Pe. Cipriano
A figura de Papai Noel é uma alegoria de quem inspirou, este bom velhinho que entrega presentes, associado ao comercio,na sociedade em que vivemos. Evidente que as crianças em seu mundo de fantasia, acreditam este Papai Noel que vem do céu, abaixando nas grandes lojas, recintos, parques etc..
A pessoa de São Nicolau foi traduzida no Papai Noel de hoje e dos tempos passados. Quem foi São Nicolau? Foi bispo de Mira, antiga cidade da Costa Meridional da atual Turquia. Este santo foi transformado pelo seu carisma de caridade para com os pobres, em ícone de Papai Noel. Por ser velho, de barbas brancas longas e bondoso para com todos o mundo inteiro passou a cultuar Papai Noel, apesar da comercialização do natal.
No dia 6 de dezembro celebra-se a festa de São Nicolau, pouco conhecida entre nós, devido o Papai Noel que assumiu a sua imagem, espalhou-se por todo o mundo.
Mesmo na Turquia não há referencia deste santo, a não ser uma Basílica dedicada a ele, e um manuscrito do século IV, que fala de sua pessoa que ajudou materialmente muitas pessoas, teve uma vida longevo, e sobre sua vida há varias histórias.
Há em especial dois elementos; sobretudo a partir do século VIII, sua terra natal de origem, o sul da Turquia, estava ameaçada pelos muçulmanos, que não tinham muito interesse em sua figura. As relíquias dele, foram tiradas da Turquia em 1087, e levado a Bari, permitindo seu culto no Continente Europeu.
Foi um traslado do mais oportuno, porque haveria sido marginalizado em um futuro país islâmico. Deste modo seu culto manteve-se, com base na basílica na qual conserva seus restos mortais.
Em segundo lugar, esta reforma, que se difundiu na Europa Setentrional, nos séculos XVI e XVII, que reduziu muito os significados dos santos.
Desde o século XVI, a cada 6 de dezembro, Nicolau chegava trazendo presentes às crianças do Norte da Europa, passando através do chaminé. Era uma figura muito popular e muito amada e isto parece ter-lhe dado a força de resistir durante um período no qual as imagens e as estatuas dos santos eram derrubadas e queimadas e destruídas.
Como evoluiu a figura de Papai Noel? O amor a Nicolau manteve vivo seu culto até finais do século XVII. O nome "Sainta Claus" (Papai Noel) deriva da pronunciação americana da palavra holandesa "Sinterklass". São Nicolau e Papai Noel são portanto a mesma pessoa, ainda que muitos não saibam. Por outro lado, são representados de modo diverso porque o representam em lugares e tempos diversos. Logo, a tradição dos presentes que até então era uma celebração local estacional,na qual se trocavam-se objetos feitos em casa, estourou em algo muito maior. Inicia-se a produção em massa, difundia-se o comercio,e chegavam os jogos do Norte da Europa e tudo se podia comprar.
O uso dos presentes se tornou algo irreconhecível, e isto fez nascer a exigência de encontrar ao espírito da entrega de presentes. São Nicolau era quem, nas tradições holandesas e inglesas do velho mundo, representava o doador.
As pessoas popularizam a imagem de Santa Claus, ainda não por fins comerciais no século XVIII. Somente no século XX começou adquirir suas características atuais: as renas, o trenó,os sinos. Elementos que são simplesmente característicos do mundo que emergiu: naquela época, os trenós eram os meio principal de transporte, no inverno na Turquia. Portanto foi tomando forma estas características e associado cada vez mais ao âmbito comercial.
Hoje em muitos lugares familiares se tornou um rito em falar de Papai Noel e o que celebramos até hoje.
O mais importante não perder o autor de todo este acontecimento,e aniversariante do dia que é Jesus Cristo, que nasce, que nos renova em seu amor e nos ensina que a partir da pobreza de uma manjedoura, nos ajude a partilhar.
Pe. Cipriano é Paroco da Igreja São José
João E S Ginetti
Reunidos na Academia Católica da Baviera em Janeiro de 2004, o filósofo Jürgen Habermas e o cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI, debateram sobre “as bases pré-políticas e morais do Estado democrático”. A discussão entre um dos mais influentes pensadores da contemporaneidade e o cardeal do dogmatismo também tratou da oposição e da complementaridade entre a razão e a fé, tema este que aqui uso de objeto.
Ratzinger defendeu que a ética e a moral não encontraram maneira de coexistirem com a evolução da ciência e das tecnologias, e Habermas salientou a necessidade de haver mecanismos institucionais (jurídicos) para controlar o poder do homem diante dessa ausência de ética.
O desenvolvimento das habilidades humanas, que fez o homem criar e destruir com uma capacidade muito maior e de maneira mais rápida, faz parte de um mesmo processo social: o desencantamento do mundo. Depois do surgimento do Iluminismo e a queda do Teocentrismo, agora seria o momento da secularização – a mudança de significados e de importância da religiosidade, do valor do sagrado, além da emergência da comunicação de massas.
“O desencantamento do mundo”, inclusive título da obra de Pierre Bordieu (1979), explicaria, por exemplo, as mudanças sociais representadas nos índices de casamento e divórcio, que são instituições culturais e esta última condenada pelas religiões. Na sociedade secularizada, cada vez menos casamentos são registrados, ao passo que cada vez mais divórcios ocorrem; a religiosidade, por sua vez, perde força. O último Censo, realizado em 2000, comprovou este fenômeno no Brasil: mais de 12 milhões das pessoas se declararam sem religião, número que surpreendeu os pesquisadores; uma outra pesquisa apontou o crescimento das igrejas evangélicas neopentecostais e a queda das tradicionais.
No entanto, de poucos anos para cá, alguns dados começaram a surgir como marco de uma possível mudança. Os registros de casamento estão aumentando ano a ano – de 715 mil em 2002 para 889.000 em 2006 –; e os indicadores de divórcio demonstram estabilização – foram 138 mil registrados em 2003, número que caiu para 133 mil em 2004 e subiu para 152 mil em 2005 –.
O aumento no número de fiéis das igrejas contribui para a tese do “reencantamento”. Diante do atual estágio da civilização, definida pela crise de valores (como defende o Papa Bento XVI), o que se vê é a retomada da valorização destas máximas. Na juventude da era liberal, surgem ícones morais e religiosos, como a banda norte-americana “Jonas Brothers”, que pregoa a castidade antes do casamento. No âmbito político, o que se percebe é a valorização dos representantes de vertentes mais ortodoxas (fora os EUA, todos os países do G-8 que realizaram eleições optaram pelo conservadorismo).
A questão não é a religião, mas esta exerce grande influência com relação a valores morais. Na nossa sociedade, nova, contemporânea, “moderna”, “globalizada”, perdemos a crença – a crença no bom caráter das pessoas, na seriedade das instituições políticas e religiosas, na força do vínculo comunitário, na justiça, na amizade, na verdade. Será que agora veremos o reencantamento do mundo?
João E S Ginetti – formando em Sociologia pela PUC-SP
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