Antonio Carlos Pannunzio, Deputado federal, líder do PSDB na Câmara.


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