A estratégia de aumentar o nível de colesterol bom a fim de
combater problemas cardíacos recebeu na segunda-feira, um novo revés:
uma série de estudos revelou que as técnicas alternativas utilizadas
com esse fim não só mostraram-se ineficazes como têm problemas
de segurança.
A notícia foi difundida após a empresa farmacêutica Pfizer
ter abandonado um investimento de US$ 800 milhões no medicamento torcetrapib,
pois este aumentava o risco de ataques cardíacos e de morte.
Os especialistas agora querem saber se os problemas se estendem a todas as
drogas desse tipo. “Precisamos entender em que falhou o torcetrapib
para seguir adiante”, disse o presidente do American College of Cardiology,
Steven Nissen.
Os novos estudos, apresentados em uma conferência, ofereceram uma resposta
variada. A droga da Pfizer aparentava ser a única perigosa, mas outros
remédios também têm problemas. E, mesmo elevando o nível
do colesterol bom (HDL), como se esperava, os fármacos não conseguiram
diminuir a possibilidade de ataques cardíacos ou mortes.
Há tempos os médicos enfocam na diminuição do
colesterol ruim, o LDL, para reduzir os riscos de enfartes. As estatinas diminuem
o LDL, que transporta a gordura dos alimentos pela corrente sanguínea.
Porém muitas pessoas que ingeriram estatina sofreram ataques cardíacos.
Por isso os médicos tentaram aumentar o colesterol bom - que transporta
o gordura do sangue até o fígado, onde ela é eliminada
- com o objetivo de diminuir os riscos.
Outra droga chamada Niaspan, produzida pela Kos Pharmaceutical, cumpre essa
função, mas pode gerar uma sensação de irritação
que para algumas pessoas é intolerável. Pfizer, Merck& e
a Roche estão pesquisando drogas que melhorem o HDL de uma maneira
inovadora.
Os estudos sobre colesterol foram publicados nas revistas especializadas New
England Journal of Medicine e Journal of the American Medical Association.
Cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, afirmaram ter
desenvolvido técnicas para incrementar o nível de antioxidantes
em pizzas, o que beneficiaria a saúde de quem as come. Estas substâncias
- que seriam estimuladas a crescer na base de fermento ao serem assadas sob
condições especiais - protegem os tecidos e células do
corpo de danos.
O estudo, publicado na última edição da revista especializada
em química American Chemical Society, avaliou os efeitos de assar dois
tipos de massa de pizza diferentes a temperaturas e por tempos diferentes.
As bases das pizzas eram de farinha integral e de duas variedades diferentes
de trigo, enquanto os tempos e temperaturas de assadura variaram de sete a
14 minutos e de 204ºC a 208ºC, respectivamente.
Os níveis de antioxidantes foram então testados em cada pizza.
Aquelas que foram assadas por mais tempo tiveram os níveis de antioxidantes
aumentados em 60%, enquanto temperaturas mais altas levaram a aumentos de
82%, dependendo do tipo de farinha de trigo e de antioxidante usados.
Quando a massa da pizza ficou fermentando por mais tempo, por até
48 horas, a contagem de antioxidantes também pareceu crescer significativamente.
Os pesquisadores acreditam que isso se deve às reações
químicas produzidas por leveduras e recomendam que tempos de assadura
mais longos, altas temperaturas e mais tempo de fermentação
também estimulem os níveis de antioxidantes em massas de pizza
feitas de farinha refinada. Jeffrey Moore, que coordenou os estudos, disse
que pizzas de massa grossa podem ser especialmente saudáveis, porque
“têm potencial de criar altos níveis de antioxidantes em
comparação a outros tipos de pizza”.
A pesquisa foi financiada por entidades produtoras de grãos, mas não
por fabricantes de pizzas. Mesmo assim, especialistas ouvidos pela BBC salientaram
que por maiores que sejam os níveis de antioxidantes, uma dieta à
base de pizzas não é saudável.
“Preferiria que as pessoas comessem as suas cinco porções
de frutas, legumes e verduras todos os dias”, afirmou Jacqui Lowdon,
da Associação Dietética do Reino Unido.
A aspirina em doses pequenas ou moderadas pode reduzir o risco de morte
em mulheres, particularmente nas de mais idade e com risco de contrair doenças
cardíacas, informou um estudo feito com aproximadamente 80 mil mulheres
durante 24 anos.
Mesmo assim especialistas advertiram que os resultados não são
definitivos e que as mulheres não devem tomar aspirina como medicamento
preventivo sem antes consultar um médico.
Segundo o estudo, as mulheres de meia e terceira idades que tomaram o medicamento
tiveram 25% menos risco de morte se comparado com as que nunca tomaram. Com
relação a doenças, as que consumiram aspirina tiveram
38% menos risco de morrer por enfermidades cardiovasculares e 12% menos de
perecer por câncer.
A maioria dos médicos aconselham às pessoas que já sofreram
ataque cardíaco que tomem 81 miligramas de aspirina diariamente. O
novo estudo sugere que tal medicamento também poderia beneficiar mulheres
saudáveis.
“Isso confirma o que já sabíamos: a aspirina faz bem para
você, não importa se você é homem ou mulher”,
disse o médico da Universidade de Duke Jeffrey Berger, que estuda os
efeitos da aspirina. Ele não fez parte do estudo.
Porém, segundo Berger, como esse medicamento pode causar úlceras
e hemorragia estomacal, as pessoas devem consultar seus médicos antes
de tomá-la preventivamente. “Não se trata de uma vitamina”,
acrescentou.
