Oswaldo Vicentin
Na minha infância lá pelos lados do meu saudoso Bairro do Santo Antonio do Sapezeiro, tinha a mania de ser curioso. Gostava de ouvir conversas dos adultos. Espiava por frestas de portas e janelas. Por buraco de fechaduras então, ganhava a taça de campeão. Era um cara de pau mesmo. Sabia tudo o que acontecia na casa grande de meu avô. Minhas tias vinham cansadas depois de dura jornada na roça, e quando me viam comentavam - "esse menino alem de peralta é curioso"! Talvez essa seja a causa de ser predestinado em ouvir fofocas de baixo de minha janela. E à poucos dias não deu outra. O galo ainda estava cantando no momento que levantei para fazer o costumeiro café. Ouvi vozes. Vinham da calçada. Como de costume fui aproximando mansamente como um gato ao lado de minha janela. Eram duas mulheres falando alto:-
- E aí Ritinha, como vai a nova vida de viúva?
- Que nova vida nada, minha cara Conchita. Continuo a mesma.
- Não parece! Parece uma tremenda gata, minha querida! Quem te viu e quem te vê, em? Arrumou os cabelos, fez novo penteado, está de mini saia mostrando tudo que Deus lhe deu! Você rejuvenesceu minha santa! Antes você andava toda desarrumada, relaxada, credo! Conta-me logo, quem é o bofe?
- Sem essa de bofe, apenas dei uma ajeitadinha né? Afinal não perdi certos atrativos. Você entende né?
- Entendo. E como entendo! Uau!
- E você minha prezada viúva Conchita, fala de mim, mas é você que arrebenta a boca do balão com esse corpaço! E que visual em? Tu, também não perde tempo em?
- Sabe Rita, faz um ano que o Bernardão me deixou. No começo senti sua ausência, mas depois tudo passou. Sabe como é, para tudo há a conformação.
- Sei. E como sei. Por isso você está toda enfeitada?
- Vim do baile do clube União. Sambei a noite inteira.
- Isso mesmo Conchita. Quando o seu falecido Chicão estava vivo não deixava você fazer nada mesmo, tamanho era o ciúme. Alem disso ele vivia em bares, parecia sócio da 51 e da skol. Isso sem contar os três maços de cigarros por dia. Quando o encontrava, parecia uma chaminé ambulante! Ah,ah.
- É, sabe como dizem por aí? Ruim com ele, pior sem ele. Mas, vamos mudar de assunto. Fiquei impressionada com a quantidade de viuvinhas dançando no baile. Tinha viúvas para todos os gostos. Ainda agora que só se fala em mulher fruta.
- Até isso, Rita? Como assim mulher fruta?
Ora! Você não vê na televisão? Tem mulher melão, melancia, pêra, pêssego, só falta, a mulher banana..
- Diz aí, amiga Rita, como é a mulher banana?
- Mulher banana é a mulher ingênua, otária. É aquela mulher solteirona ou viúva de idade avançada entrando na conversa e sendo iludida por garotões vagabundos, ou viciados em drogas. Acabam entrando no golpe do baú!
- Golpe do baú? Como funciona, Rita?
- São garotões de muita lábia. Primeiro eles conquistam, dizendo que estão apaixonados. Aos poucos vão adquirindo confiança. Vão se apropriando dos bens, usam o carro, usam a senha, a conta bancária. E quando a otária percebe o malandro já deu no pé. Veja o caso da atriz Suzana Vieira. Serve de exemplo. O tal de Marcelo Silva já tinha aplicado o golpe. A sorte que ela descobriu em tempo. Isso sem contar que muitas vezes acontecem tragédias, como da mulher que foi assassinada esta semana em São Paulo.. Pó! A mulher tinha sessenta e um anos e o garoto vinte e nove! Pode?
- Sabe, minha querida Rita, se tiver alguém para me dar as mãos e me acompanhar os restos de meus dias, tem que ser um homem responsável, que me ame. Pode ser bem mais novo. E que não seja da idade de meus netos, como muitos casos de atrizes por aí. Será que nossos falecidos maridos nos perdoam?
- Nem se preocupe minha prezada Conchita! Todos que se foram perdoam, e desejam muitas felicidades para os que ficaram! Senão como eles estariam no céu? Todos, maridos e esposas, companheiros, e companheiras, desejam muita PAZ e alegria, principalmente nestes dias em clima de FESTAS NATALINAS. Porque, todos não esqueceram o maravilhoso conselho de JESUS:- "Amai-vos uns aos outros como eu voz amei"!
