Monteiro Lobato

henrique Matthiesen

Em análise divulgada recentemente Monteiro Lobato foi apontado como o autor mais lido do Brasil. Nacionalista convicto, o autor centrou a sua obra em personagens ligados à cultura brasileira, especialmente no campo onde nascera e fora criado, misturados ao folclore brasileiro. Muitos deles de grande sucesso como Jeca Tatu, o Saci, Narizinho, Dona Benta, Tia Nastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa.
Jeca Tatu auferiu existência em 1917, a partir da aversão de Lobato com os constantes enfrentamentos com os cablocos da fazenda onde residia e administrava. Inerte e inteiramente distinto dos caipiras imaginado pela literatura do período, Jeca Tatu suscitou inúmeras discussões, por ser um personagem símbolo do anacronismo e do infortúnio que representava o campo no Brasil.
O camponês volta à cena na publicação de Urupês, mais uma vez como modelo de um camponês brasileiro, mas desta vez desamparado à adversidade pelos poderes públicos. De volta da Argentina, em 1947, Lobato reedita o polêmico Jeca Tatu, em seu derradeiro livro, Zé Brasil, dessa vez na pele de um labutador sem-terra triturado pelo latifúndio.
Mas foi por meio da série Sítio do Picapau Amarelo - um sítio no coração do Brasil onde se passou a maior parte das suas histórias infantis - Lobato se consagrou no consciente das gerações que cresceram sob a influência da sua literatura. O primeiro fruto da série, A Menina do Narizinho Arrebitado foi anunciada em 1920 e, a partir daí, outros tantos livros infantis de sucesso nasceram tendo como cerne os personagens que viviam as histórias mágicas.
Aliás, sonho e magia eram substâncias imprescindíveis nas idéias infanto-juvenis de Monteiro Lobato. E, no princípio da década de 1930, mais precisamente em 1931, os primeiros livros da série foram reunidos na obra Reinações de Narizinho, em catálogo como tal até os dias de hoje. Embora fosse um árduo patrono da criação brasileira, Lobato sofreu influência direta de obras infantis estrangeiras.
A primeira apresentação do Sítio do Picapau Amarelo na TV foi em 1952, na extinta TV Tupi, dentro do programa Teatro Escola de São Paulo, e permaneceu no ar por dez anos, sendo um grande sucesso na época. Em 1964, foi a vez da TV Cultura exibir o célebre seriado, que permaneceu no ar por seis meses. Em seguida, em 1967, a Bandeirantes trouxe o Sítio de volta às telinhas.
No entanto, foi na Globo, com a apresentação de 1977 a 1986, que o Sítio do Picapau Amarelo auferir tamanha projeção, inclusive com versão exportada para o mundo, sobretudo para os países de língua portuguesa. Os marmanjos também foram contemplados pelo escritor em livros como O Saci Pererê: conseqüência de um Inquérito, Urupês e Zé Brasil.
Ainda a política fez parte da existência do escritor, sobretudo na ação pela defesa do petróleo brasileiro. Evidenciava inquietações com a situação brasileira e lutava por progresso na coletividade daquela época. Mas essa militância só lhe rendeu prisões e perseguições.
Nacionalista convencido, uma das ocorrências polêmicas na existência do autor foi à análise feita a uma exposição da pintora modernista Anita Malfatti. No período, muitos intelectuais passaram a ver Monteiro Lobato como um crítico reacionário.
O alvo principal das suas críticas eram os "ismos" da época que vinham do Velho Mundo: futurismo, dadaísmo, surrealismo, algo que ele mesmo considerava como "colonialismos". Por essa influência, criticou Anita Malfatti, muito embora a analisasse talentosa.
Entretanto Monteiro Lobato e um ícone da literatura Brasileira, nos transportando através de sua fantástica obra ao mundo da magia, da poesia e do conhecimento, que ate hoje encanta e influência gerações.
Henrique Matthiesen é colaborador


O cliente reclamou? Ainda bem!

Erik Penna

Ninguém gosta de ouvir reclamação. Mesmo quando a crítica é construtiva, é difícil encará-la como algo positivo ou benéfico. No universo corporativo, quando se fala em atendimento ao cliente e prestação de serviços, ouvir reclamações é algo relativamente comum, mas a forma de receber e dar tratamento às queixas é que pode fazer toda a diferença para a organização. Pense bem: o que você tem a ganhar enfrentando um cliente insatisfeito ou sendo indiferente à sua queixa?
Existem pelo menos três aspectos altamente benéficos em uma reclamação. Quando um cliente diz para a empresa com a qual mantém uma relação comercial que está insatisfeito com um determinado produto ou serviço prestado significa simplesmente que ele deseja fazer alguns ajustes nesse relacionamento. É como um casamento: quando um reclama do outro é porque existe sentimento suficiente para se resgatar e manter a relação.
Muito pior seria se o cliente tratasse a empresa com indiferença. Quando um cliente está incomodado, mas não fala nada, no momento em que menos se espera ele migra, espontaneamente e quietinho, para a concorrência. Ainda fazendo analogia ao casamento, uma reclamação é um sinal de alerta importante para ambos repensarem o relacionamento. Portanto, na maioria das vezes, não há motivo para se ofender com uma crítica. Ela pode ser um instrumento excelente para aperfeiçoamento pessoal e profissional.
Outro aspecto positivo é que a reclamação de um cliente pode servir como consultoria, ainda que involuntária, para a empresa. Na maioria das vezes, ele mostra, de maneira inequívoca e sincera, uma série de erros que ela vem cometendo, sem ao menos se dar conta. Uma consultoria, aliás, cobra caro para dar os mesmos conselhos que o cliente pode dar.
Caso a empresa não possa atender ao pedido do cliente, que pelo menos lhe dê atenção, garantindo que ele seja ouvido. Tanto quanto obter soluções, as pessoas desejam ser ouvidas e seus pontos de vista respeitados. Saber ouvir é algo que não implica custo financeiro para a organização, mas ainda assim é uma qualidade muito desejada de um profissional, independentemente do setor em que atua.
Portanto, ao ouvir uma crítica, procure todos os aspectos positivos que ela pode trazer. Se você conseguir se focar apenas neles, evitando a tendência natural de confrontar o cliente ou esquivar-se do problema, todos saem ganhando - o cliente é ouvido, a empresa consegui retê-lo e o profissional aprende que, com flexibilidade e jogo de cintura, pode transformar um problema em aprendizado e resultados. Muito longe de ser um inimigo, um cliente insatisfeito pode ser fonte de informações valiosas para a melhoria da gestão.
Erik Penna é consultor, palestrante, autor do livro 'A Divertida Arte de Vender' e auto-colaborador dos livros 'Gigantes das Vendas' e 'Gigantes da Motivação'.


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