Muitas zonas climáticas atuais desaparecerão totalmente até
2100 e serão substituídas por climas hoje desconhecidos, segundo
um estudo divulgado na segunda-feira nos Estados Unidos.
O relatório, publicado no último número da revista “Proceedings
of the National Academy of Sciences”, destaca que durante o próximo
século desaparecerão vários climas das zonas altas dos
trópicos, assim como dos pólos.
Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de
Wyoming prevêem também que grandes faixas tropicais e subtropicais
podem desenvolver climas novos totalmente diferentes dos atuais.
Entre as zonas mais afetadas figuram regiões densamente povoadas, como
o sudeste dos Estados Unidos, o sudeste asiático e partes da África,
além de conhecidos pontos de alta biodiversidade, como a floresta amazônica.
O geógrafo Jack Williams, da Universidade de Wisconsin-Madison, principal
autor do estudo, comparou o seu trabalho com o dos cartógrafos da Europa
medieval, que enfrentaram o desafio de traçar mapas de um Novo Mundo
totalmente desconhecido.
”Queremos identificar as regiões do mundo onde as mudanças
climáticas vão produzir climas que não têm nada
a ver com os atuais”, disse Williams num comunicado que aparece no site
da universidade.
Williams explica no estudo que as mudanças previstas são resultado
do aquecimento global, fruto das maiores emissões de gases poluentes.
Segundo o geógrafo, as temperaturas serão mais altas no futuro,
e por isso os sistemas que conhecemos na atualidade vão mudar totalmente.
Williams e seus colegas da Universidade de Wyoming basearam seus prognósticos
em modelos informáticos que calculam as mudanças climáticas
provocadas pelas emissões de gases poluentes.
Os modelos sugerem que as zonas climáticas de 48% da superfície
terrestre podem desaparecer até 2100.
Os pesquisadores prevêem que mesmo se os esforços governamentais
conseguirem diminuir as emissões poluentes, as mudanças ainda
afetarão 20% do planeta.
As mudanças podem aumentar a ameaça a algumas espécies
em vias de extinção e provocar grandes deslocamentos humanos.
Os climas que desapareceriam provavelmente afetariam as zonas próximas
aos pólos e as terras altas das regiões tropicais, inclusive
os Andes peruanos e colombianos, a América Central e as terras altas
da Zâmbia e Angola, entre outros.
O fenômeno dos novos climas afetaria regiões dos trópicos,
como a Amazônia e a Indonésia, onde mesmo pequenas mudanças
de temperatura podem ter um grande impacto, segundo Williams.
Uma das alterações oculares mais freqüentes observadas
em crianças com menos de um ano de idade é a Obstrução
Congênita da Vias Lacrimais (OCVL). “A causa mais comum de lacrimejamento
do recém-nascido é a obstrução do canal lacrimal”,
informa o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de
Moléstias Oculares. Além da obstrução congênita
das vias lacrimais, outras doenças, tais como glaucoma congênito,
conjuntivite, triquíase (cílios que nascem virados para o olho)
e fechamento incompleto das pálpebras também podem provocar
o excesso de lacrimejamento.
“A principal causa de obstrução do canal lacrimal é
a presença de uma membrana na região da válvula de Hasner,
no local de abertura do ducto nasolacrimal, na cavidade nasal. Quando o canal
lacrimal fica muito tempo obstruído pode haver inflamação
ou infecção, pois a lágrima permanece retida por um período
muito longo. Nesse caso, o local da inflamação – canto
interno e inferior do olho, próximo à base do nariz –
fica vermelho, inchado e dolorido. Em alguns casos, há saída
de secreção purulenta pelo orifício de entrada do canal
lacrimal”, explica a oftalmologista Maria José Carrari, que é
especializada em oftalmopediatria. Outras anomalias como estreitamento do
canal, espículas ósseas, presença de válvulas
ou outras membranas podem ocorrer de forma isolada ou em combinação,
resultando em outras formas de obstrução.
O diagnóstico de obstrução do ducto nasolacrimal é
feito quando o oftalmologista encontra a combinação de lacrimejamento,
presença de secreção muco purulenta, aspecto de 'olho
melado' e dermatite na pálpebra inferior, sem sinais inflamatórios.
“Além das alterações causadas pelo lacrimejamento
é comum que a criança apresente com maior freqüência
episódios de conjuntivite bacteriana. O excesso de umidade nos olhos
favorece o desenvolvimento de bactérias que causam a conjuntivite”,
diz Maria Carrari.
Na grande maioria dos casos, a OCVL desaparece antes do primeiro ano de
vida da criança. “Recomendamos a realização de
massagens, compressas com água morna, limpeza dos olhos com soro fisiológico
ou colírios de lágrima artificial”, afirma Maria Carrari.
As massagens no saco lacrimal e no trajeto do ducto nasolacrimal são
a opção de tratamento mais efetiva.
A oftalmologista explica que, inicialmente, realiza a massagem no consultório
e orienta os pais como devem proceder para realizá-las em casa. “Nos
casos em que há conjuntivite bacteriana associada à obstrução
do ducto nasolacrimal, o uso de colírios também é indicado
pelo oftalmologista”, informa a especialista.
Quando as massagens e o tempo não resolvem o problema, surge a necessidade
de desobstrução do ducto nasolacrimal através de um procedimento
cirúrgico chamado sondagem, realizada pelo oftalmologista. “Normalmente,
não realizamos este tipo de procedimento, a cateterização,
antes dos nove meses de idade”, informa a oftalmologista. Para a realização
desta cirurgia, a criança deve estar sob sedação (anestesia
geral inalatória), portanto ela é realizada no hospital, porém
de forma ambulatorial, ou seja, a criança entra e sai do hospital no
mesmo dia.