O brasileiro da pedra lascada

Beni Galter

Na opinião de cientistas e arqueólogos, a grande floresta amazonica possue áreas enormes cobertas de água,e quando este volume liquido cobre quilômetros de vegetação, não é a situação ideal para o desenvolvimento da espécie humana, porque tal característica dificulta em muito a caça, fator importante para a sobrevivência dos habitantes do lugar. Em algumas partes da Amazônia, esta é uma realidade.
Li recentemente numa revista que,por volta de 1990 a 1992, a professora Anna Roosevelt, da Universidade de Illinois e também curadora do Museu Field da cidade de Chicago, em expedição na Amazônia Brasileira, achou indícios de uma cultura que teria evoluído em plena bacia do grande rio a aproximadamente 11.200 anos.
De 1990 a 1992,Anna fez oito viagens a um sitio arqueológico em Monte Alegre, município que fica a 1169 quilômetros de Belém do Pará.
Ela já havia estudado as cerâmicas do Museu Paranaense Emilio Goeldi,em Curitiba ,e estava convencida da passagem do homem pré-histórico por aquelas bandas. Com uma equipe composta de brasileiros e alguns estrangeiros, chegou a caverna da Pedra Pintada,e lá encontrou muito mais do que esperava encontrar.
Os vestígios provam que o homem habitou aquela caverna - e prova-velmente também outros locais - há pelo menos 11.200 anos em quatro épo-cas diferentes ao longo dos últimos 1.200 anos. Este estudo das datas foi confirmado por cinco laboratórios diversos,e põe a prova a teoria de que a ocupação do continente Americano ocorreu há somente 12.000 anos atravez do estreito deBering; mas a maior reviravolta diz respeito a própria evolução do homem: "Esta descober ta mostra que o desenvolvimento humano em florestas tropicais não apenas era possível, como até natural." Diz Anna Roosevelt.
Nas escavações efetuadas na caverna da Pedra Pintada,foram encontrados 24 instrumentos de pedra, entre as 30.000 lascas desenterradas ali. As analises de laboratório mostraram que o material foi feito de dois tipos de pedra: 60% de quartzo e 40% de calcedônia, o que faz supor uma mudança de tecnologia que se processou ao longo do tempo. Os fragmentos devem ter pertencido a facas,laminas de machados, pontas de flecha e também de lança.
Pedaços de madeira carbonizados, ajudaram a identificar o que era usado nas fogueiras que aqueceram os seus habitantes. Entre diversas espécies foram encontrados: Jutai, Achuá. Junto do carvão, foram encontradas sêmentes de frutas como: Pitombas, Castanha-do-pará, o que permitiu se estabelecesse a provável dieta de alimentícia daqueles seres.
Embora comesse muita fruta,o povo das cavernas brasileiras era carnívoro. Este fato é comprovado pelos restos de ossos de animais carbonizados,também encontrados em abundancia nas escavações. Havia ossos de peixes das espécies: pirarucu, traira, dourado, bagre, alem de aves, morcegos, ostras, cobras, rãs, roedores, e até de grandes mamíferos como Anta.
Nas paredes da caverna, foram descobertos desenhos rupestres com diversos estilos, o que leva os pesquisadores a duas conclusões: podé ser que a caverna tenha sido habitada por povos diferentes. Ou então que a técnica tenha se modificado ao longo do tempo, pois sabe-se que o pigmento vermelho usado nos desenhos é oxido de ferro, extraído do hematita.
Monte Alegre, o município onde se encontra a caverna da Pedra Pintada, fica a margem esquerda do Rio Amazonas, e o sitio estudado onde tantas descobertas foram feitas, fica a 10 quilômetros do mesmo rio. As pinturas também foram encontradas em seis outros locais diferentes, fato que faz supor que os brasileiros das cavernas ou eram muito numerosos, ou se locomoviam para áreas bastante longínquas, com certa facilidade.
Quem sabe no futuro, outras descobertas virão colocar mais luz, neste passado ainda tão nebuloso, deste imenso pais tão maravilhoso que é o nosso Brasil. Quem viver, verá.
Beni Galter é colaborador


Big Brother Brasil: não deu, Gyselle!

