Armando Correa de Siqueira Neto
Ser ético terá o seu lugar de destaque na sociedade. Não
é uma previsão, é uma condição. Embora
a história já tenha registrado fartamente episódios antiéticos,
e assim também observamos na atualidade, muitas pessoas já não
suportam conviver de forma tão descontrolada. A resposta a tal desequilíbrio
- o caos faz parte de toda mudança, até que se estabeleça
o equilíbrio novamente - é o forte apelo social à redução
dos crimes e da corrupção, tendo em vista a expressiva preocupação
existente.
Embora se perceba um forte materialismo em detrimento de se considerar o ser
humano, o intolerável sentimento de descaso é capaz de inspirar
em diversas pessoas de diferentes lugares a vontade de melhorar a situação
momentânea. Logo, é necessário considerar dois fatores:
a inteligência ética pessoal e a organizacional.
Ser inteligente eticamente implica em conhecer as razões de causa e
efeito dos nossos desejos e atos, além da necessária compreensão
acerca dos princípios universais (responsabilidade, compaixão,
perdão), que servem para sustentar o adequado convívio social.
Fora deles é impossível estabelecer a consciência do bem
comum e, portanto, de agir eticamente. Assim, urge desenvolver dois pontos
imprescindíveis: saber (conscientemente) e se comportar (habitualmente)
de forma ética.
No entanto, é preciso lembrar que a conduta humana pessoal baseada
em saber e distinguir o que é certo ou errado deve se alicerçar
na aprendizagem. A educação é essencial para tal projeto,
haja vista ela gerar o conhecimento necessário.
Não obstante, do ponto de vista organizacional, a ênfase focaliza-se
na consciência dos valores e governança encontrados nas lideranças,
e no modelo de educação corporativa. Através deles as
relações tomam um determinado rumo em relação
à ética. É, pois, com tais referências que se desenvolve
cada atividade, administrativa e operacional, atingindo diretamente os colaboradores,
consumidores e fornecedores. Se há coerência entre os valores
organizacionais e pessoais, então se constata a presença de
alinhamento, que, a seu turno, é capaz de estabelecer um clima de confiança
e motivação. (Itens de sobrevivência nas atuais circunstâncias
de extrema competitividade.)
Os executivos estadunidenses Fred Kiel e Doug Lennick, autores do livro Inteligência
Moral, apontam com clareza as vantagens internas e externas, respectivamente,
de uma empresa ser moral: 1) Quando um líder é explicito sobre
o que ele acredita e valoriza, e tem um comportamento alinhado com tudo isso,
os seguidores reagem com uma profunda confiança nele. 2) A reputação
de uma empresa se transforma diretamente em resultados financeiros: os consumidores
preferem comprar de empresas que são conhecidas por suas práticas
éticas. Eles não hesitam em divulgar o seu descontentamento
mediante empresas antiéticas.
A organização consciente da relevância sobre a inteligência
ética produz resultados compensadores porque respeita princípios
e valores, pois valoriza a crença do bem comunitário, sem perder
de vista os ganhos decorrentes: lucro, poder e sustentabilidade. As atitudes
atestam as idéias, as ações de comunicação
sobre o assunto são claras, os investimentos em treinamento nesta área
são sólidos e se torna parte da cultura, além de existir
vigilância permanente, visto que defender tamanha preciosidade (a ética),
não é tarefa fácil - o inimigo sempre ronda os portões
à espreita de uma oportunidade para atacar. Inteligência e competência
ética são componentes estratégicos e merecem dedicação
incondicional de quem pretende empreender o desenvolvimento organizacional
e obter êxito.
Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School.
Henrique Matthiesen
Pelo Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares
(TNP), de 1968, as cinco nações que possuíam armas nucleares
se comprometeram a suprimir em curto prazo estas armas e em equivalência,
os países que não possuíam armas nucleares abriram mão
de desenvolvê-las.
Para perceber a exata natureza deste "grande pacto" é preciso
advertir que, naquela ocasião, a Guerra Fria estava no seu cume.
Temia-se que essa competição armamentista gerasse um holocausto
nuclear e por este motivo, os dois grandes antagonistas na área determinaram
que era melhor promover um desarmamento nuclear.
O enigma era como abordar os demais países. A sugestão inicial
dos Estados Unidos e da U.R.S.S. era vetar que qualquer outro país
(além das cinco potências nucleares) desenvolvesse armas nucleares.
Com isso, se criariam dois conjuntos de países: os que tinham e os
que não tinham armas nucleares.
Esta bifurcação do mundo em dois grupos imutáveis foi
muito mal recebida pelos países não-nucleares e nasceu a partir
daí, o receio de que eles seriam também excluídos dos
benefícios que a energia nuclear poderia ocasionar, já que tal
tecnologia tem um caráter "dual", em que aplicações
pacíficas e bélicas não são simples de apartar
e, além disso, deu às potências nucleares um status invejado
pelos outros países, pois o monopólio de armas nucleares passou
a ser uma demanda de autoridade e afirmação da soberania nacional,
o que animaria a desenvolvimento nuclear.
Nas transações que induziram ao Tratado do México foi
sugerida a inclusão de um artigo (artigo IV) afiançando aos
países não-nucleares o direito inalienável de desenvolver
esse tipo de energia para fins pacíficos; é aí que o
Irã está se apoiando para validar seu programa de enriquecimento
de urânio. A Índia, o Paquistão e Israel, que não
concordaram com o tratado desenvolveram armas nucleares.
Por outro lado, diversos signatários decidiram produzir armas nucleares
em transgressão ao acordo (Iraque, Irã, Líbia e África
do Sul). A Coréia do Norte retirou-se do TNP em 2003 e conduziu sua
primeira detonação nuclear em outubro de 2006.
Infelizmente sanções econômicas contra países que
infringiram o TNP, como Índia, Paquistão e presentemente Coréia
do Norte são pouco eficazes.
Uma combinação de sanções e conversações
que redundem em prerrogativas econômicas e fiança de salvaguarda
dos governos e regimes políticos vigorantes podem ter sucesso, como
ocorreu na África do Sul e na Líbia, que desistiram da posse
de armas nucleares.
Várias propostas de centros multinacionais foram oferecidas.
A proposta mais realista feita até agora é a de instituir um
banco de urânio enriquecido na AIEA, que seria empregado nas ocorrências
em que o suprimento dos fornecedores habituais fosse suspenso por pretextos
políticos.
Não aludiria a abdicação do desenvolvimento da tecnologia
no país.
A mesma está sendo negociada e talvez colabore para evitar que outros
países sigam o caminho do Irã e da Coréia do Norte.
Henrique Matthiesen é colaborador
email: editor@diariosbo.com.br