Um estudo conduzido na Grã-Bretanha indicou que homens adiam a realização
do exame de próstata por medo de descobrir que têm a doença,
e por adotar uma atitude machista em relação à consulta.
O câncer de próstata é o tipo mais comum entre homens
de meia-idade, causando a morte de um terço dos pacientes, diz a pesquisa,
publicada no British Journal of Health Psychology.
Entretanto, 20 homens com câncer de próstata que fizeram a pesquisa
qualitativa da Universidade de Birmingham disseram ter adiado uma visita ao
médico por medo de descobrir os resultados, ou simplesmente por achar
que o exame “não é coisa de macho”.
Uma das razões mais comuns citadas por eles foi a pressão de
fazer o estereótipo segundo o qual homens “de verdade”
ignoram os problemas de saúde.
Eles se mostraram preocupados com a possibilidade de se submeter ao toque
retal, o exame que detecta o tumor.
Mas os pesquisadores disseram que a possibilidade de ter câncer gerava
grande ansiedade nos entrevistados, levando-os a evitar informações
ou minimizar a seriedade dos sintomas.
Entre os sintomas do câncer de próstata - uma glândula
próxima à bexiga e à uretra - estão dor no momento
de urinar ou ejacular, sangue no sêmen ou na urina, e dor na parte inferior
das costas, quadris e coxas.
“O estudo sugere que, muito ao contrário de ignorar os sintomas
ou serem descuidados em relação à saúde, os homens
são extremamente ansiosos em relação ao câncer
de próstata”, disse a coordenadora do estudo, Susan Hale.
”O temor quanto aos efeitos da doença e ao tratamento influenciaram
muito a sua decisão de procurar ajuda.”
Um grupo de pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo,
identificou uma nova variedade de vírus da caxumba circulando no Estado.
O novo patógeno, que não é mais nem menos nocivo que
os subtipos já conhecidos, não requer novas medidas de saúde
pública, pois também sucumbe à vacina tríplice.
A descoberta, porém, deve ajudar os cientistas a entenderem melhor
a dinâmica de espalhamento geográfico da doença e a rastreá-la.
O isolamento do novo subtipo foi feito pela biomédica Terezinha Maria
de Paiva a partir de 14 amostras de sangue coletadas de pacientes em 2005
e 2006. Os doentes moravam nos municípios paulistas de Atibaia, Jundiaí,
Campinas e São Paulo. Nenhum deles tinha tomado as duas doses da vacina
tríplice necessárias para proteção contra caxumba.
A caracterização do novo tipo de vírus, que foi reconhecida
por pesquisadores britânicos independentes, foi feita com base em seqüenciamento
de trechos do DNA do patógeno.
Foi a primeira vez que o Adolfo Lutz, instituto de referência em vigilância
epidemiológica no país, caracterizou um novo patógeno
usando essa ferramenta. O domínio do método é importante
para que médicos estejam preparados para lidar com novos patógenos.
O vírus de caxumba isolado pelo Adolfo Lutz é o 13º subtipo
conhecido no mundo. Mapear as diferenças entre os patógenos
ajuda cientistas a entender melhor a dinâmica de espalhamento da doença
entre regiões.
O estudo do DNA do vírus também pode dar contribuições
futuras para questões biológicas. “O trecho que analisamos
é um gene variável”, diz Cecília Simões
Santos, do Adolfo Lutz, responsável pela análise genética.
“Ninguém sabe ainda o papel da proteína associada a ele
na biologia do vírus.”
Um estudo feito por cientistas americanos relacionou a incidência
de câncer a reduções significativas do nível de
colesterol, obtidas pelo consumo de estatina.
A pesquisa foi feita com 40 mil pessoas que tomaram estatina para abaixar
o nível de colesterol “ruim” - LDL - no sangue.
Aquelas com níveis mais baixos de LDL registraram mais casos de câncer,
apontou o estudo.
Os pesquisadores não souberam dizer se a descoberta é um efeito
colateral da estatina ou resultado do colesterol baixo.
“A análise não implica a estatina no aumento do risco
de câncer”, dizem os pesquisadores da Tufts University School
of Medicine, de Boston.
“Os benefícios demonstrados da estatina em baixar o risco de
doenças cardíacas permanecem claros.”
“Entretanto, certos aspectos de reduzir o LDL com estatina permanecem
polêmicos, e merecem pesquisas mais avançadas.”
Os pesquisadores analisaram dados de 13 experimentos em que um total de 41.173
pessoas tomaram estatina.
Eles examinaram a relação entre doses baixas, médias
e altas de estatina e taxas de novos casos de câncer diagnosticados.
