Área de equipamentos médicos exige desenvolvimento industrial

Marcos Antonio Ribeiro

Com o aumento da expectativa de vida da população, o setor de transformação de plásticos se aperfeiçoa para atender com eficiência o rigoroso controle de procedimentos e processar resinas plásticas específicas que atendam as solicitações da área médica

Semanalmente, são divulgados os freqüentes e contínuos avanços das áreas médica, hospitalar e odontológica. As novas descobertas se dão não apenas no aspecto biológico e em novos processos de cura, mas também no que se refere às tecnologias em equipamentos e em processamento de materiais, em especial, resinas plásticas utilizadas na fabricação de produtos voltados à melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Os segmentos ligados à saúde exigem investimentos em pesquisas constantes e eficiência industrial. Um dos grandes desafios dos pesquisadores e indústrias de produtos médicos é reduzir a rejeição por materiais que entram em contato com o organismo. O aperfeiçoamento e desenvolvimento de materiais biocompatíveis e hemocompatíveis fazem a diferença na hora de salvar vidas.
O aumento da expectativa de vida torna ainda maior a necessidade de se fabricar produtos mais duráveis, de melhor qualidade e de maior nível de bio e hemocompatibilidade. Estudos em todo mundo levam ao desenvolvimento de novos dispositivos, com o aprimoramento das propriedades das resinas plásticas e das tecnologias de fabricação, que melhorem a qualidade dos componentes, aumentando sua vida útil.
O domínio de técnicas de processamento e transformação das resinas plásticas interfere na qualidade dos produtos, pois requerem cuidados especiais não somente pela aplicação dos componentes, como também pelas características técnicas dos materiais, máquinas e dispositivos especiais. A adoção e prática destes procedimentos aliadas ao ambiente apropriado – como salas limpas isentas de qualquer tipo de contaminação – são essenciais e exigem cuidados extremos na manipulação de materiais e operação de equipamentos, com regras rígidas de assepsia e tratamentos especiais para máquinas e materiais produtivos.
Não apenas por questões éticas e humanitárias, este segmento tem importância também no aspecto econômico. De acordo com dados apresentados no Fórum de Biotecnologia e Biomateriais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o setor movimentou mais de US$ 40 bilhões em 2005, com crescimento de 12% ao ano. Segundo a Associação dos Fabricantes de Produtos Médicos e Odontológicos (Abimo), o faturamento do setor no Brasil atingiu R$ 6,7 bilhões em 2006.
Os plásticos são utilizados em todas as áreas da medicina, com aplicações cada vez mais sofisticadas e complexas, como bolsas para sangue, luvas descartáveis, peças para respiradores ou aparelhos de anestesia, instrumentos cirúrgicos e implantes, passando por materiais absorvíveis, entre outros, as resinas estão presentes em cerca de 300 mil itens utilizados na área médica, indicados para todas as partes do corpo.
Estudos avançam também na produção de resinas desenvolvidas especialmente para o fim a que se destinam, com propriedades e aditivos específicos para determinada aplicação. Mas ainda há muitos caminhos a percorrer. O emprego de resinas plásticas é fundamental na evolução da área de componentes médicos, pois permite elevar a funcionalidade dos produtos e reduzir o custo de produção dos mesmos. E as indústrias têm um papel decisivo neste processo. Vale lembrar que muitos destes itens nem sequer poderiam ser fabricados em outros materiais.

n Marcos Antonio Ribeiro é vice-presidente da Unipac, empresa que há mais de 30 anos foca seus objetivos estratégicos no segmento de transformação de plástico e no fornecimento de resultados sistêmicos, de bens e serviços, aos seus parceiros. Tem como propósito prover soluções inovadoras, que integram serviços e tecnologias de aplicação de polímeros e agregam valor à cadeia. É referência para empresas nacionais e internacionais e considerada uma das indústrias mais completa do país, pois executa oito processos de transformação em seu parque fabril.


Os impostos sobre os salários

Marcos Cintra

O Brasil tem uma renda per capita anual equivalente a 9% da registrada na Dinamarca, mas os impostos sobre os salários em ambos os países ficam em média na casa dos 42%. Em economias como a coreana e a mexicana, por exemplo, os tributos não chegam a 10% dos rendimentos do trabalhador.
Os 42% extraídos dos salários no Brasil é uma média do que é cobrado tanto do trabalhador (imposto de renda e INSS) como da empresa (INSS, Salário-Educação, Seguro de Acidente do Trabalho e Sistema “S”). Mas, há casos de trabalhadores com rendimento bruto equivalente a 10 salários mínimos onde a tributação ultrapassa 54%. Já para um assalariado que ganha o equivalente a 30 salários mínimos os tributos somam mais de 60%.
A elevada cobrança de impostos sobre os rendimentos do trabalhador explica em boa parte o fato de metade da população ativa do país não possuir carteira assinada e mantém um elevado contingente de mão-de-obra desempregada. A informalidade e o desemprego são fenômenos determinantes para o desequilíbrio financeiro da previdência observado nos últimos anos, o que tem pressionado a carga tributária. Em apenas sete anos o déficit do RGPS dobrou em relação ao PIB, passando de 0,9% para 1,8%.
O projeto de reforma tributária apresentado pelo governo (PEC 233/08) não enfrenta efetivamente o problema dos impostos sobre os salários. Visando corrigir essa situação, a bancada do Partido da República (PR) está elaborando um projeto para desonerar o trabalho, tanto para o empregador quanto para o empregado. A proposta, batizada de imposto mínimo, propõe acabar integralmente com o INSS sobre a folha de pagamentos das empresas e parte do imposto de renda da pessoa física incidentes sobre os salários.
Para reduzir a carga tributária para as empresas e gerar receitas estáveis para a Previdência Social, o PR propõe o fim dos 20% do INSS patronal. Em seu lugar seria criada uma contribuição previdenciária de 0,5% sobre o débito das movimentações financeiras. No tocante à redução dos impostos sobre os assalariados o projeto prevê a elevação do limite de isenção do IRPF, cuja perda de arrecadação seria compensada através da cobrança de uma alíquota de até 0,5% sobre o crédito das movimentações financeiras.
Alguns pontos que merecem destaques no projeto referem-se ao fato de que as pessoas que movimentam até o limite de isenção do IRPF, hoje de R$ 1.372,81, não recolheriam o imposto de renda mínimo sobre a movimentação financeira; o teto para o fim do IRPF poderia alcançar o limite de R$ 30 mil mensais; e seria extinto somente o IRPF referente ao ajuste anual e o retido na fonte sobre o trabalho, o IR sobre rendimentos de capital, remessas ao exterior e outros continuariam sendo cobrados como ocorre atualmente.
O imposto mínimo atende uma necessidade urgente na economia brasileira que é a redução dos impostos sobre os salários. Importantes lideranças dos trabalhadores e empresariais têm se manifestado favoravelmente ao tributo. O projeto poderia reduzir os impostos sobre os rendimentos do trabalhador em mais de 60%. Os custos empresariais seriam significativamente menores, a renda disponível dos assalariados cresceria e seria estimulada a criação e a formalização de postos de trabalho.

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.


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