Pacientes do SUS têm direito ao melhor atendimento

dr. Antônio Carlos Lopes

Recentemente vêm sendo divulgadas pela imprensa informações de que a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, ligada ao Ministério da Saúde, pretende alterar o quadro da assistência médica no Brasil através da residência médica e da graduação em medicina, além da temerária revalidação automática dos diplomas de médicos cubanos.
Pretendem estimular, na graduação, o ensino em locais onde não existem condições mínimas para o aprendizado da medicina, a fim de sanar a deficiência de médicos nas regiões de fronteira e de difícil acesso. Na mesma linha, a política do Ministério da Saúde preconiza a revalidação de diplomas de cubanos, cuja formação é questionada e baseada fundamentalmente em uma medicina sanitarista.
Tal proposta é lamentável, pois estes locais precisam antes ter condições de aprendizado, com equipe multiprofissional, plano de carreira e remuneração adequada. Certamente os profissionais competentes, graduados nos grandes centros, teriam mais interesse em atuar nessas localidades, caso elas fossem adequadas à boa prática médica.
Portanto, não resta dúvida de que querem implantar uma suicida proposta de formação de médicos para o Sistema Único de Saúde. Porém, devemos ter médicos bem formados para atender a todos, pobres e ricos. Afinal, os pacientes do SUS também merecem um atendimento médico digno.
Infelizmente não se poderia esperar algo diferente de um órgão governamental que tem sua política centrada fundamentalmente na distribuição de preservativos e de pílulas do dia seguinte, na liberação do aborto, e na falida prevenção da dengue, da AIDS, da febre amarela, e agora também da leishmaniose.
 
Antônio Carlos Lopes - Professor Titular da Disciplina de Clínica Médica da Unifesp/EPM, Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, e Ex-Secretário Executivo da Comissão Nacional de Residência Médica/MEC


Amadurecimento eleitoral

Armando Correa de Siqueira Neto

Você sabia que existe um considerável número de informações sobre a vida política brasileira? Bem ao seu alcance? Um bom exemplo é o site da Câmara dos Deputados (camara.gov.br). No local, há a seção “Transparência”, que dá acesso à leitura de vários itens como orçamento, relatório, cargos, contratos, licitações, concursos, verbas, viagens. Mais: pode-se acessar “Deputados” e constatar: proposições de sua autoria, discursos, votações, presença, biografia. Ou ainda, o endereço eletrônico do Senado Federal (www.senado.gov.br) permite consultar, em Atividade Legislativa, volumoso número de pronunciamentos (desde 1965), e também, pautas das discussões atuais. Outra indicação é farejar notícias através do buscador de jornais e revistas, especificando o nome de quem se deseja tomar contato. Há muito para se analisar. Dá para nadar de braçada nessa piscina de documentos e opiniões. Você arregaçaria as mangas e mergulharia em tal diligência eleitoral? Talvez seja oportuno e bem conveniente.
Vale destacar então que em 5 de outubro os eleitores brasileiros comparecerão às urnas a fim de eleger prefeito e vice-prefeito (mais de 5.500 postos para ambos os casos) e vereador (entre 50 e 60 mil postos, cuja variação pode se dar por eventual aprovação de emenda constitucional). E, segundo turno, se houver, ocorrerá em 26 de outubro, nas cidades com mais de duzentos mil eleitores.
A população, por conseguinte, se deparará novamente com um momento democrático de grande relevância, visto ser simples o cálculo pelo qual se percebe que o Brasil, em toda a sua história, confronta os 42 anos (8,27%) de exercício da democracia e os 466 anos (91,73%) de autoritarismo. No primeiro caso, considera-se de 1945 a 1964 e de 1985 a 2008. No segundo, de 1500 a 1822, com o Brasil Colônia, de 1822 a 1889, com o Brasil Império, de 1889 a 1945, com o Brasil República, e, de 1964 a 1985, com a ditadura militar. Assim, não é tarefa simples atuar democraticamente se ainda não há experiência e maturidade suficientes para tal. Logo, embora não haja tal condição favorável, é preciso lançar mão de outro recurso para se combater os riscos.
Mas o exercício democrático demanda pesquisa e reflexão. Portanto, é indicado que se procure prefeito, vereadores, dentre outros, e se mantenha diálogo que forneça tudo quanto seja útil na apreciação. Verificar projetos de lei, obras de relevância em prol da sociedade etc. O interessado, porém, deve ir atrás, se dedicar e não ceder ao velho hábito da desistir antes mesmo de se obter qualquer resposta.
Outras oportunidades de se usar o pensamento crítico se encontram nas aparições públicas feitas pelo candidato, tanto no corpo-a-corpo quanto nos palanques e também a propaganda política veiculada através da mídia. Deve-se observar se o Código Eleitoral não é ferido, por exemplo: “Art. 8º Não será tolerada propaganda: V – que implique oferecimento, promessa ou solicitação de dinheiro, dádiva, rifa, sorteio ou vantagem de qualquer natureza. IX – que caluniar, difamar ou injuriar qualquer pessoa, bem com o atingir órgãos ou entidades que exerçam autoridade pública”. É conveniente tomar contato com a legislação que regula a eleição, haja vista poder detectar eventuais transgressões, e, assim, reforçar o caldeirão das avaliações eleitorais.
Atente-se a irregularidades e discrepâncias a partir das várias informações colhidas com o seu trabalho investigativo. Cerque-se de material para tomar decisões consideráveis, sobretudo aquelas que causam impactos profundos na maneira de viver socialmente. A responsabilidade do cidadão demanda maior nível de percepção sobre o que pensa e faz. É preciso alterar o modus operandi da época das eleições, pelo qual ouve-se o que os candidatos têm a dizer (especialmente, a prometer), avaliar uma obra ou outra apenas, simpatizar ou não com ele e votar baseado em tais critérios. Para se alcançar melhor resultado é preciso se dedicar mais. Não há mágica, há crescimento por meio do esforço e do conhecimento que se obtém, muitas vezes, a duras penas, mas vale cada suor derramado.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas, palestrante, professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. Co-autor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006.


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