Ser um “grande cébebro” em termos de qualidade e inteligência é importante para o desenvolvimento de qualquer pessoa. Mas agora cientistas descobriram que ter um cérebro grande, em tamanho mesmo, pode ser muito importante. Eles acreditam que pessoas com cérebros maiores possam ter um tipo de defesa natural contra o mal de Alzheimer.
A equipe da Universidade de Portland estudou 477 voluntários que doaram seus cérebros para a pesquisa científica (após a morte, é claro!) e percebeu que algumas pessoas idosas tinham todos os marcadores do mal de Alzheimer no órgão, mas morreram sem nenhum dos sintomas.
“Foi uma surpresa. Eram pessoas com os grandes aglomerados de proteínas que são resultado da perda de neurônios característica do Alzheimer e que morreram lúcidas, sem nenhum dos problemas ligados à doença”, afirmou a autora principal do estudo, Deniz Erten-Lyons, que apresentou seus resultados na Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia, em Chicago, nos EUA. “São pessoas obviamente resistentes à degeneração dos neurônios e queríamos entender por que isso acontece”, disse ela.
Erten-Lyons e seus colegas, então, selecionaram 24 pessoas que foram diagnosticadas com Alzheimer antes da morte, dentro do grupo de 477. E também 12 que apresentavam as marcas no cérebro, mas nenhum dos sintomas. O número não é tão grande porque os cientistas fizeram questão de pegar apenas aqueles que tinham sido examinados por um médico no máximo um ano antes da morte e que, com certeza, não desenvolveram os sintomas da doença. E também pessoas com históricos parecidos, com mesmo nível educacional e social, para diminuir as chances de obter resultados errados.
Os pesquisadores então trabalharam para encontrar o que havia de tão diferente entre essas pessoas. E descobriram: o cérebro de quem não desenvolveu o Alzheimer era, em média, bem maior do que o dos pacientes da doença.
“Não sabemos por que isso acontece. Há duas possibilidades”, explica a autora. “A primeira é que pessoas com cérebros maiores simplesmente precisem de muito mais perda de neurônios para que o Alzheimer apresente algum sintoma. A segunda é que essas pessoas sejam mais resistentes à perda de neurônios em si e, por isso, acabem com cérebros maiores na hora da morte”, afirma.
A descoberta pode ser um passo importante para a pesquisa de uma cura para o mal de Alzheimer, ou então, de novos remédios mais eficientes. “O mais importante, acredito, é mostrar que precisamos encontrar novos enfoques em nossos estudos. A cura pode ser encontrada nesses casos raros”, afirmou Erten-Lyons, que aproveitou para agradecer as pessoas que doam seus corpos para a ciência após a morte. “Este é um exemplo claro de avanço que não seria possível sem o compromisso desses vountários”, disse ela.
Após uma longa espera, o laboratório farmacêutico Sanofi-Aventis anunciou o início da venda do medicamento antiobesidade Acomplia (rimonabanto) no Brasil. De acordo com a empresa, até o fim do mês farmácias de todo o país já poderão comercializar o medicamento.
Aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril de 2007 e liberado pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) em julho do mesmo ano, o remédio aguardava o fim das negociações do laboratório pelo preço de comercialização do produto.
Segundo a assessoria de imprensa do laboratório, o preço máximo para o medicamento será de R$ 225 para a caixa com 28 comprimidos. O Acomplia só poderá ser comprado em farmácias mediante receita controlada.
No entanto, antes mesmo de ser comercializado oficialmente no Brasil, o remédio podia ser encontrado em sites de negócios, como o MercadoLivre.
Conhecido como “pílula antibarriga”, o Acomplia é considerado uma promessa para o tratamento de pacientes com obesidade ou sobrepeso. O remédio, no entanto, é indicado apenas para pessoas que possuem obesidade associada a fatores de risco como diabetes tipo 2 e dislipidemia (aumento anormal da taxa de lipídios no sangue).
Estudo mostraram que o uso do rimonabanto ajuda a diminuir a barriga e reduz os índices de triglicérides (gorduras no sangue). O medicamento também melhora o controle das taxas de açúcar no sangue, ajudando a regular o diabetes, e aumenta o HDL, conhecido como bom colesterol.
