Fábio Assunção volta ao cinema como detetive perturbado

O centro sujo de São Paulo dá o tom ao filme "Bellini e o demônio", ainda inédito em circuito comercial e exibido segunda-feira no Cine Fest Petrobras Brasil-NY, nos Estados Unidos. Fábio Assunção volta a interpretar o detetive Remo Bellini, que aparece neste segundo filme perturbado e doentio.
Seqüência de "Bellini e a esfinge" (2001), o filme é inspirado na série literária de Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, e traz um respiro ao cinema nacional, que tradicionalmente não ousa se aventurar por searas diferentes, como o terror, o suspense e o policial.
Na história, Bellini vive enfurnado em seu apartamento, barbudo, maltrapilho, sem comer e à base de remédios. Mas uma adolescente é morta, em um caso que parece ter relação com rituais satânicos, e ele se vê de volta à ativa, contratado para encontrar uma obra chamada "Livro da lei". A jornalista Gala (Rosanne Mulholland) também passa a investigar a história da jovem assassinada, e nesse percurso acaba se encontrando com o o detetive particular, seu antigo "affair".
O "Livro da lei" traria as palavras de Lúcifer, escritas pelo famoso ocultista Aleister Crowley, e consistiria numa invocação do anti-Cristo. De acordo com a lenda, quarto pessoas teriam de ser mortas durante a Lua Cheia para que o demônio assumisse sua nova forma. E é assim que a onda de assassinatos começa.
Aleister Crowley (1875-1947) é um personagem real, e as histórias que o cercam são cheias de misterios. Ele foi envolvido em seitas obscuras e teve muitos seguidores durante toda a vida. O "Livro da lei" foi de fato escrito por ele e e uma de suas obras mais famosas.
Tudo interessante o suficiente para estar em um bom filme, não fossem os problemas de estrutura e roteiro de "Bellini e o demônio". A história, por ser complexa e retratar os devaneios de seu protagonista, precisava de um cuidado mais especial. Muita coisa não fica clara, e o filme segue em frente, apesar de o espectador muitas vezes se perder. E quando a história começa a ficar envolvente, é lançada ao público uma conclusão que seria genial se tivesse conseguido ser bem executada.


Gramado premia Renato Aragão com Kikito por carreira

O humorista Renato Aragão, o Didi, abriu a festa do 36º Festival de Gramado, no Palácio dos Festivais, ao receber um Kikito de Ouro especial por sua carreira de 47 filmes, incluindo os 7 que estão entre as 10 maiores bilheterias do cinema brasileiro. O trapalhão lembrou seu começo difícil, hostilizado pela crítica, e diz que o reconhecimento - ele recebeu, há pouco, homenagem da Academia Brasileira de Cinema - chega no momento certo, em que ele precisa de estímulo para seguir adiante, enfrentando os blockbusters de Hollywood, como Batman - O Cavaleiro das Trevas, que ocupou quase todo o mercado e deixou o outrora campeão com 80 salas para o seu Guerreiro Didi e a Ninja Lili.
Nome Próprio, longa de Murilo Salles, abriu a mostra competitiva e provocou polêmica em Gramado. Em uma cena do filme a protagonista, Camila, diz que seu blog não é um diário nem interativo e acrescenta que ela escreve das entranhas, visceralmente, porque é o que a mantém viva. Mais tarde, ela também diz que precisa organizar o caos de sua vida. Salles baseou-se na experiência da blogueira Clarah Averbuck, famosa pelo despudor (sem juízo ético nenhum na palavra) com que se expõe. No blog, ela pode não querer interação nem que as pessoas opinem sobre sua vida. Como personagem de cinema, é diferente.
A própria Clarah polemizou com o diretor, no debate realizado segunda pela manhã. Ela gosta do filme - senão, como explica, não estaria em Gramado -, mas não se sente retratada nele. Segundo ela, os textos de Camila, a personagem, não são os de Clarah, a autora. Sua literatura, goste-se ou não dela, é muito referencial. No filme, a literatura de Camila também é, mas são as referências de Murilo Salles, o diretor, para tratar do desamparo e do feminino (ou do desamparo feminino).


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