(Adriana Falcão, escritora e poeta brasileira, no livro Mania de Explicação).
Alonso de Oliveira
Nada como uma boa tragédia ou um bom escândalo para azeitar as rotativas dos jornais e fazê-los vender mais. Azeitar e rotativas no sentido simbólico... Já não se fazem mais jornais como antigamente...
Hoje tudo é moderno, inclusive a ética com que eles são elaborados. E, também, claro, a dos leitores. Eles não os lêem mais, apenas batem-lhes os olhos, com a única sensibilidade de devorar as páginas repletas de colunáveis e outras celebridades. Principalmente as tolices que são impostas por colunistas, cujo único interesse é o de alimentar sua vaidade e a dos homenageados, inflar o ego, fomentar a inveja. E por aí segue.
Até que surja um 'tsunami' na Indonésia, a erupção de algum vulcão extinto - há sempre um cientista com sua verdade absoluta dos fatos - pelo mundo ou ocorram as enchentes atuais de S. Catarina. De preferência com muitas vítimas, muitos desabrigados e feridos, muito desespero com a fome e as doenças se instalando e, claro, principalmente, a emoção.
Os âncoras das tevês - ao vivo -, com seus jornais informativos e os apresentadores de programas inúteis - também ao vivo -, espetaculosos e repletos de bobagens, permitem aos telespectadores ter de sobremesa as imagens apenas distantes da desgraça que aflige a todos. E ter o sentimento de solidariedade despertado pelos profissionais da notícia. Eles, com sua voz embargada, postura austera e expressão sóbria comovem e enganam, dando detalhes escabrosos que a oportunidade requer, num verdadeiro estelionato.
Escandalizam e prendem com correntes subliminares a atenção do telespectador, sedento de curiosidade e ávido pela invasão da intimidade alheia, vibrando - no íntimo - com ela. Afinal, ibope na tevê, no rádio ou no jornal é coisa séria. E tempo - mormente o mau - é dinheiro.
E da parte do governo federal pior exemplo não se tem: o presidente Luís Inácio Perdulário da Silva viaja com toda a segurança para a área inundada e destruída e com crueldade incontida e sensibilidade zero, disfarçada apenas por aquela voz encantadora de serpentes, anuncia a imediata liberação de recursos para enfrentar a tragédia.
Quanto? Três ou quatro bilhões e uns quebrados de reais. Claro, a mesma sensibilidade que tivera quando acudira os bancos da possibilidade de virem a quebrar. Justamente eles que negociam e cobram caro por algo que não lhes pertence: o tempo.
O tempo é de Deus. Inclusive o mau e o bom tempo... Tanto que, havia dois anos ou um pouco mais, os catarinenses amargaram uma estiagem desértica que lhes propiciara a secura de suas terras cultiváveis e quase a extinção da água de seus rios. Agora que água lhes é farta também amargam...
Voltando ao tempo comercializado pelos bancos: a merreca que o presidente da República liberara - a qual o prefeito de Blumenau aludira que seria bem-vinda se viesse logo - para fazer frente às enchentes representa o lucro de um único banco, o do Bradesco, claro, quando antes da união do gigante Itaú com o não menos Unibanco.
Óbvio que sob os aplausos de toda a comunidade de empresários, dos economistas, administradores de empresas e consultores das mais renomadas técnicas de como ganhar dinheiro em menos tempo, restringindo os direitos dos empregados, por exemplo, e auferindo grandes lucros, para garantir o sonho norte-americano: depois de tanto trampar, garantir-se para não mais ter de trabalhar, contrariando, entrementes, a máxima cristã de que "viverá com o suor de seu rosto".
Santa Catarina merece muito mais. Prova de que faltava uma tragédia para adicionar à crise que se vislumbra, mesmo com o presidente iludindo a população para o consumo desmesurado como garantia incondicional de manutenção do emprego: toda a mídia se agarrara a ela, garantindo picos de audiência e conduzindo o brasileiro a abrir mão do que não tem para permitir um mínimo de dignidade ao irmão catarinense.
