Origem e destino da família

Armando C. de Siqueira Neto

Na matéria “A família está acabando”, publicada na revista Veja, edição de 23 de abril de 2008, o psicanalista francês Charles Melman, interpreta as mudanças em curso relacionadas à dissolução do núcleo familiar. Ele destacou: “Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso...”. Mais: Os jovens procuram o consultório psicanalítico não em razão de “reprimirem seus desejos, mas porque não sabem o que desejam”.
Na análise do fenômeno, entretanto, não se considerou a possibilidade de o modelo familiar (criação do próprio homem) se encontrar desalinhado com as novas demandas exigidas pelas pessoas após uma série de atualizações psicológicas e sociais sofridas sobretudo nas últimas décadas. Ou seja, ele tende a ser superado se não houver uma “revolução” sobre a sua estrutura e dinâmica.
Não se pretende aqui, defender a idéia de extinção da família. Não. O fato, contudo, por sua exorbitante dimensão, merece maior aprofundamento reflexivo.
Cumpre-se então recorrer a Freud (o mesmo autor que deu base a Melman), através da obra “O mal-estar na civilização”, e constatar: “Em sua pré-história simiesca, o homem adotara o hábito de formar famílias, e provavelmente os membros de sua família foram os seus primeiros auxiliares. Pode-se supor que a formação de famílias deveu-se ao fato de ter ocorrido um momento em que a necessidade de satisfação genital não apareceu mais como um hóspede que surge repentinamente e do qual, após a partida, não mais se ouve falar por longo tempo, mas que, pelo contrário, se alojou como um inquilino permanente. Quando isso aconteceu, o macho adquiriu um motivo para conservar a fêmea junto de si, ou, em termos mais gerais, seus objetos sexuais, a seu lado, ao passo que a fêmea, não querendo separar-se de seus rebentos indefesos, viu-se obrigada, no interesse deles, a permanecer com o macho mais forte”. Tal apreciação merece ser revista, a fim de se reestruturar o que convém. A referência familiar tradicional declina frente ao descompasso das importantes e emergentes circunstâncias que se impõem ao cotidiano das relações humanas. Por conseguinte, muitos rejeitam tal padrão, hoje, insuficiente.
Em suma, é fundamental refletir a respeito, para que, a partir deste ponto, se crie nova condição de convívio a um sem número de pessoas que não conseguem se enquadrar, tanto pais quanto filhos, pois se vê claramente a contraposição de descendentes frente a uma tradição imposta por seus ascendentes. Não é apenas na ausência do modelo familiar que se revela a transformação pela qual atravessa a sociedade, mas na sua ultrapassada presença também.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637), consultor, professor e mestre em Liderança. Co-autor dos livros Gigantes da Liderança e Educação 2006.


Crime bárbaro: quem são os assassinos de Isabella?

Virgílio Pinto

Embora todas as evidências mostradas pela perícia policial, os criminosos continuam persistindo em camuflar todas as provas que indicam os autores de tamanha barbaridade. Só não admitem a verdade aqueles que por razões lógicas não querem antecipar o que é tão evidente.
O pai e a madrasta de Isabella alegam qua pararam o carro na garagem do apartamento e Alexandre - o pai - levou Isabella que estava dormindo e a colocou na cama em seu quarto. Em seguida, fechou a porta do apartamento e voltou buscar os outros filhos que estavam dormindo no carro, quando subiram novamente, ele, as crianças e mais Ana Jatobá para o apartamento.
O impossível é, para quem quer que seja, procurar compreender que se Isabella estava dormindo, de onde surgiu o sangue que marcou o assento do carro e que ficou comprovado que era da própria menina. E, se Alexandre colocou a filha dormindo na cama, de onde veio ou de onde surgiram os respingos de sangue até próximo a janela, digo, ate próximo a porta do outro quarto do apartamento? Mais curioso ainda é como que a janela que tinha uma tela foi cortada com uma faca e tesoura por onde a menina foi jogada. Como se explica o sangue encontrado também no lençol da cama, os fiapos da tela na roupa de Alexandre e as digitais de Ana Jatobá no pescoço da menina? A marca da sola do chinelo de Alexandre suja de sangue que aparece também no lençol, de onde veio? Por que razão a toalha usada para limpar o sangue da menina foi lavada? Por que outras peças em que haviam marcas de sangue também foram lavadas? Por que o pai de Isabella quando olhou a filha semimorta estendida no chão, ao invés de chamar o resgate para prestar assistência que o caso exigia, em primeiro lugar foi telefonar para os avós da menina?
Todas essas controvérsias são realmente muito curiosas!
Agora, uma coisa é certa; passe o tempo que passar, tudo o que é feito na face da terra, por mais oculto que possa ser, um dia vem à tona. Quem planta colhe o fruto da própria planta que plantou. Ninguém estranho vem fazer a colheita. Quem plantou é que vai fazer a própria colheita.
Aquele que comete crime e julga que camuflando-o está livre de punição, passa logo a ser punido na existência da própria vida. Deus não castiga nínguem; cada um recebe a compensação do próprio ato.

Virgílio Pinto - colaborador


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