Altas taxas da doença - independente do tipo e do local dos casos -
foram observadas em grupos com níveis baixos de LDL.
Os autores disseram que suas descobertas são particularmente importantes
porque mais e mais experimentos demonstram os benefícios cardiovasculares
da redução nos níveis de LDL.
Um porta-voz da Fundação Britânica para o Coração
disse que “as descobertas não mudam a mensagem de que os benefícios
de tomar estatina superam os riscos potenciais (de câncer)”.
Já a organização Cancer Research UK afirmou: “As
descobertas devem ser tratadas com cautela - como os autores apontam, elas
não provam que os baixos níveis de colesterol LDL podem aumentar
o risco de câncer”.
Baseado em exercícios que utilizam o peso do corpo, o método Pilates aprimora força, resistência e flexibilidade dos nadadores
Por Maurício Erreria de Góes
Em meio à rotina de preparação dos nadadores, sejam
eles profissionais ou amadores, a busca por um melhor condicionamento físico
ultrapassa os limites da piscina. Nesse sentido, os exercícios complementares
são importantes tanto para diversificar o treinamento quanto para melhorar
a performance do atleta dentro d’água. Um método que vem
chamando a atenção de nadadores e técnicos dentro e fora
do Brasil como eficiente complemento para os treinos é o Pilates, programa
de exercícios criado durante a Primeira Guerra Mundial pelo alemão
Joseph Pilates.
“Ele traz grandes benefícios, tonificando a musculatura sem a
necessidade de recorrer ao trabalho com peso”, explica Márcio
Latuf, técnico da equipe principal de natação da Universidade
Santa Cecília (Unisanta), um dos adeptos do método, praticado
por algumas integrantes de sua equipe. Uma delas, a nadadora Bárbara
Jatobá, pratica Pilates há dez meses e diz ter sido sensível
a melhora em seu condicionamento. “Neste período melhorei minha
postura, alongamento e força isométrica, entre outros aspectos”,
salienta a atleta. Outra adepta é sua colega de equipe, Analice Caldeira,
que teve o primeiro contato com o método por orientação
médica e diz ter ficado satisfeita, não só com o progresso
de sua recuperação, mas também com ganhos na performance.
“Minha coluna apresentou melhora e meu desempenho, em termos de postura
e alongamento, se acentuou”, afirma.
O Método Pilates consiste em um programa de exercícios que utiliza
o peso do próprio corpo, dispensando o emprego de pesos adicionais.
A maior parte dos movimentos é realizada na posição deitada,
por isso é um método conhecido por não causar impacto
nas articulações ou órgãos internos. São
mais de 500 exercícios, executados com ou sem o auxílio de aparelhos
específicos (criados pelo próprio Pilates), dentro de uma metodologia
conhecida como Contrologia, que prioriza a qualidade do movimento, com especial
atenção à postura e ao controle da respiração.
“A grande maioria dos exercícios é feita coordenando a
respiração com o movimento. Desta forma a oxigenação
e a capacidade pulmonar têm uma melhora, o que é de fundamental
importância para a natação”, comenta Inéiia
Garcia, diretora do The Pilates Studio Brasil (representante brasileira do
The Pilates Studio de Nova York). Segundo ela, os movimentos trabalham ao
mesmo tempo força, resistência e flexibilidade, além de
proporcionar maior consciência corporal ao atleta. “Há
um fortalecimento de braços, pernas e tronco que melhora o posicionamento
do corpo na água, tornando a execução do estilo mais
eficaz, com menos gasto de energia”, salienta, dizendo inclusive que
alguns exercícios foram inspirados em movimentos da natação.
Joseph Humbertus Pilotes nasceu em 1880, próximo à cidade de Dusseldorf, na Alemanha. Quando criança, sofria de asma, febre reumática e raquitismo, o que lhe estimulou a procurar a atividade física para melhorar a saúde. Praticou diversas modalidades esportivas, como ginástica, boxe e mergulho. Seu interesse pelo condicionamento físico também o levou a estudar fisiologia, anatomia e formas de exercícios como yoga, técnicas romanas e gregas e fisiculturismo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Pilotes trabalhou como enfermeiro e desenvolveu uma técnica inovadora para a reabilitação desferidos. Ele percebeu que a falta de duvidado física dificultava a recuperação dos seus pacientes e com isso criou uma série de exercícios adaptados à cama do hospital, utilizando cordas, roldanas e molas, com o objetivo de trabalhar músculos específicos, sem afetar outras partes do corpo debilitadas pelos ferimentos. Em 1926, aos 46 anos, deixou a Alemanha rumo a Nova York, onde estabeleceu o The Pilates Studio e passou a aplicar sua técnica, que mais tarde se espalhou pelo mundo.