Um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan (Estados Unidos) concluiu que existe uma base genética para o reconhecimento de rostos.
O estudo, que será publicado ontem pela revista “Journal of Neuroscience”, foi feito com a ajuda de uma imagem de ressonância magnética funcional (fMRI) em gêmeos, comparando os resultados entre eles.
“Havia um grande debate para saber se o reconhecimento facial é uma função para a qual estamos projetados para sobreviver”, disse em comunicado o professor de psicologia Thad Polk, autor principal do estudo.
A pesquisa consistiu em observar a atividade cerebral dos casais de gêmeos através do fMRI, que mede indiretamente a atividade dos neurônios estimulados. Eles foram expostos a imagens de rostos, casas, cadeiras, palavras inventadas e imagens abstratas de controle. Cada um destes estímulos diferentes provoca determinadas atividades na parte inferior do cérebro.
Os gêmeos deviam apertar um botão quando reconhecessem alguma das figuras. Após os testes, os cientistas compararam o quanto a atividade cerebral entre os irmãos se parecia.
Segundo o estudo, os circuitos do cérebro usados para o reconhecimento de palavras foram semelhantes entre os gêmeos idênticos e entre irmãos bivitelinos.
Isto demonstra que os circuitos neuronais subjacentes para estes estímulos são adquiridos através da experiência e portanto não são inatos nem têm origem biológica.
No entanto, a equipe do professor Polk descobriu que no caso dos rostos os sinais neurológicos foram muito mais parecidos entre gêmeos idênticos que entre irmãos bivitelinos.
Por isso, o estudo concluiu que quando se trata de reconhecer rostos os genes desempenham um papel muito significativo.
“O reconhecimento de rostos é anterior à leitura numa escala evolutiva”, disse Polk. Ele explicou que com o estudo será possível compreender melhor o que é inato ou aprendido.
“São funções que compartilhamos com outras espécies e que fornecem uma clara vantagem na adaptação. É possível que a evolução tenha moldado a resposta cortical aos rostos, mas não aos símbolos como palavras e letras”, acrescentou.
Um estudo realizado por um médico britânico sugere que a dieta das pessoas que viveram durante a Idade Média era mais saudável que a atual.
Segundo a pesquisa, realizada na região rural de Shropshire, no leste da Inglaterra, a dieta medieval, menos gordurosa, rica em verduras e com menos açúcar, era mais saudável para o coração que os alimentos processados e gordurosos consumidos atualmente.
“A dieta, combinada com o volume de trabalho, fazia o homem medieval sofrer menos risco de doenças cardíacas e diabetes que hoje em dia”, afirma o médico Roger Henderson, responsável pela pesquisa.
Segundo o estudo, um camponês medieval comia em média dois pães, 220 gramas de carne ou peixe e quase dois litros de cerveja por dia, o equivalente a cerca de 3,5 a quatro mil calorias. Além disso, a jornada diária de trabalho era de 12 horas, em média.
A Idade Média é definida por historiadores como o período entre 476 e 1453, que segue a Antigüidade e precede a Era Moderna. Henderson afirma que a dieta medieval era ainda mais saudável que a famosa dieta mediterrânea, dos romanos.
Ele explica que, apesar da dieta mediterrânea ser rica em peixe, frutas, grãos, azeite de oliva e vinho tinto, os ricos normalmente cometiam excessos e os pobres nem sempre tinham acesso a estes os alimentos.
Para Henderson, apesar dos hábitos alimentares mais saudáveis, a vida dos camponeses medievais era mais difícil e a expectativa de vida era menor por causa das doenças e epidemias que assolaram o período.
“Naquela época, se alguém passasse dos 30 anos estava bom, mais de 40 já estava bem velho”, afirma. Para Anna Denny, da Fundação Britânica de Nutrição, a pesquisa destaca as mudanças nos hábitos e costumes através dos séculos.
“Hoje em dia, a maioria dos adultos no Reino Unido estão obesos ou acima do peso, mas o consumo de calorias vem diminuindo há décadas”, conclui.
Segundo pesquisadores norte-americanos, menos da metade dos cidadãos com mais de 50 anos já foram submetidos a uma colonoscopia. A colonoscopia é um exame endoscópico que permite a detecção precoce dos tumores do intestino grosso, aumentando as possibilidades de tratamento curativo.
O câncer do intestino grosso, ou cólon, é muito comum em homens e mulheres e causa milhares de morte todos os anos. No Brasil, esses tumores respondem por cerca de 8% das mortes por neoplasias malignas a cada ano.
Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com o diagnóstico precoce. A taxa de sobrevivência das pessoas diagnosticadas e tratadas na fase inicial é de mais de 90% nos primeiros cinco anos. Infelizmente, mesmo nos Estados Unidos, somente 39% doas tumores são descobertos nessa fase.
A colonoscopia faz parte das diretrizes internacionais de prevenção e está indicada em todos os indivíduos acima dos 50 anos de idade. Nos casos de pessoas com história familiar para câncer do intestino, o exame deverá ser realizado mais cedo, a critério do médico que acompanha o paciente.
A colonoscopia que permite a visualização direta de todo o intestino grosso é um dos poucos métodos-diagnóstico que também é terapêutico, já que os pólipos ou pequenos tumores, descobertos durante o procedimento, podem ser retirados de pronto.
A baixa utilização do método de diagnósticos se repete no Brasil, onde o Ministério da Saúde registrou de janeiro a outubro de 2007 a realização de apenas 74 mil colonoscopias, em um universo de mais de 15 milhões de brasileiros acima dos 60 anos. E, desse grupo, 77% foram feitas nas regiões Sul e Sudeste.
Somente com a implementação de políticas de prevenção efetivas e abrangentes poderemos diminuir o impacto dessa doença que mata mais de 10 mil pessoas por ano em nosso país.
Um levantamento feito pelo Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, mostra que, em 9 de cada 10 pacientes que buscam o Serviço de Medicina do Sono do hospital, a causa das noites maldormidas é a maneira de respirar, que atrapalha o sono quando o ar enfrenta dificuldade para chegar ao pulmão. O obstáculo pode estar no nariz ou na garganta. O nariz fica entupido em razão de rinite ou de desvio no septo nasal. No caso da garganta, quando a língua fica relaxada demais ou há excesso de gordura na faringe.
Qualquer que seja o caso, a dificuldade para respirar faz a pessoa acordar várias vezes durante a madrugada. E ela nem sequer se dá conta disso, porque volta a dormir logo em seguida. É o que os médicos chamam de “microdespertar”. Acordando várias vezes, o corpo não descansa como deveria.
“As pessoas chegam aqui pensando que sofrem de insônia, pedindo pílula para dormir. Quase sempre o problema é outro”, explica o pneumologista Maurício da Cunha Bagnato, responsável pelo Serviço de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês. Dos 50 pacientes atendidos pelo ambulatório a cada mês, 45 descobrem que seu problema é respiratório.
Nos casos mais graves de obstrução, a pessoa tem apnéia. Durante alguns segundos, o ar simplesmente não consegue chegar aos pulmões. Um dos sinais da apnéia é o ronco excessivamente alto. A causa para o problema pode ser descoberta por uma polissonografia, um exame que exige que a pessoa durma no hospital, com vários aparelhos ligados ao corpo e uma câmera filmando tudo a madrugada inteira.