No ano em que brasileiros completam duas décadas de pesquisas sobre HIV, cientistas estão tendo de lidar com um novo inimigo aliado do vírus. Um uma série de pesquisas recentes sobre um surto de co-infecção entre Aids e leishmaniose no Brasil (e em países da Europa banhados pelo Mediterrâneo) está mostrando uma interação inesperada entre os dois males.
Apesar de, nos locais estudados, a Aids ser tradicionalmente uma doença mais urbana, e a leishmaniose, mais rural, elas têm se misturado, provocando uma sobreposição das áreas de ocorrência.
“O que temos notado com isso é que uma acaba impulsionando o desenvolvimento da outra”, explica a pesquisadora Alda Maria da Cruz, do Laboratório de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, que estuda o processo no Brasil. Sua equipe trabalha com a hipótese de o parasita Leishmania aumentar a replicação do HIV na célula.
Por outro lado, o sistema imunológico debilitado pela Aids acaba beneficiando o surgimento ou reaparecimento da leishmaniose, em especial da variedade visceral, a forma mais grave da doença, que atinge fígado e medula. De acordo com o Ministério da Saúde, 90% dos casos de leishmaniose visceral resultam em óbito.
A leishmaniose tegumentar, variante mais comum e mais branda da doença, também tem aparecido nos casos de co-infecção. A diferença é que nos pacientes portadores de HIV já medicados, o coquetel anti-retroviral fortalece o sistema imunológico e acaba também abrandando a leishmaniose.
“O problema é que na versão mais grave o coquetel parece não ter muita influência nem de controle nem de prevenção à contaminação com o parasita”, conta a infectologista.
Infecção oportunista
Essa interação é semelhante à que ocorre com outras infecções oportunistas já conhecidas, como a tuberculose. Mas só agora sistemas públicos de saúde e pesquisadores têm observado a leishmaniose desempenhando este papel. Segundo Cruz, o impacto epidemiológico já é tão significativo que a OMS (Organização Mundial da Saúde) cogita introduzir a variante visceral como doença indicadora da Aids.
Isso porque os pesquisadores perceberam que às vezes um paciente só descobre que está infectado com o HIV após desenvolver a leishmaniose.
“São aquelas situações em que a Aids ainda não é sintomática, mas o sistema imunológico da pessoa já está mais fraco e ela acaba pegando a leishmaniose”, afirma. Dados da OMS apontam que nos países onde esta co-infecção é mais freqüente, a leishmaniose é a primeira doença oportunista a aparecer em 60% dos casos.
Há também casos em que o paciente chegou a ter leishmaniose anos antes e tinha sido tratado. Mas ao se infectar com o HIV, a doença volta a explodir.
No Brasil, o primeiro registro da co-infecção é de 1987 e até recentemente haviam sido identificados apenas casos isolados. Nos últimos anos, porém, a co-infecção tem aparecido com mais freqüência.
Entre 2000 e 2006, o Programa Nacional de Leishmaniose contou 176 casos, mas os cientistas acreditam que haja muito mais. “Certamente é uma situação bastante subnotificada”, afirma Cruz.
“A leishmaniose é uma doença da pobreza, não faz parte da realidade dos médicos dos grandes centros, mas ela está cada vez mais perto de São Paulo, por exemplo. Isso pede um aumento da vigilância epidemiológica sobre as duas doenças.”
Uma equipe de cientistas em Londres está desenvolvendo um robô flexível que poderá permitir a realização de procedimentos complexos sem ter que cortar a pele do paciente.
A equipe, que trabalha no Imperial College, recebeu recursos da ordem de US$ 4 milhões (R$ 7,1 milhões) para construir e testar um robô cirúrgico chamado i-Snake.
Ele será aparelhado com sensores, motores e equipamento para registrar imagens e poderá ser usado em operações complexas no coração e intestinos.
O i-Snake também poderá ser utilizado para diagnósticos, atuando como mãos e olhos do cirurgião em áreas de difícil acesso dentro do organismo.
Ara Darzi, um dos cirurgiões que chefiam o projeto, disse: “O equipamento técnico que temos atualmente é muito grande e incômodo e nos permite realizar cirurgia de keyhole (ou de laparoscopia) através de quatro ou cinco incisões diferentes, enquanto através do robô i-Snake não teremos nem que fazer uma incisão —conseguiremos acesso à área através da boca ou qualquer orifício natural”.
Os testes estão previstos para dentro de três anos.
Cirurgias minimamente invasivas apresentam vantagens como menor área de cicatrização, menor tempo de hospitalização e recuperação mais rápida. Cirurgiões buscam formas de evitar totalmente incisões.
Cientistas do Reino Unido descobriram uma forma de evitar que o câncer se espalhe pelo corpo do paciente, um processo conhecido como metástase.
Em um artigo publicado na revista especializada “Mollecular Cell”, a equipe do Instituto de Pesquisa de Londres descreve como duas proteínas interagem naturalmente para evitar a formação dos tumores secundários.
Segundo os cientistas, o câncer se espalha graças a uma proteína chamada Mena. Já se sabia que esta proteína ajuda células cancerosas a se moverem para longe de um tumor e se espalharem pelo corpo para formar os tumores secundários.
Normalmente, uma segunda proteína, chamada Tes, evita que isto aconteça. O problema é que a primeira proteína existe em quantidades excessivas, muito maiores do que as quantidades de Tes.
O chefe da pesquisa, Michael Day, afirmou que a proteína Tes ainda não foi muito estudada, mas está ausente em muitos tumores.
Bloqueio
Usando uma série de técnicas, como raios-X e cristalografia, nas quais podem ser observadas as estruturas de moléculas em 3-D, Day e seus colegas descobriram que a proteína Tes se liga à proteína Mena, o que impede que esta última se ligue a outras proteínas.
Sem conseguir interagir com suas proteínas parceiras, a Mena não consegue fazer com que células cancerígenas saiam do tumor.
Segundo Michael Day, se os cientistas puderem sintetizar um medicamento que atue como a proteína Tes, bloqueando a Mena, os médicos poderão paralisar o processo de metástase, em casos onde já exista o tumor.
“O surpreendente é que, analisando a Tes, não prevíamos que ela iria interagir com a proteína Mena. Vai levar muito tempo, mas, observando a estrutura, podemos ter pistas para sintetizar medicamentos que imitem a interação entre as proteínas e evite que células (cancerígenas) migrem (para fora do tumor)”.
Segundo a organização britânica Cancer Research UK, da qual o Instituto de Pesquisa de Londres faz parte, 20 mil pessoas morreram devido a vários tipos de câncer em todo o mundo em 2007.