Leves e soltas; contudo, não livres

“Não é fácil ser bonita”

(Ana Hickmann, modelo e apresentadora).

Alonso de Oliveira

A rotina dura das famosas - Ana Hickmann entre elas: duas ou tres vezes por semana massagem linfática. Depois, cuidados com dermatologista, limpeza de pele, cabeleireiro - porque é um tal de estica daqui e puxa dali todos os dias - que é preciso dar uma atenção legal ao cabelo. Todos os meses é preciso dar essa reciclada.
Sem se esquecer, claro, das aulas de boxe, que ela faz porque gosta. Quando não dá tempo, corre em casa, faz esteira para poder fazer alguma atividade física. Tenta evitar ao máximo uma vida sedentária. Coisa mais difícil, não?
No outro extremo, ainda abundado de privilégio e disponibilidade, há aquelas mulheres donas do próprio nariz, mulheres de diferentes idades que descobrem o prazer de viajar sozinhas e não querem outra vida. Elas não dependem de maridos, namorados ou amigos para viajar. Levam na bagagem a curiosidade e deixam os sentidos abertos para novas experiências. Acima de tudo valorizam a liberdade de ir e vir quando bem entendem, mudando o roteiro ao bel-prazer. As mulheres que viajam sós não fazem parte das estatísticas do turismo oficial, mas já são apontadas como uma possível tendência no setor (texto do Feminino de 18.02.07 do jornal O Estado).
Entre os diversos relatos de diversas mulheres chama a atenção um, por sua peculiaridade: em visita a Bali, ela descobrira que as mulheres realmente nunca estão satisfeitas com os atributos da natureza. Após uma hora de tortura com duas mulheres que a depilavam ao mesmo tempo, percebera que elas não estavam familiarizadas com a técnica.
Ao perguntar se estavam acostumadas a fazer aquilo, elas lhe contaram que as balinesas não tem pêlos. Só que usam um creme para nascer pêlo na perna, axila, em tudo. Porque elas acham lindo ter tudo peludo.
O que nao deixa de ser um paradoxo para os padrões ocidentais, onde os pêlos constituem verdadeiro terror para as mulheres. Como elas gostariam de estar na pele das balinesas. Será? E as balinesas, por sua vez, o que não dariam para estar na da ocidental que visitava aquele paraiso afrodisiaco?
E as outras mulheres, as ‘ditas’ normais, as quais tem uma pedreira todos os dias para cumprir: trabalhar fora, voltar tarde para a casa, limpá-la, fazer o jantar, tolerar a intolerância de marido, cuidar dos filhos e perceber que o dinheiro será insuficiente para durar os trinta dias do mês.
Eis as verdadeiras heroinas. Tudo o que elas desejariam, talvez, é ter um dia de Anna Hickmann ou das privilegiadas que são donas do próprio nariz, prescindem de um homem para sustentá-las e podem ir para onde quiserem.

Alonso de Oliveira, jornalista, ex-secretário de Administração da prefeitura de Americana.


Heróicas tecelãs, bondosas mulheres

Oswaldo Vicentin

Durante minhas caminhadas sempre observo o enorme conjunto de prédios ocupando um quarteirão entre as Ruas 15 de novembro e Dona Margarida. Local onde funcionou a grande prestimosa indústria Fiação e Tecelagem, propriedade da Família Cervone.
Uma empresa que se constituiu como grande responsável do desenvolvimento desta cidade, tanto na economia, como de milhares de empregos a comunidade. Confesso que toda vez contemplando aqueles prédios, sinto uma certa nostalgia. Parece - me ouvir ainda o toque da sirene, e a saída de centenas de mulheres apressadas caminhando pelas ruas, sorridentes após o cumprimento de mais uma jornada de trabalho. Suadas, manchas de graxa nos vestidos, cabelos mesclados com fios de algodão e entre elas uma mulher lutadora grande amor de minha vida que me abriu as portas para este mundo -... minha Mãe!. Como minha Mãe, as tecelãs de todas as fabricas da região, batalhavam de sol à sol, não mediam forças para chegar abraçar seus filhos, banharem - se, limpar a casa, lavar roupas (não havia máquinas) além de ajudarem na preparação das refeições. Tecelãs destemidas, fortaleza dos seus filhos dando - lhes alimentos, vestes, educação, cujas recompensas foram e são os diplomas escolares em todos os graus.
É bom lembrar naquele tempo o ambiente condições de trabalho em todas as tecelagens da região eram precários. Não havia ar condicionado, nem protetores auriculares, cuja barulheira atingia acima de 100 decibéis. Alem disso nossas heróicas tecelãs sofriam com a quebra de fios (arrombo nos teares) e consequentemente suportar a arrogância e estupidez dos Mestres e Contramestres puxa - sacos que queriam maior produção. É justo recordar e homenagear à essas maravilhosas TECELÃS, tanto de hoje, como de ontem, muitas das quais como minha mãe estão nos braços de DEUS!.
Entretanto, neste mês estamos comemorando o Dia da Mulher. Alias para nós homens, súditos, vassalos, subalternos, humildes, a MULHER é presente para todo dia, todos os minutos e segundos!. Discordando um pouco do grande poeta, compositor, Vinicios de Moraes quando citou a frase "QUE ME PERDOEM AS FEIAS, MAS BELEZA É FUNDAMENTAL", acredito que a beleza não está só no semblante ou no corpo escultural, mas, na alma, na afinidade, nas atitudes. A própria concepção anatômica da mulher ( diferentemente da dureza dos homens) é macia, suave, perfumada como as pétalas da rosa. Nesse Contexto todas mulheres têm seu dote de beleza. Pode ser magra, alta, gorda, baixa, surda, muda, cega, mas são flores de um mesmo jardim, como a margarida, Hortência, violeta, camela, dália, rosa,...! Costumo citar sempre uma frase: O homem sentia - se só, solitário e triste, e Deus compadecido lhe deu uma FLOR em forma de mulher! Aqui vai nosso agradecimento carinhoso a todas as mulheres: às enfermeiras generosas que tratam pacientemente doentes, às secretarias, às empresarias, bancarias, funcionárias públicas, às desempregadas na certeza que terão suas oportunidades, à todas mulheres do lar, às namoradas, e até aquelas que com meiguice e inteligência sabem contorna, acalmar, os marmanjões ou machões enfurecidos! Ok?. À todas elas, um pedido de perdão por alguma magoa causada, uma eterna gratidão pela maravilhosa companhia, e nossos parabéns com o mais profundo pedido - ... DEUS LHES ABENÇOE!.

Oswaldo Vicentin é colaborador


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