É Natal, e daí ?

Eide Froner

Eu devia estar contente porque o mês é de dezembro e novamente as pessoas vão me desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Eu devia estar contente porque eu tenho o meu emprego e ganho o suficiente pra manter a minha família, mas eu fico preocupado com aquele outro pai de família que perdeu o seu emprego e que nada vai ter pra dar nesse Natal à sua família.
Eu devia estar contente porque eu sou do tipo do cidadão que acha que tudo tem que ser de acordo com a Lei, mas eu me revolto quando vejo que a Lei só pega os pobrezinhos e inocenta os grandalhões.
Eu devia estar feliz porque o mês é de3 dezembro e outra vez as pessoas vão sorrir para mim e dizer: Feliz Natal!
E eu pergunto, como pode ser Feliz o meu Natal se um meu irmão matou barbaramente um outro irmão meu, um menino arrastando-o até o fim?

Eu devia estar muito chateado porque o ano está acabando e as férias também e as festas todas, mas eu tenho que acreditar que amanhã tudo vai voltar ao normal e o Novo Ano começa com força total.
Eu devia estar feliz porque é tempo de Natal e todo mundo vai brincar de ser legal outra vez, mas aí eu lembro do Presidente e do Congresso Nacional e dá uma baita tristeza sem fim.
Eu devia estar contente porque eu vou no zoológico e vejo o macaco comendo pipoca e dou graças a Deus, porque não sou eu o macaco lá dentro da toca.
Eu de via estar decepcionado porque até a música do inteligente e irreverente Raul Seixas foi usada indevidamente por alguém que se orgulha de não ter estudado e talvez por isso mesmo tenha cometido essa tolice.
Eu devia estar muito preocupado com o rumo da Educação, porque vejo que quem tem o poder de mudar isso, brada orgulhosamente que nunca freqüentou uma Faculdade, e talvez por isso não se preocupe em melhorar o nosso índice que é um dos piores do mundo.

Eu devia estar revoltado porque eu vejo “homens” barbudos e “homens” barbeados roubando montes de dinheiro da população e com a maior cara de pau dizem que são inocentes.
Eu devia estar enojado com a atitude pequena, miúda, de certos bandidos fazendo papel de políticos, falando uma coisa na tribuna e as escondidas fazendo outra.
Mas eu não sei, ainda tenho fé, porque essa “gente” também vai morrer e também terão que prestar contas, e ai como é que fica me conta? Porque DEUS não é negociante, ELE não vai aceitar a tal comissão pra ajeitar as coisas, então a justiça será feita.

Eu devia estar muito aborrecido porque no Pará um Estado brasileiro, em pleno século 21, a Governadora, uma juíza, a delegada, a secretária de segurança, trancaram na cela com vários homens por 26 dias, uma jovem franzina de 15 anos, pense se fosse uma irmãzinha sua?
Eu devia estar P da vida porque contrariando o que Cristo disse:”Deixai vir a mim as criancinhas...”, um meu semelhante, arrastou até a morte o pequeno João Vitor, e daqui a pouco esse exterminador vai estar solto nas ruas.
Eu devia estar com azia de tanta abobrinha que ouço do presidente, mas sei que como diz o ditado o peixe morre pela boca, e como não há mal que sempre dure nem Lula que não se acabe, espero mesmo que DEUS seja brasileiro, e que possa mostrar à esses gringos travestidos de brasileiros que “um filho teu não foge a luta.”
Mas eu não sei, me espelho muito naquele que podendo mais que todos, morreu pregado num tronco de madeira com força para renascer outra vez, confio na sua justiça, sou discípulo da sua humildade e creio na sua palavra.
Há mais de 2000 anos atrás, um homem simples, humilde, de barba comprida, nos pés uma sandália de couro e no corpo uma veste rústica, que nasceu numa manjedoura para dar ao mundo a lição do amor, de que o homem pode nascer em qualquer berço e ter a força de amar toda a humanidade.
É Natal e daí?
E daí, aproveite sua vida e seu tempo para ser feliz.
É Natal, aproveite, não deixe para o Ano que vem a felicidade que você pode ter ainda nesse ano.
Eide Froner, um cidadão brasileiro.


Fim de ano

Juarez Alvarenga

O ano chega no seu final e as pessoas também.É hora da contabilidade vivencial.
O início dos projetos iniciado com o início do ano se corporificou ou evaporaram. Cabe a nós, como protagonistas principais, analisar se foi um ano digno de nossa permanência com saúde ou se foi raquítico devido nossa inércia no seu decorrer.
O tempo é fragmentos que constroem nossa maturidade.É capaz de nos moldar, penetrando em nosso figurino com exatidão.Jogar no espaço nossos projetos com inteligência é ter certeza que o tempo nos irá premiar com suas realizações.
Antes que a magia do final de ano nos contamina é necessários saber se avançamos ou retrocedemos com nossos objetivos.
Sabemos que todo início é defeituoso e frágil.Por isto sua camuflagem como embrião retido por uma camada resistente. Somente nossa força intima, juntamente com ousadia, será capaz de abortar.E depois de abortado teremos a oportunidade, com o nascer do sol, ver nossa obra aproximar cada vez mais da realidade.
A timidez do início de nossos projetos como também com o sacrifício que o meio dos projetos exigem só resultará em plena realização com avançar do tempo.

O presente de fim de ano vem de acordo com nossa idade.Na infância ganhamos brinquedos; na adolescência, sonhos e finalmente, na maturidade independência para nos libertamos dos problemas que a vida nos impõe.Isto não deve confundir com nossa visão existencial.A infância e adolescência são peças fundamentais para o fechamento com êxito fabricado na maturidade. Como duas colunas fortificadas, são capaz com sonhos e inocências erguerem nossos castelos psicológicos com sustentação sólidas.E nossa morada intima hospedar a felicidade, definitivamente.

Fim de ano programamos viagem para compras de fim de ano nas cidades pólos que nos cercam. Aqui é Varginha. Perambulando pela principal Avenida de Varginha encontro um pedestre coqueirense.De roupa nova e com um semblante de quem está aliviado da rotina, vejo a transmutação. Do cotidiano marcado por uma vida tosca a abrandura transformadora proporcionada pela magia natalícia; o conterrâneo se sente contaminado pela a imensidão da alegria momentânea.A vida real se transforma em vida aparente.Da realidade cotidiana a magia do fim de ano.Seus sonhos retidos pelos fracassos fazem do forasteiro coqueirense o direito de ter alternância em sua vida.

Sempre aprendir a ser intimo de mim mesmo.Buscar meus objetivos nas entranhas da subjetividade derivada de minha singular alma.Ser contaminado pela magia sem sofrer resistência para sua penetração. Distingo-me do meu conterrâneo, que sobre sua rústica vida enterrou até as magias momentâneas, dificultando qualquer suavidade existencial.

Ao contrário do pedestre coqueirense, que não sentiu a vontade no mundo forasteiro, eu mim sinto forasteiro dentro de meu próprio mundo nativo.A suavidade da vida para mim é permanente, e seus grotescos problemas que são transitórios como a atmosfera das cidades estranhas.
Desejo não só um ano novo, mas também uma vida nova na sua nativa cidade, ou seja, dentro de sua própria realidade.Seja um morador feliz e quando a sensação da magia de fim de ano lhe procurar, sinta-se forasteiro e abra as portas, porque através delas sua permanência nativa será bem mais confortável e tolerável.
Juarez Alvarenga, advogado e escritor.


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