José Aristodemo Pinotti
Dediquei boa parte de minha vida à saúde das mulheres. Aí
estão o Hospital da Mulher de Campinas, o Pérola Byngton e o
Instituto da Mulher. São mais de 40 anos de diálogo continuado
com elas. Porém, posso dizer que festejar a Semana da Mulher é
algo revestido de um certo cinismo, que hoje paira livremente no mundo globalizado.
A mulher continua discriminada e prejudicada por uma cidadania de segunda
classe, com múltiplos deveres e poucas condições para
cumpri-los. Com a liberação da agressividade, potencializada
pela pobreza e impunidade crescentes, a mulher tem sido continuamente agredida.
Participa cruelmente da falta de emprego, que exportamos continuamente para
os países ricos, é arrimo de família em mais de 30% das
famílias da periferia de São Paulo, realiza os mesmos trabalhos,
ganhando salários menores que os homens e quando trabalha fora, para
ajudar nas despesas de casa, o companheiro não divide com ela os afazeres
domésticos, encarrega-se sozinha da continuidade da nossa espécie
pela maternidade que apresenta, no Brasil, uma mortalidade 30 vezes maior
do que nos países desenvolvidos. A Aids ficou feminina, jovem e pobre
e a maior causa de abandono das escolas, pelas meninas adolescentes, é
gravidez precoce e indesejada, que traz com ela, um maior e incompreensível
aumento das gestações na adolescência e partos, além
do aborto provocado e mortalidade materna crescente, exagerada e trágica
nessa idade.
Existe, realmente, pouco a festejar nesta Semana Internacional da Mulher,
mas muito a refletir, pois a globalização está agravando
esta situação. Quando aumenta a concentração de
renda e a miséria, quem mais sofre são os estamentos minoritários
e entre eles, a mulher. Quando a saúde e a educação se
tornam mercadorias e deixam de ser um direito, passam a serem oferecidos,
primeiro, para aqueles que têm mais recursos e poder e a mulher, apesar
de trabalhar mais, tem menos recursos, menos propriedades e poder. Quando
se impõe a uma sociedade valores monetaristas e financeiros, onde o
templo é o “Shopping Center”, e o deus é o Banco,
os valores humanitários são desprezados (Welfare State é
termo de baixo uso no jargão dos cooptados) e assim perde-se a sensibilidade
e a solidariedade, qualidades essencialmente femininas. Por isto, a inversão
desta tendência entrópica passa obrigatoriamente pela valorização
da mulher. Encontramo-nos em um círculo vicioso. É preciso rompê-lo
combatendo todas as formas de discriminação e lutando pela valorização
da mulher, o que não acontecerá, como não acontece em
nenhum estamento dominado, a não ser que as próprias mulheres
se unam para lutar e conquistar a sua cidadania plena. Por este motivo, é
preciso educá-las para estarem libertas para sua própria luta.
É este o caminho que as mulheres escolheram, talvez até intuitivamente,
o feminismo, pela própria liberação. Muitos de nós
estaremos aqui, apoiando e colaborando continuamente com programas concretos
para ajudá-las com algumas práticas e com discursos como este,
mas a grande luta deve ser travada pelas próprias mulheres e nas escolas,
na defesa intransigente de seus direitos a uma cidadania plena. O verdadeiro
feminismo é aquele que luta por igualdade de poder decisório
de mulheres e homens em todos os níveis, desde o lar até o trabalho,
passando pelos diferentes espaços sociais. Tudo isso sem que as mulheres
abdiquem das diferenças e de suas importantíssimas qualidades
femininas.
José Aristodemo Pinotti, 72, deputado federal (PFL-SP), é secretário
de Ensino Superior do Estado, professor emérito da USP e da Unicamp
e presidente do Instituto Metropolitano de Altos Estudos. Foi secretário
da Educação do município de São Paulo (2005-2006),
secretário da Educação (1986-87) e da Saúde (1987-91)
do Estado de São Paulo, presidente da Federação Internacional
de Ginecologia e Obstetrícia (1986-1992) e reitor da Unicamp (1982-86).
Luzia Santiago
A Igreja anuncia às mulheres: “A hora está chegando.
A hora já chegou, em que a vocação da mulher se realiza
em plenitude; a hora em que a mulher adquire na sociedade uma influência
e um brilho jamais atingidos até agora. Neste momento, em que a humanidade
conhece uma mudança tão profunda, as mulheres impregnadas do
Espírito do Evangelho podem ajudar muito a humanidade a não
decair” (Vaticano II).
Esse é um grito de alerta para nós, mulheres, contra uma cultura
escrava que o mundo nos impôs. A mulher é valorizada pela sua
beleza estética, que ressalta os atributos físicos. A mulher,
transformada em objeto de sensualidade, de consumismo, de infidelidade e exploração
sexual, é provocada constantemente a lutar pelos seus próprios
direitos em pé de igualdade com os homens, como se isto constituísse
a sua realização pessoal.
Deus é Quem convoca a mulher a assumir o seu importante papel na construção
de uma nova sociedade. A mulher, em sua missão de mãe, profissional,
intercessora, amiga, companheira e educadora, gera homens novos, famílias
novas, para um mundo novo.
Maria, a Mãe do Senhor, é o exemplo maior de quem se deixou
impregnar pelo Espírito do Evangelho, permanecendo firme ao pé
da cruz, porque acreditou e confiou na força do Projeto de Deus para
a sua vida. Como Maria, cada mulher recebeu um convite, um chamado de
Deus: o de ser a primeira a crer que o Senhor modela a sua existência,
porque Deus tudo pode transformar, até mesmo aquilo que para o mundo
já esta dado por perdido.
A exemplo de Maria, a mulher encontra forças para lutar e sair vitoriosa
nas situações mais dolorosas e desesperadoras. Como Maria, a
mulher permanece em pé, renovando a coragem e a esperança no
seu testemunho de cada dia. O segredo de Maria é a chave para toda
e qualquer mulher: ser cheia do Espírito Santo, porque Ele faz novas
todas as coisas!
A mulher que confia em Maria, a Mãe de Jesus, jamais se desencaminha
ou se desespera. Ao contrário, ela vai se deixando moldar por
Deus, independentemente de idade ou classe social. Como Maria, ela se põe
a serviço do próximo, como colaboradora da criação.
Luzia Santiago é apresentadora do programa Sorrindo pra Vida, da TV Canção Nova, autora do livro Sofrer e Amar, e co-fundadora da Comunidade Canção Nova www.cancaonova.com
email: editor@diariosbo.com.br