Henrique Matthiesen
Francisco de Goya (1746 - 1828), é um pintor constituído sob a mando do Renascimento, na fase de maior prestígio da pintura espanhola. Os objetos de sua obra são destinados ao coloquial e ao procedimento da coletividade de sua era. Pintou de modo alegre e poético, foi contratado pela Corte Espanhola para pintar a nobreza e daí extraiu sua importância e seu alento. Não obstante, Goya entra para a História como um crítico da coletividade espanhola e contra a aristocracia de época pelos desenhos que apontavam as enfermidades das elites e as selvajarias da guerra.
O momento em que Goya ilustrou estampas em água-forte com tópicos críticos à coletividade e à aristocracia é o período em que já não dependia dos mecenas e podia se anunciar de forma livre e sem as "amarras" da conjuntura política do período. O pintor espanhol era identificado pelo mundo como um grande pintor. Os poderosos leia-se a Igreja, a Monarquia e as elites de sua época (burgueses comerciantes e aristocratas rurais), já não podiam evitar sua expressão.
De forma cáustico e ferino, o pintor espanhol delineou a primeira coletânea de estampas batizadas Os Caprichos, desenhos feitos entre 1797 e 1799. Os principais contextos eram a existência coloquial dos espanhóis. Goya noticia os vícios, os anseios, as deformidades e as incoerências da coletividade e a análise, mesmo dissimulada, ao domínio. Os personagens capitais desta ocasião são as prostitutas, cafetinas, frades, abastados e miseráveis, bruxas e demônios.
Chama a prudência para os desenhos das esplêndidas moças que se apresentam nos riscos do pintor. A feitiçaria, o obscurantismo e a crendice, assuntos tão onerosos para os espanhóis, são escancarados por Goya neste momento. As expressões de Goya remetem a um dito popular ancestral na Espanha que diz: "No creo em las brujas, pero que las hay, las hay!".
O segundo conjunto de desenhos em água-forte de Goya está conexo ao assunto da guerra, extremamente oneroso para a coletividade espanhola. Em desgraça da Guerra, o pintor espanhol expressa a ocupação francesa na Espanha e as barbaridades de lado a lado da subversão. Não se avalia precisamente o período da produção deste conjunto de obras, mas o período que Goya se destina ao assunto deve ter sido a partir de 1810 (com ênfase entre 1814 e 1816). No entanto, a exposição desses desenhos foi crível somente em 1863, 35 anos após a sua morte. Se Goya anuncia-se seus desenhos em vida, seria execrado à morte.
Os desenhos relacionados às desgraças da Guerra são manifestações do drama a que se acometeu a Espanha neste momento. As principais figuras são demonstrações realistas de fuzilamentos, surras, mortes, funerais, estupros, dentre outras cenas próprias de subversão e da conjuntura de inadequações social do momento. Conspícuo de diferentes artistas que divulgavam pelejas gloriosas, guerreiros heróicos e atos de audácia e ousadia, Goya pintou a realidade da guerra.
O terceiro conjunto de desenhos de Goya é designado A Tauromaquia, o ardor e a tradição espanhola pelas touradas. A tauromaquia é a acepção da arte de tourear. São desenhos esplêndidos dos movimentos do toureiro, do touro e do público. O pintor espanhol igualmente desenha os acasos e as mortes de alguns toureiros. A inclinação aos desenhos das touradas são realizados em 1815.
O quarto conjunto de desenhos realizados pelo genial Goya é as satíricas e dissolutas ilustrações batizadas Os Provérbios ou Disparates que representa a fase derradeira de sua produção artística. Seus desenhos são os mais intricados e abrem as portas para o mando das gerações vindouras. O pintor surpreende nas formas e se descola da realidade para a parábola e a mitologia. Seu conjunto de desenhos Disparate Feminino, Sonhos, Disparates e Provérbios são as capitais demonstrações desta fase.
