Recordação:

De volta ao Cine Santa Rosa?

Oswaldo Vicentin

Há poucos dias foi entregue o Prêmio Maximo do cinema, ou seja, o “OSCAR” aprovado pela Academia Cinematográfica. Com méritos foi premiada Helen Mirren como melhor atriz pelo desempenho no filme “A RAINHA”. O mesmo aconteceu com Forest Witaker como melhor ator pelo desempenho no filme “O ULTIMO REI DA ESCÓCIA”. É justo ressaltar a elegante, charmosa postura da atriz Helen Mirren, considerada superior à própria Rainha Elizabeth II. Obviamente que dificilmente veremos nossos astros como: Marlon Brando, James Stuart, Gregory Peck, Bete Davis, Eva Gardner, John Wesmuller, Kim Novack, Elizabeth Tylor, Doroty Lamour, Oliver Hardy, Stan Laurel (o gordo e o magro), Erol Flyn, Kirk Douglas, Marylim Monroe, Buster Crabe, e outros, “monstros” da cinemacoteca que tantas alegrias nos proporcionaram no passado. “E é aí que mora a saudade” como já dizia o poeta sertanejo Lulu Benencase. Saudade de uma época talvez uma das melhores fases de nosso divertimento no passado. Muitos de nós barbarenses tivemos a felicidade de ter freqüentado o CINE SANTA ROSA, cujo prédio ainda permanece na Rua XV de novembro, onde funciona uma Igreja Evangélica. Enfim um prédio presente para olharmos e recordarmos de um tempo inesquecível!
Naqueles tempos não havia TV, nem Shopping. As opções eram: - (a) ouvir radio. O RADIÃO era do tamanho do “caixão de abelhas” como era chamado. Ouvia-se as canções e melodias, e a noite as novelas – como “O Direito de Nascer” no que as mulheres molhavam toalhas em cada capitulo; (b) bater ou jogar futebol nos campinhos: Zé Rodrigues, do Sapo, Vila Garrido, Ferro Velho, e outros; (c) trajar bem e paquerar no Jardim Central; (d) Ver filmes no CINE SANTA ROSA! Como bem diz Zé da Esquina – “Já não fazem filmes como antigamente”- Sim, porque eram verdadeiras obras cinematográficas tantos nos roteiro, fotografias, como nas musicas orquestradas que acompanhavam os diálogos e as cenas dos personagens. O CINE SANTA ROSA era para nós o que seria os Shoppings à juventude e criançada de hoje. Local dos encontros furtivos no ESCURINHO da platéia, o primeiro beijo e a “MÃO BOBA” que de boba não tinha nada! A molecada como eu sem dinheiro apelava ao porteiro Sr. Sandoval, “o bom Biná” para poder assistir o Seriado Zorro nas segundas feiras. O engraçado é que a mocinha estava amarrada em direção à Serra de madeira, enquanto o Zorro lutava com o bandido. Daí tínhamos que voltar na semana seguinte para saber o destino da mocinha. Que dizer então do barulho da platéia com batidas de palmas, chutes no chão, pipoca pulando, na torcida o TARZAN voando de CIPÓ em CIPÓ, para salvar a JANE da boca do crocodilo; que dizer das MARCAS DO ZORRO ZZZZZ na bunda do bandido; que dizer dos faroestes nos “tempos das diligências” em que Gary Cooper, Randolph Scot, e John Waine, derrubavam 200 índios com um só rifle ou uma só espingarda! Ui, essa doeu! Que dizer das trapalhadas do GORDO E O MAGRO em que o Magro num gesto sutil com as pontas dos dedos tirava poeirinha da lapela do Gordo; que dizer da cara medonha de BORIS KARLOFF personalizando “O VAMPIRO” saindo do túmulo na escuridão do cemitério; BRRR, essa noite não dormi; que dizer da cena em que o vento generoso levanta a saia para mostrar as belas famosas pernas de Marylin Monroe; pernas pra que te quiero! Que dizer das comédias “Pastelão” com Oscarito e Grande Otelo, Mazaropi; Que dizer do Super Homem parando o trem; que dizer do Homem Aranha, Homem Cobra, Homem Sombra, Dick Tracy, Tom Mix, O Cavaleiro Negro; Atores fantásticos, filmes e seriados célebres que tantas e tantas alegrias e emoções nos proporcionaram numa ÉPOCA ROMANTICA, FULGURANTE, que como bem espelha a eterna obra “O VENTO LEVOU”!
Agora diga-me meu PREZADO conterrâneo, leitor ou leitora, por alguns segundos você não viajou comigo nas ondas do tempo e voltou a freqüentar o CINE SANTA ROSA?...