“Não é o mal que arruína a terra, mas a mediocridade. O crime de Nero não foi ter tocado enquanto Roma ardia, mas ter tocado mal”. (Ned Rorem, “O Diário Final”, 1974).

Alonso de Oliveira

O que não é possível fazer com um apresentador talentoso: transformar uma coisa insossa e fútil em algo extremamente palatável e objeto do desejo de milhões de brasileiros que assistiam ao Big Brother Brasil até altas horas da noite. Torciam por seu candidato predileto, enviavam “e.mails” para que ele fosse mantido no programa. Ou determinavam sua exclusão da “casa”.
Como se a sorte do País estivesse em jogo... Tivesse a população o mesmo desvelo ou a mesma atuação na vigilância e fiscalização de seus políticos, dos prefeitos, vereadores, deputados, senadores, secretários, ministros... E até do presidente da República ou dos integrantes do Poder Judiciário.
Reinam plenos e absolutos confiando na incapacidade de ser pegos em suas estripulias por quem quer que seja. Até pela Justiça, excessivamente normatizada e burocratizada. O povo brasileiro é e sempre será espoliado pelos poderosos de plantão...
A Globo é a porta-voz do Brasil, queiram ou não seus detratores. Tudo o que seus locutores afirmam é tido como verdade insofismável, a despeito de outras emissoras brigarem entre si com a pretensão momentânea e pressurosa de – quando se superam – alcançar a liderança. Para isso, lançam mão de peças milionárias de marketing nos principais órgãos de imprensa do País.
Coitadas! Anos-luz de distância as separam da líder. Enquanto ficam na espreita de algum engano fatal que a Globo não cometerá, a emissora dos Marinhos investe fundo na carência do povo brasileiro e em sua pouca instrução.
Eminentes publicitários elaboram programas televisivos que caem ao gosto do público: exploram a sensualidade, sugerem o chulo, quando não induzem os telespectadores a ele. Mas não são explícitos; pois alertam que os programas não são recomendáveis a menores de catorze anos. Entretanto, elas mostram cenas que até os pais mais conservadores não deixarão de ver. Claro, acompanhados dos próprios filhos, a quem os programas não são sugeridos.
Liberou geral mesmo. Que mico não se paga para parecer moderno, para não ser rotulado de reacionário ou careta. E quanto mais os pais tentam não sê-lo, no domínio da intimidade dos garotos eles são praticamente execrados e ridicularizados.
A Globo só não explicita mais ainda a sexualidade e a pornografia por força de alguma tênue resistência que a proteja de ser reconhecida como o berço real do exagero, da malícia, da leniência e da licenciosidade que tomara conta dos meios de comunicação e atingira os brasileiros em seu ponto nevrálgico: a família.
O resultado é a constatação do óbvio: todos precisam viver. Pedro Bial, competente e culto, depois de sete programas sendo emburrecido por aqueles homens talhados e por aquelas mulheres lindas e voluptuosas, mas vazios e inconsistentes. O apresentador “ainda” consegue manter seu laivo crítico enquanto se dirige aos participantes.
Quem o conhece um pouco mais além do que as imagens televisivas globais permitiam ver percebia sua simpatia por Gyselle. Só faltava declarar seu voto. Ademais, eles se encontraram ao vivo e, decerto, Bial, com toda a sua astúcia, apreendida nos bastidores globais e nos programas sucessivos, impressionara ou sugerira sua simpatia prévia no tom de voz ou pela narrativa típica que utilizava.O apresentador galanteador e glamuroso que aparentemente permitia a liberdade de escolha, mas que queria o resultado.
Ou não! Pois quem ganhou foi o Rafinha; por uma diferença desprezível. É como agora pretendem os deputados do Piauí esclarecer como a Globo obtivera a fração centesimal parra determinar a vitória do candidato campineiro.
Ninguém saberá, claro. E é este o mistério que servirá para dar sobrevida ao programa. E para aumentar a audiência da Globo.
Alonso de Oliveira, jornalista. Foi secretário de Administração, coordenador de Recursos Humanos e diretor de Suprimentos da prefeitura de Americana


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