Goya é um vulto magnífico, conseguiu expressar o seu tempo enquanto artista nevrálgico e apto de ratificar todos os dramas, dificuldades e angústias do período de "ouro espanhol". Ao mesmo tempo, foi um vulto libertário, viveu romances conturbados e chegou a ser acusado à Inquisição por ter pintado duas telas, Maja Vestida e Maja Nua, em alusão aos quadros que fez para sua amante, a duquesa de Alba. A elite da época e a Igreja acharam um escândalo pela natureza erótica das pinturas.
Goya desapareceu no dia 15 de abril de 1828, deixou uma marca artística inequívoco, pelos traços revolucionários e pela sua aptidão de indignação e da expressão de seu tempo.
Henrique Matthiesen é colaborador
Prof. Dr. Plínio Vilela
Novembro foi um mês cheio de eventos relacionados à tecnologia e à Educação a Distância (EAD). Aconteceram, quase que simultaneamente, o Encontro Regional de Inclusão Digital, promovido pelo CPqD, a Jornada de Atualização Tecnológica, promovida pela SUCESU-SP, Banco de Marketing e Plano Editorial e o 2º. Encontro CIEE - ABED de Educação a Distância, promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), além do lançamento do Compromisso de Campinas pela Educação, apoiado pela Fundação FEAC - Federação das Entidades Assistenciais de Campinas - , Fundação Odila e Lafayette Álvaro.
É inegável o período de grandes transformações que estamos vivendo, portanto precisamos nos preparar para o futuro. Não vou fazer previsões futuristas, pois sempre corremos o risco de passar por tolos quando o fazemos, mas estamos próximos de romper alguns paradigmas. Um desses paradigmas é o da educação presencial. O modelo de educação deve evoluir, ou avançar, para a educação semi-presencial, e eventualmente não presencial, com foco na construção coletiva e participativa do conhecimento, em qualquer lugar, a qualquer hora. Essa construção será supervisionada, estimulada e avaliada pelo professor.
Na abertura do 2º. CIEE - ABED de Educação a Distância, Paulo Nathanael (Presidente do Conselho Administrativo do CIEE) coloca que é um privilégio viver na era do conhecimento, mas aderir a ela é uma obrigação. Comenta ainda, que essa era do conhecimento é fundamentada no aumento da comunicabilidade humana, por isso discutimos a inclusão digital e os avanços tecnológicos das comunicações. Proclama a morte do livro didático e o crescimento do experimentalismo e da educação permanente. Conclui sua fala, dizendo que o questionamento sobre a validade pedagógica do EAD não passa de uma dúvida infantil!
Fredric Litto, presidente da ABED e ex-coordenador científico da Escola do Futuro da USP, comenta sobre outras quebras de paradigmas. De forma irônica, diz que o papel da legislação na educação deve ser minimizado. Usando suas palavras: "Se a legislação garantisse boa qualidade na educação, o Brasil teria a melhor educação do mundo!" - me falha a habilidade de reproduzir em texto o seu sotaque nova-iorquino... Comenta também, que o modelo baseado em cobrar pelo conteúdo deve deixar de existir. Muitas iniciativas estão sendo criadas para garantir acesso gratuito ao conteúdo. Uma dessas iniciativas é a do MIT - Massachusetts Institute of Technology, que através de um projeto chamado MIT Open Courseware, disponibiliza o material didático de mais de 1700 cursos oferecidos pela instituição, de forma totalmente gratuita. Portanto outros modelos de negócios devem ser criados, focando a atividade das instituições de ensino no fornecimento de serviços apoiados na figura do professor como orientador do processo de aprendizado. Conclui dizendo que a Andragogia, aprendizagem de adultos, está evoluindo para Heutogogia, aprendizagem auto-dirigida, ou seja, com todo o conteúdo disponível o próprio indivíduo deve ser capaz de direcionar o que quer aprender, e quando quer aprender.
Nesse cenário de grandes mudanças e quebras de paradigmas, devemos incentivar nossos filhos a construir o conhecimento de forma participativa, colaborativa, experimental e continuada. Assim lhes abriremos as portas do futuro!
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