Por um setor mais industrializado e profissionalizado

Expedito Eloel Arena

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que, no primeiro semestre desse ano, o país bateu seu recorde histórico de contratação de trabalhadores com carteira assinada. Em todo o Brasil, foram gerados 1,361 milhões de empregos, um aumento de 24,3% em comparação ao mesmo período de 2007. Um dos setores da economia que ainda mais gera oportunidades de emprego é o da construção civil. Somente no primeiro semestre de 2008, o setor já gerou mais vagas formais do que em todo o ano de 2007: 229 mil novos postos de trabalho. Uma alta de 106%.
No setor estão crescendo também as empresas que trabalham com a locação e venda de equipamentos para a construção civil. Nos últimos meses, este segmento pôde comemorar um aumento de aproximadamente 30%. No entanto, os números ainda estão longe do que já é realidade em países bem mais desenvolvidos. Nos Estados Unidos, enquanto se usa de um a dois equipamentos para cada funcionário, aqui no Brasil a média é de um equipamento para cada dez trabalhadores. O país ainda está longe de ser um bom exemplo de consumidor de equipamentos.
O equipamento consegue realizar o mesmo trabalho em menos tempo, mas aqui no Brasil tudo é ainda realizado de forma artesanal e menos industrializado. No entanto, a adoção de mais equipamentos, pelo que alguns podem até imaginar, não significa ou representa riscos para a criação de novas oportunidades de emprego. O que pode mudar é a exigência por uma mão-de-obra mais qualificada, por profissionais mais bem capacitados para trabalharem como mestres-de-obra. Hoje, nos canteiros de obra, é possível perceber que há uma forte escassez de profissionais com esse perfil.
O que desejamos é que o ritmo de crescimento do setor (que atualmente representa mais de 5% de todo o PIB - Produto Interno Bruto do país) seja mantido, mas que haja também um esforço para torná-lo mais próximo de uma realidade que há tempos já é vista em outros países desenvolvidos ou que agora pode também ser conferida em outros países que estão passando por esse processo de industrialização da construção civil aliada à profissionalização da mão-de-obra.
Expedito Eloel Arena é engenheiro civil e presidente da Associação Brasileira das Empresas Locadoras de Bens Móveis (Alec)


Em defesa dos direitos básicos da cidadania

Dora Sílvia Cunha Bueno

Interessante estudo realizado pelo IBGE demonstra que, em 2005, havia 338 mil fundações privadas e associações sem fins lucrativos registradas no Brasil. Essas organizações empregavam 1,7 milhão de pessoas, com salários médios mensais de R$ 1.094,44. O tempo médio de existência dessas instituições era de 12,3 anos e o Sudeste abrigava 42,4% delas. Essas instituições são, em geral, de pequeno porte, mas, somadas, realizam consistente e grande trabalho.
O relatório, produzido em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG) e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), também demonstra o importante escopo da atuação dessas organizações do Terceiro Setor, que prestam inestimáveis serviços à Nação, nas áreas da educação, saúde, promoção social, iniciação profissional, defesa dos direitos dos cidadãos, cultura, arte e lazer.
Esses números evidenciam ser absolutamente possível a mobilização articulada da sociedade visando ao bem comum, à melhoria da qualidade de vida e ao desenvolvimento. Tal postura é crucial para se cumprir um pressuposto básico da democracia: a igualdade de oportunidades. É nesse contexto que realizamos, em 13 de setembro, o 4º Encontro Paulista de Fundações", no Colégio Rio Branco, em São Paulo. Promovido pela Associação Paulista de Fundações (APF), o evento tem como tema "A transparência e sucesso das fundações".
A rigor, devemos entender a transparência como fator condicionante ao sucesso dessas organizações em sua meta de contribuir para o desenvolvimento brasileiro. Os resultados de seu trabalho também devem ser visíveis, de modo a demonstrar que a melhoria do quadro social brasileiro, apontada por respeitados organismos internacionais, não é fruto apenas dos programas do governo, mas também da mobilização e responsabilidade do Terceiro Setor.
Com certeza, o exercício da responsabilidade social contribui muito para a inclusão de milhares de brasileiros nos benefícios da economia e nas prerrogativas da cidadania. Nesse sentido, eventos como o Encontro Paulista de Fundações contribuem para que essas organizações troquem experiências e aperfeiçoem seu trabalho. Além disso, têm efeito multiplicador, à medida que difundem mais amplamente modelos bem-sucedidos de projetos e programas sociais e disseminam a consciência de que vale muito a pena trabalhar pelo bem comum.
As fundações cumprem, portanto, expressivo papel, contribuindo para mitigar a exclusão. Trata-se de trabalho indispensável, não só no Brasil, como em todo o mundo, considerando que o Estado não tem capacidade de equacionar sozinho todas as demandas inerentes à dívida social. Assim, a mobilização da iniciativa privada é imprescindível, principalmente nas nações em desenvolvimento e nos países emergentes, nos quais ainda persistem sérios gargalos no atendimento aos direitos básicos de todos os cidadãos.
Dora Sílvia Cunha Bueno é presidente da Associação Paulista de Fundações (APF) e da Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF).


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