- Caramba Rita! Hoje você está inspirada heim? Gostei do conselho. Desculpe-me, mas tenho que ir. Desejo, a você e a toda família, um Feliz Natal, e um próspero ano novo.
- O mesmo desejo a você e família, minha querida Conchita. Espero sempre te encontrar feliz.
- Gostei de ouvir as viuvinhas! Afinal nossa passagem neste mundo é tão curta, e cada minuto deve ser bem aproveitado! Aviso:- senhoras solitárias, cuidado com o golpe do BAÚ!
Oswaldo Vicentin é Contador e colaborador.
Paiva Netto
Santa Catarina necessita agora do apoio de todos. Fortes chuvas carregam destruição e morte a seu povo. Até mesmo o Rio Grande do Sul sofre os efeitos dessa tragédia no que se refere ao fornecimento de gás natural proveniente da Bolívia. O estrago causado pela tormenta das águas tem sido tanto que, normalizado o clima, virá ainda o trabalhoso período de reconstrução. A Legião da Boa Vontade, presente, leva o socorro imediato e a indispensável palavra de conforto e esperança. Para o dr. Volnei Morastoni, prefeito de Itajaí/SC, uma das cidades mais castigadas pelos temporais, “é exatamente essa solidariedade, esse espírito de nobreza das pessoas, das entidades, que precisamos cada vez mais fortalecer e fortificar. É isso que nos dá forças para, de fato, vencer desafios como este. Como prefeito, só tenho a agradecer. A presença de vocês aqui é mais um ato, mais uma demonstração dessa importante atitude de estar junto nos momentos difíceis”.
Até o fechamento desta coluna, o triste saldo do lastimável acontecimento contabilizava 99 mortes, entre elas, a de oito crianças menores de 10 anos. Somam-se a isso 27.410 desabrigados e 51.297 desalojados. A população prejudicada chega a 1,5 milhão. Cerca de 64 mil imóveis estão sem energia elétrica. O governo do Estado decretou luto oficial de três dias.
Solidarizo-me, de todo o coração, em nome da Legião da Boa Vontade, com aqueles que, neste instante, padecem condições tão dolorosas.
Prestando, num resumo, contas do trabalho da LBV, Derli Francisco, de Florianópolis, informa que “a Instituição, por meio do seu Centro Comunitário e Educacional, recolheu roupas e agasalhos para as famílias atingidas pela cheia em diversos municípios catarinenses. As doações foram entregues à Assembléia Legislativa, que contribui no transporte delas para a Defesa Civil do Estado. Desde as primeiras horas de segunda-feira, 24/11, a LBV disponibilizou pontos de coleta em várias cidades. No momento, a maior carência é de água potável, gêneros alimentícios não-perecíveis, colchões, cobertores, travesseiros, lençóis e material de limpeza. Em Blumenau, doamos alimentos, entre eles caixas de leite, encaminhados à escola Almirante Tamandaré, que acolhe os desabrigados”.
Anote, por favor, alguns endereços dos Centros Comunitários e Educacionais da LBV, em Santa Catarina, e ajude também: Florianópolis/SC: Rua General Eurico Gaspar Dutra, 226 — Estreito — tel.: (48) 3271-4300. Joinville/SC: Rua Monsenhor Gercino, 3.304 — Itaum — tel.: (47) 3431-4200. Blumenau/SC: Rua República Argentina, 2.551 — Ponta Aguda — tel.: (47) 3322-1480.
Conseqüências imprevisíveis
Alguns cientistas creditam à ação do Ser Humano contra a Natureza fator preponderante para o aumento dos desastres naturais. Outros discordam. Contudo, é inegável que, com o clima da Terra em desequilíbrio crescente, as conseqüências são imprevisíveis.
O ensinamento de Jesus
Diante dos fatos mundiais, não somente telúricos, vale a pena ler, ou reler, as palavras de Jesus, Divino Ativista do Bem, sobre Solidariedade, no Evangelho, segundo Mateus, 25:35 a 40: “Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; adoeci e me visitastes; estive na prisão e fostes me ver. Então, os justos Lhe perguntarão: Senhor, quando Te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e Te demos de beber? E, quando Te vimos estrangeiro e Te hospedamos? Ou nu e Te vestimos? E, quando Te vimos enfermo ou na prisão e fomos Te ver? E, respondendo, o Rei lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.
Quão extraordinária lição de Fraternidade e Solidariedade, a ser com persistência seguida, não apenas nas horas de dor pungente, porém por todo o percurso da vida particular e em sociedade. Situa-se entre os mais altos graus da política verdadeira!
José de Paiva Netto é Jornalista, radialista e escritor.
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