Aprovado em mais de 50 países e já é usado por mais de 500 mil pacientes em todo o mundo, o medicamento, no entanto, foi vetado em junho do ano passado por um comitê de 14 especialistas do FDA, a agência norte-americana que regula os produtos alimentícios e farmacêuticos.
A agência decidiu observar por mais tempo os efeitos colaterais do medicamento, especialmente os distúrbios psiquiátricos que foram associados a ele, como depressão, ansiedade e problemas de sono.
De acordo com a Anvisa, os resultados das pesquisas clínicas demonstraram que, obedecidas as indicações médicas, o remédio é seguro.
O laboratório alerta que o medicamento não é recomendado para pacientes com histórico de distúrbios depressivos e doenças psiquiátricas não controladas.
Uma enquete com 1.400 cientistas realizada na internet pela revista britânica “Nature” revela que já está disseminado na comunidade acadêmica o uso de drogas para melhorar o desempenho intelectual. Um em cada cinco entrevistados disse já ter feito uso “instrumental” de remédios que normalmente são usados para tratar problemas psiquiátricos.
A droga mais popular entre os cientistas, ao que parece, é a Ritalina, usada para tratar crianças com TDAH (transtorno do déficit de atenção por hiperatividade). Segundo entrevistados, ela melhora a capacidade de concentração para estudos e pode valer a pena mesmo tendo efeitos colaterais.
A enquete da “Nature” sobre o assunto foi iniciada no começo do ano, motivada por um artigo de pesquisadores da Universidade de Cambridge sobre aspectos sociais e éticos desse novo fenômeno. A idéia do trabalho veio de um editorial da própria “Nature”, que defende a pesquisa de drogas com propósito específico de melhorar desempenho acadêmico.
A revista —influente em praticamente todas as áreas da ciência— recebeu tantos comentários sobre o trabalho que decidiu fazer uma sondagem própria. A enquete divulgada ontem não tem valor de censo —o questionário era voluntário—, mas revela o que parece ser um fenômeno emergente na maior comunidade científica do mundo, a dos EUA (de onde vieram 70% das respostas).
Num fórum de discussão no site da revista, a discussão sobre aspectos biológicos tomou o rumo esperado, com todos concordando que é preciso pesar os efeitos colaterais indesejáveis de algumas dessas drogas contra os benefícios que elas trazem a quem é saudável. Contudo, 45% dos entrevistados consideram que, independentemente da questão de segurança resolvida, precisa haver restrições.
“Talvez o fator mais polêmico seja mesmo a questão ética”, diz o neurocientista Alfredo Pereira Júnior, da Unesp de Botucatu, que entrou no debate. “Nossa sociedade não aceita, por exemplo, o doping no esporte, porque pode haver uma certa concorrência desleal por parte de quem se beneficia da droga.” E, para o cientista, a questão dos efeitos colaterais também não está bem resolvida, já que o mecanismo de ação da Ritalina, por exemplo, é pouco conhecido. “O cérebro é muito complexo e mexer no balanço de excitação e inibição dos estados de consciência] pode ser imprevisível.”
É difícil saber, porém, até que ponto a moda do doping acadêmico pegou. Cientistas dos EUA ouvidos pela Folha, por exemplo, disseram não ter tido contato com a prática.
“Aqui no nosso laboratório trabalhamos com compostos que estimulam a neurogênese [nascimento de novos neurônios], não com essas drogas. As pessoas aqui gostam de comer chocolate, por causa dos flavonóides, e de fazer exercício, duas coisas que têm esse efeito”, diz o biólogo Alysson Muotri, do Instituto Salk, da Califórnia. “Pelo que sei, isso [uso de Ritalina] está mais espalhado na costa Leste dos EUA.”
O geneticista Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, diz que esse ainda não é assunto discutido com naturalidade nos corredores. “Cientista é gente careta. Isso não seria bem visto”, diz. Para lidar com a pressão dos prazos, sua receita é outra. “A saída que a maioria usa é a boa e velha privação de sono.