Como diminuir substancialmente a violência

Juarez Alvarenga
 
Será que nascemos com os genes especifico capaz de nos levar a criminalidade? Alguns penalistas acreditam que não nos tornamos criminosos e sim que nascemos criminosos. Não chego a acreditar totalmente nesta teoria, mas achamos que alguns indivíduos têm uma predisposição maior ao crime que adicionada e desencadeada pelo meio ambiente os levam a este determinismo natural fatalista.
O importante é combater o núcleo consistente da criminalidade.Alguns fatores nos levam a sua identificação que são a família, uma vida espiritual saudável e o material. A família é a ancora capaz de nos dar sustentabilidade psicológica consistente. Uma vida espiritual nos liberta das pesadas pressões do mundo moderno quase insustentável. E o material que é o dinheiro, sabemos que 80% dos problemas humanos são derivados da falta de dinheiro e os 20% que o dinheiro não resolve não tem nada que resolva.
Chegamos a conclusão que o crime tem como perfil os derrotados da existência. Os vencedores dificilmente são transgressores. Acrescento que a derrota juntamente com a inquietação nos dar como produto o crime. A inquietação tem duplos efeitos: ou nos levam ao topo ou é instrumento de destruição social. O individuo inquieto quando competitivo agride a realidade com tenacidade, mas também em vez de competitividade poderá ser agressivo invadindo a ilegalidade.
Sabemos das varias modalidades de perdedores. Os exaltados são naturalmente agressivos e os mansos são também naturalmente conformistas. Como é impossível ter um país só de vencedores isto refletirá substancialmente nas estatísticas dos crimes.
Outro fator condicionante da criminalidade é expectalização do crime. Parece que o criminoso tem contido no seu intimo uma personalidade exibicionista. Alguns crimes são de repercussão profunda dentro do contexto social. Sugiro a estes uma solução judicial imediata. Podemos fazer analogia com o legislativo que tem instrumento quando a matéria é de relevância passa na frente das outras para votação. Devemos acelerar o processo de crimes de clamor popular exagerado e o poder judiciário criar uma tutela jurisdicional extremamente célere dando a impressão de que o judiciário está atento e a punibilidade exemplar com a publicidade esconderá as falhas de um judiciário lento que nos dar ao contrario a sensação de impunibilidade.
Retirar do interior humano as mazelas prejudiciais à sociedade é um ato que nos exigem uma certa demora. E o remédio é a educação. Somente ela é capaz de neutralizar ou interiorizar a violência. Se somos animais temos implantado em nosso interior o instinto da criminalidade. Mas a educação como instrumento de sufocamento da violência é sem duvida nenhuma um grande remédio.
O que vemos hoje é o avanço substancial da inquietação prejudicial. O distanciamento entre o apetite hedonista provocado pelo consumismo e a faminta possibilidade de sua concretização. Gerando uma fera social, transgredindo as leis e intimidando a sociedade, porém esta mesma sociedade tem que reagir.
Se juntarmos o determinismo natural fatalista desencadeado pelo meio ambiente com a parcimônia estatal terá uma sociedade cada vez mais enferma.Combater o crime com proporcionalidade e fazer uma política preventiva permanente simultaneamente com uma operacionalidade sistêmica dos órgãos acompanhado de um serviço de inteligência podemos diminuir substancialmente as estatísticas criminais.
Tirar a animalidade do homem é impossível, mas reter seus impulsos instintivos criminais é questão de um controle social forte, combatente, integrado e inteligente.
 
Juarez Alvarenga, advogado e escritor.


Reação ao estigma do medo

Vanderlei Macris

A aprovação, em 15 de fevereiro último, do Projeto de Lei que dobra a pena para os delitos praticados com a participação de menores de 18 anos deve ser encarada como o início de uma nova etapa na luta contra a criminalidade. Mais do que a votação de medida capaz de reduzir a violência no País, a providência pode delimitar o engajamento mais efetivo do Congresso Nacional num processo de mobilização focado na busca de soluções para um dos problemas que mais afligem a sociedade brasileira.
É inaceitável que a Câmara dos Deputados e o Senado mantenham-se omissos em tema de tamanha importância, deixando, assim, de cumprir seu dever constitucional de legislar em prol das causas mais expressivas para a população.  O Poder Legislativo, uma das mais importantes bases de sustentação da democracia, não pode fechar os olhos ou adiar análise e votação de projetos importantes para a redução da violência, como ocorreu na legislatura anterior, na qual ficaram engavetadas várias propostas. Mais grave ainda foi o fato de este inaceitável posicionamento ter-se verificado em um dos piores momentos vividos por São Paulo, com os ataques do crime organizado.
É óbvio que a simples aprovação de um único projeto, a despeito de sua importância intrínseca e apelo simbólico, não representa a solução do problema absurdo da criminalidade. Precisamos mais do que isso! É necessário constituir rede integrada com os governos municipais, estaduais e federal, Legislativo, Judiciário e, acima de tudo, com a sociedade civil, para discutir e colocar em prática ações reais de combate à violência. Nesse sentido, foi muito positiva a entrega de propostas para combater o crime pelos governadores do Sudeste, no dia 28 de fevereiro, em Brasília. Pela primeira vez o Congresso Nacional teve condições políticas de receber as sugestões dos governadores, em ação suprapartidária, atendendo a um clamor da sociedade.
É significativo o fato de os quatro governadores que foram a Brasília, representantes dos estados de maior PIB do País, pedirem, de modo sinérgico e consensual, que o Legislativo inclua-se de modo efetivo na luta contra a violência. A resposta do Congresso Nacional, decisiva, aliás, para recuperar sua imagem perante a opinião pública, precisa ser exemplar.
O Governo Lula nada fez até agora para solucionar o problema. O presidente da República não assumiu a liderança desta causa de toda a população, não ofereceu recursos suficientes e não ajudou a conter a onda de violência, que dissemina o medo, atenta contra a dignidade e a auto-estima dos brasileiros e prejudica muito nossa economia. Será que o Governo Federal não percebe que parcela da culpa pelos pífios 2,9% de crescimento em 2006, anunciados pelo IBGE, deve-se ao descontrole do crime no Brasil. Afinal, não há ambiente favorável aos negócios em meio à onda de violência.
As propostas apresentadas pelos governadores são boas e devem ser apreciadas com agilidade, para que se possa dar uma resposta eficaz aos brasileiros. A luta contra o crime precisa ser encarada por todos como prioridade absoluta dos poderes constituídos e da sociedade. Nesse contexto, paralelamente às ações corretivas, é fundamental incentivar e promover medidas de caráter preventivo.
Podemos e devemos mudar a legislação, mas isto não será suficiente se não houver distribuição mais justa da renda e possibilidade de implantação de políticas públicas nos Estados para atender os mais pobres. O jovem com acesso à educação, emprego, saúde, cultura e esporte tem menor possibilidade de ser atraído pela droga e o dinheiro fácil e efêmero do crime. Enfim, a Nação precisa de medidas urgentes, de combate e prevenção, para reagir com a devida competência ao estigma do medo, um sentimento que continua nos afastando do desenvolvimento.

Vanderlei Macris, parlamentar por São Paulo, é vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados.


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