É necessário inverter a onda. Em vez de conclamar o povo brasileiro, provocando sua emoção à solidariedade, tornando-o alheio à reflexão e à crítica, é necessário exigir do governo federal a contrapartida. Há dinheiro para tudo. Socorrer bancos, montadoras, o agronegócio e os 'hermanitos' bolivianos e equatorianos - levando deles o pé no traseiro... Redicando, contudo, com verdadeiro conta-gotas frente às crises que envolvem o brasileiro. Suas burras estão abarrotadas de dinheiro, propiciadas pela cegueira governamental de querer confiscar o patrimônio alheio.
Catarinenses, mãos à obra! Vamos construir uma nova Santa Catarina! Chega de reconstruir! Planejar, eis a palavra de ordem, pôr fim a todo resquício que lembre uma vez mais essa tragédia e tirar as cidades vulneráveis das proximidades do perigo de novas enchentes ou dos deslizamentos. É isso.
Alonso de Oliveira, jornalista, RG 5.209.484. Foi secretário de Administração, coordenador de RH e diretor de Suprimentos da prefeitura de Americana.
E. mail: alonsoliveira@hotmail.com
Plínio Vilela
É com certa freqüência que eu recebo e-mails com basicamente a mesma pergunta: "Professor, eu estudei XYZ na faculdade, tenho trabalhado na área sem muito sucesso e agora me interessei por W e gostaria de saber a sua opinião sobre mudar ou não de área...". Em geral essa informação vem acompanhada da situação específica vivida pelo indagador, por exemplo, idade, filhos, salário, qual área é XYZ e qual área é W.
A resposta a essa pergunta depende de tantas variáveis específicas a cada situação que praticamente qualquer resposta que eu der vai estar errada. E, portanto, qualquer coisa que eu responder vai ser usada para me culpar mais tarde.
Mas como eu não gosto de deixar ninguém sem resposta, começo dizendo: "Bom, fulano de tal, se conselho fosse bom..." e concluo "sendo assim use seu próprio julgamento para decidir.". O conteúdo entre essas duas frases vem da discussão a seguir:
Em geral as perguntas que eu recebo dizem respeito a migrar para a área de desenvolvimento de software, mas o conteúdo da minha resposta pode ser aplicado a várias áreas.
O que temos que considerar antes de iniciar o processo de mudança de área de atuação? Inicialmente devemos procurar identificar o que não está indo bem no que estamos fazendo atualmente. Muitas vezes as pessoas colocam que não conseguiram oportunidades para atuar na área de formação dentro das empresas que trabalharam. Por isso não têm experiência prática e não conseguem evoluir naquela área. Outras culpam a má formação obtida na faculdade onde estudaram pela dificuldade em conseguir oportunidades de crescimento.
Em resumo, quase ninguém que quer mudar de área se diz bem sucedido, mas insatisfeito naquela área. Sendo assim a pergunta que as pessoas estão realmente fazendo é: "Como eu faço para ser bem sucedido?".
Comece identificando uma atividade profissional que você realmente gosta, aquilo que você sente que tem o dom para fazer. Se essa atividade já está dentro da sua área atual, talvez você não precise mudar de área, basta focar mais no que você realmente gosta. Caso essa atividade não esteja dentro da sua área atual, faça um planejamento para uma migração gradual. Faça alguns cursos, converse com pessoas que atuam na área desejada, visite essas pessoas em seus locais de trabalho para ver como é a dinâmica do dia-a-dia na nova área. Se for possível procure fazer alguns trabalhos free-lance e depois que já tiver alguma experiência comprovada na nova área comece a procurar uma recolocação, um novo emprego, provavelmente em uma empresa diferente. Não se esqueça de indicar que você já tem experiência anterior em outra área, pois a combinação dessas duas áreas pode ser um grande diferencial para você.
Se der certo, ótimo! Se não der, não diga que eu não avisei...
Plínio Vilela é coordenador da especialização em engenharia de software e engenharia e administração de banco de dados da Unimep.
Blog: http://vilela.ydoo.com.br
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