Oswaldo Vicentin é colaborador


A oscilação do gigante

Antonio Carlos Pannunzio
 
Na terça-feira, 27, os canais de TV especializados em informação econômica exibiram, o dia todo, uma imagem monótona, incomum – e por isso assustadora – na barra que registra o desempenho das ações em diferentes bolsas de valores: uma seqüência de títulos em vermelho, seguidos de um triângulo cujo vértice sempre apontava para baixo.
Tradução: em todas as instituições do gênero no planeta, investidores estavam vendendo seus títulos, a fim de se prevenirem contra os efeitos de uma gigantesca baixa de cotações, prenunciada pela queda, em quase nove pontos na Bolsa de Xangai. Como sempre ocorre quando todos querem vender algo que ninguém, no momento, está inclinado a comprar, o valor das ações despencou.
Embora não tivéssemos, no Brasil – nem estejamos em vias de ter – algum cataclismo que atinja as bases da economia, as cotações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuaram em média 6,63 pontos, o risco-país subiu 12% e o dólar saltou como se a crise estivesse ocorrendo aqui.
Para o bem e para o mal, vivemos numa economia globalizada. Acontecimentos em locais distantes atingem a vida do cidadão tão dura e pesadamente quanto algo que esteja ocorrendo no quarteirão de sua casa.
Pelo peso específico que a China adquiriu, em anos recentes, na economia mundial, qualquer coisa que lá ocorra, de positivo e negativo, se transmite imediatamente aos mercados do planeta.
É como se, no corredor de um ônibus urbano lotado, um passageiro de porte e peso muito maior que o dos demais, perdesse repentinamente o equilíbrio e ao pender, para este ou aquele lado, empurrasse, sem querer, os que estão ao seu lado. O incidente desequilibraria todos os que se acham em pé e até alguns passageiros acomodados nos bancos.
Economia e finanças reagem dramaticamente tanto a fatos quanto a rumores. O barco da economia mundial tem navegado, ultimamente, de forma serena, mas o mar que atravessa está pontilhado de possíveis riscos, como o de uma recessão na economia americana, determinada pelas crescentes despesas militares do governo Bush, financiadas pelo gigantesco déficit público dos Estados Unidos. Outro, bem conhecido, é a iminente reativação da corrida armamentista em distintos quadrantes do globo.
Mas nada supera, de momento, o potencial detonador de crise das eventuais alterações na China, à qual o governo Lula concedeu precipitadamente o status de economia de mercado. O arranjo de seus fatores é muito peculiar; falta transparência a seus mecanismos reguladores e estes não foram, até agora, submetidos a um teste de eficiência em condições críticas.
Em alguma medida, todos os países dependem das importações chinesas de matérias-primas e das exportações de componentes lá produzidos a baixo preço para a formação do custo de seus manufaturados.
A oscilação do passageiro encorpado submeteu a apertos inesperados principalmente países emergentes, como o Brasil. O aspecto positivo do incidente é recordar aos prensados que incidentes dessa natureza não são incomuns no ônibus da economia mundial. É indispensável, pois, buscar meios e modos de conviver, nesse espaço instável pela sua natureza, com o gigante chinês.

Antonio Carlos Pannunzio é deputado federal no seu quarto mandato consecutivo, líder do PSDB, membro e ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, ex-presidente do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo, ex-prefeito de Sorocaba, autor de Projeto de Decreto Legislativo (PDL-1.630/05) que pede a revogação da decisão do Brasil em conceder à China o status de economia de mercado.


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