Conflito sexual explica menopausa, afirmam cientistas

Dois pesquisadores no Reino Unido propuseram uma nova hipótese para explicar um dos maiores mistérios da vida sexual do ser humano: por que as mulheres entram em menopausa e perdem sua capacidade reprodutiva? A resposta estaria no “conflito reprodutivo” entre fêmeas de idades diferentes.
Faz meio século que o biólogo George C. Williams propôs a “hipótese da avó” para explicar a sobrevivência das mulheres além da sua idade reprodutiva —algo que não acontece entre outros animais vertebrados de vida longa (há baleias que continuam férteis aos 90 anos).
Apesar de não terem mais filhos, as avós ajudariam suas filhas a sobreviver e a se reproduzir, melhorando assim a sua própria aptidão em deixar descendentes —pré-requisito da evolução darwinista.
“Mas, se as hipóteses atuais podem explicar a sobrevivência continuada de fêmeas pós-reprodutivas, elas têm dificuldade em explicar porque elas pararam de se reproduzir em primeiro lugar”, escreveram os biólogos Michael Cant, da Universidade de Exeter, e Rufus Johnstone, da Universidade de Cambridge, na revista científica “PNAS”, publicada pela Academia de Ciências dos EUA.
Os dados disponíveis mostram que a vantagem para as avós nem é tão grande assim, comparada com a possibilidade de continuar tendo filhos.
Os dois pesquisadores foram então analisar se haveria potenciais custos sociais em caso da reprodução continuada.
“Nós colocamos o foco no conflito entre fêmeas porque ele é onipresente em outros vertebrados que cooperam na reprodução, mas tem sido ignorado na teoria da evolução da história da vida humana até agora”, disse Cant à Folha.
Para Cant e seu colega, a menopausa é uma adaptação que minimiza a competição reprodutiva entre as gerações de fêmeas de uma mesma família.
Mesmo em tribos de caçadores-coletores sem acesso à moderna medicina, as mulheres param de se reproduzir em torno da meia idade —apesar de poderem viver além dos 60 anos. Em média, nessas sociedades, o primeiro filho vem aos 19 anos de idade e o último aos 38 -ou seja, a avó pára de se reproduzir na época em que sua filha lhe dá o primeiro neto.
Segundo os pesquisadores, o ser humano mostra um índice “extraordinariamente baixo” de coincidência entre as fases reprodutivas das gerações, ao contrário do que acontece com os primatas próximos, como chimpanzés e orangotangos.
Cant e Johnstone ressaltam que a hipótese do “conflito reprodutivo” não veio substituir, mas sim complementar, a “hipótese da avó”.
A “competição reprodutiva” em outras espécies favorece as fêmeas mais velhas, dominantes, que retêm status reprodutivo e procuram suprimir a reprodução das mais novas. No homem o padrão foi revertido.
Genes da fertilidade
Isso também ajuda a explicar porque na escolha do parceiro é comum ver homens mais velhos com mulheres mais novas. “Eu acho que é mais fácil entender a preferência dos machos por fêmeas mais novas como uma conseqüência da menopausa, em vez de ser a sua causa”, declara Cant.
Como os machos permanecem férteis após 50 anos mas as fêmeas não, “isso leva a uma intensa competição pelas fêmeas, e nessa competição o sucesso do macho é muitas vezes dependente de recursos —isto é, riqueza—, que geralmente é acumulada por machos mais velhos”, diz o pesquisador.
Agora, a dupla começa a usar seu modelo para pesquisar quais genes afetariam o precoce término da fertilidade e por isso tenderiam a se acumular no genoma. “Isso poderá no futuro ajudar a dar pista sobre as bases genéticas da falha prematura ovariana e outras doenças da baixa fertilidade”, diz Cant.


