A propósito

Eide Froner

Sempre quando vai chegando esta data de fim de ano, as pessoas parecem trazer no rosto um sorriso novo e nos olhos um brilho mais intenso.
Acenos, palavras amáveis, gestos mais fraternos e novas promessas de melhores atitudes.
Mas tudo que tem que melhorar, tudo que precisa ser feito, deve começar em casa. Porque é na família que está o começo de tudo.
E então você já se deu conta do valor do seu pai e da sua mãe?
Você já reparou na grande importância que tem sua família?
Ou você é daqueles que costuma dizer:"Eu não pedi pra nascer"
Você pode ainda perguntar o que eles fizeram pra você e, eu respondo:
Eles apenas fizeram você existir.
Ah mas você continua argumentando que não pediu pra nascer. Nem eles.
Sabe cara, esse homem, esse aí que é seu pai se uniu a essa mulher que é a sua mãe.
Eles pensaram em oficializar a união através do casamento, para garantir à você proteção e personalidade jurídica.
Oh menino, menina, talvez se o seu pai se comportasse com as mulheres, viu garoto, como você se comporta em relação a elas agora, talvez você nem o tivesse conhecido.
Se o seu pai fosse redondo ao invés de quadrado, talvez ele tivesse se mandado por aí.
Talvez garota, se sua mãe não fosse o que é, e fosse dessa sua geração: "num to nem ai", "to notra", "cai fora", e adepta ao aborto, talvez você nem tivesse nascido, e o mundo teria perdido essa grande figura que você é.
Se sua mãe tivesse interpretado mal, como muitas moças de hoje, a liberdade, quem sabe você teria sido criada pela vizinha e visitar sua velha de quando em vez lá na clinica psiquiátrica.
Se você acha que a educação antiquada do seu pai e da sua mãe é errada porque o tempo passou e você pode analisar a vida deles, quem é que garante que o seu amanhã será melhor?
Ah, existe falta de diálogo na sua casa, falta diálogo entre você e seus pais!
Não será porque eles deram tanto prá você e você até agora não deu nada pra eles? Apenas com a velha e desbotada desculpa de que não pediu pra nascer.
Seu pai não tem a cultura que você tem, porque o pai dele não lhe pode dar. Mas, engraçado, ele ama muito o pai dele apesar disso, e você?

Será que a cultura que ele lhe deu impede de amá-lo? Que absurdo é esse!?
Quanto mais cultura tem uma pessoa fica mais bicho.Hei bicho!
Você não precisa ser escravo do seu pai, nem propriedade dele.
Você não pediu prá nascer, mas ele não esperava que nascesse logo você.
Seja amigo de seus pais.
Aprende com eles o que eles sabem e ensine prá eles o que você sabe, se é que você sabe.
Nem você garoto, nem você rapaz, nem você garota tem o direito de fugir dessa luta.
A luta da conquista da harmonia, da fidalguia com aqueles que bem ou mal possibilitaram que você fosse aquilo que você é.
O que diria você do filhote do leão que quando estivesse mais forte, o seu pai o rei da selva o abandonasse?
Você sabe mais que seu pai, então ensine à ele o que você sabe.
Afinal de contas o que é um pai senão um filho?
Você já sabe o que vai dizer pro seu filho quando ele vier? Ou você tem medo da responsabilidade de ser pai?
Se você não sabe ainda o que vai dizer pro seu filho quando ele vier, como acha que seu pai deveria saber o que dizer prá você?
Quando você for mãe, tente dizer pro seu filho tudo aquilo que seus pais tentaram e não conseguiram e procure manter os seus filhos como coisa sua, como parte de você, com independência, porque é da unidade forte da família que se faz a cidade forte, o Estado forte e uma Nação com amor.
Fora disso é tudo mentira.
Família é onde somos tratados melhor, e é justamente onde mais reclamamos.
Pense nisso e um Feliz Natal.
Eide Froner - um cidadão filho da mãe e do pai também.


Vai com Deus Amigo Guarda Civil Municipal

Eliel Miranda

Faleceu no dia 16 de Dezembro um herói, que não foi anônimo, mas pouco conhecido. Roberto Carlos de Castro exerceu a função de Guarda Civil Municipal por quase vinte anos. Sempre disposto trabalhava feliz e se permitido fosse, trabalharia todos os dias do ano. Adorava sua profissão.
Convivi com ele profissionalmente pouco, mas pessoalmente acompanhei sua luta contra um câncer que o levou desta face de terra em pouco mais de um ano após o diagnóstico.
Castro, como era seu nome de guerra na Guarda Civil Municipal foi um homem público, que segundo quis Deus, cumpriu sua etapa nesta vida terrena com pouco mais de 40 anos de existência.
Era otimista, falava sempre na vida e em seus aspectos positivos, mesmo quando a debilidade galopante, causada pela doença, lhe roubava as forças físicas. Castro, independente das dores manteve sua postura de vencedor. Definitivamente ele não pensava em sair de cena, sua vontade de viver era contagiante. Sua vontade de vencer era tão grande que me deixou uma lição: não importa o quão longe estejamos do nosso objetivo, devemos sonhar com a sua conquista.
Em nossas viagens à Campinas, onde ele se submeteu a sessões de radioterapia eu escutava suas histórias, seus feitos profissionais e era palpável sua satisfação em ajudar o próximo, quer fosse em causas menores ou maiores.
Ah! Se todos profissionais, quer fossem torneiros mecânicos, médicos ou advogados, tivessem o carinho pela profissão como este Guarda Civil Municipal tinha... como o mundo seria melhor!
No dia 07 de setembro deste ano, ele acompanhou o desfile da Guarda Civil Municipal pela Avenida Corifeu de Azevedo Marques, fez questão de estar fardado, mesmo com prescrições médicas cautelosas e na cadeira de rodas. Ele enfrentou a emoção e sorriu o tempo todo, seu coração com certeza estava aos pulos. Ele via seus irmãos de farda passarem marchando, bem como em viaturas, ao som de sirenes e do brilho de seus giroflex e seu ser com certeza se enchia de orgulho por pertencer a uma corporação na qual ele acreditava.
Castro era uma daquelas figuras emblemáticas, jeito simples, fala meio anasalada, jogava para o "time" e não para a torcida. Lembro-me de outro ato público que compareceu fardado, também na cadeira de rodas, no qual ele agradeceu ao apoio que recebia dos companheiros e a maneira como ainda fazia piadas ficou congelado em minha memória. Assim como o sorriso que forneceu às câmeras fotográficas.
O clima no seu velório era de consternação, mas todos procuravam se consolar lembrando-se dos seus últimos dias, os quais seus sofrimentos estavam aumentando.
Este herói deixou sua arena. Com certeza está em paz. Seus filhos e esposa serão velados pelos amigos e por Deus, que nunca os abandonaram.
Vai em paz meu irmão, que seu entusiasmo possa estar sempre presente em outros membros da Guarda Civil Municipal. Guardas que nesta despedida prestaram, pela última vez, uma continência a você, amigo Castro, mais do que merecida.
Eliel Miranda - Guarda Civil Municipal


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