Ato sexual ideal dura de 3 a 13 minutos, diz estudo

Uma relação sexual satisfatória dura entre três e 13 minutos, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Penn State, no Estado americano da Pensilvânia.
A pesquisa contou com a participação de 50 integrantes americanos e canadenses da Sociedade de Pesquisa e Terapia Sexual, incluindo psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas familiares e enfermeiras. Todos os envolvidos recolheram dados de milhares de pacientes durante décadas.
O estudo, publicado na revista Journal of Sexual Medicine, afirma que um ato sexual “adequado” dura entre três e sete minutos; um “desejável”, de sete a 13 minutos; um “curto demais”, de um a dois minutos; e um “muito longo”, de dez a 30 minutos.
“A interpretação de um homem ou de uma mulher de seu funcionamento sexual, ou o de sua (seu) parceira (o) tem como base crenças pessoais fundamentadas, em parte, nas mensagens da sociedade”, afirmaram os pesquisadores.
“Infelizmente, a cultura popular atual reforçou estereótipos a respeito das atividades sexuais”, acrescenta o estudo.
“E muitos homens e mulheres parecem acreditar na fantasia de um pênis enorme, ereções duras como uma rocha e relações que duram a noite toda”, afirmam os autores da pesquisa.

Pesquisas anteriores

Pesquisas anteriores indicavam que uma grande porcentagem de homens e mulheres gostaria que a relação sexual durasse 30 minutos ou mais.
”Esta parece ser uma situação propícia para decepção e insatisfação”, afirmou um dos autores da pesquisa, Eric Corty, da Universidade Penn State.
”Com essa pesquisa, esperamos dissipar estas fantasias e encorajar homens e mulheres com informações realistas a respeito de relações sexuais aceitáveis, evitando decepções e problemas sexuais”, acrescentou o pesquisador.
O estudo também poderá ajudar no tratamento de pessoas que já têm problemas sexuais.
“Se um paciente está preocupado com a duração da relação, estas informações podem ajudar a afastar a preocupação com problemas físicos e fazer com que ele seja tratado, inicialmente, com aconselhamento, ao invés de remédios”, disse Corty.


Celular deve matar mais que o cigarro, diz médico

O uso do celular deve matar mais que o cigarro em alguns anos, segundo estudo de um médico australiano publicado na internet. Vini Khurana, um neurocirurgião que recebeu 14 prêmios em 16 anos, pede que a população use o aparelho o mínimo possível, principalmente quando se trata de crianças.
O médico analisou cerca de cem trabalhos científicos publicados sobre o tema para chegar às suas conclusões. Segundo ele, há ao menos oito estudos clínicos que indicam uma ligação entre o uso de celulares e certos tipos de tumor no cérebro.
“Já há previsões de que esse perigo tenha mais ramificações para a saúde pública do que o amianto ou o fumo. Isso gera preocupações para todos nós, especialmente com a geração mais nova”, afirma Khurana, que é professor de neurocirurgia na Faculdade Nacional de Medicina da Austrália, no estudo.
A comparação entre as mortes causadas por cigarro e por celular se deve ao fato de, atualmente, cerca de 3 bilhões de pessoas usarem esses aparelhos, número três vezes maior que o de fumantes, afirmou ele ao jornal “The Independent”.
Processo lento
Para Khurana, ainda não há mais dados sobre o assunto pelo fato de a intensificação no uso dos celulares ainda ser recente. Ele afirma que o período de “incubação” —tempo entre o início da utilização do aparelho e o diagnóstico do câncer em um indivíduo— dura de dez a 20 anos.
“Entre os anos de 2008 e 2012, nós teremos atingido o tempo apropriado para começar a observar definitivamente o impacto dessa tecnologia global nos índices de câncer de cérebro”, diz ele.
Para evitar o problema, Khurana sugere, entre outras medidas, que as pessoas evitem ao máximo o uso do celular, dando preferência ao telefone fixo. Ele pede também moderação no uso de Bluetooth e de headsets (fone de ouvido com microfone) sem fio. Outra dica, de acordo com o médico, é usar o viva-voz para falar, mantendo o celular a pelo menos 20 cm da cabeça.
Em janeiro deste ano, o governo francês pediu “prudência” no uso de celular pelas crianças, apesar de não ter dados científicos que comprovem os malefícios do aparelho para a saúde.
O ministério pediu que as “famílias sejam prudentes e saibam usar estes aparelhos”, lembrando que é recomendado o uso moderado do celular, principalmente pelas crianças, “que são mais sensíveis porque seus organismos ainda estão em desenvolvimento”.


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