Natal

Sebastião Adail Ribeiro

Aprendi, desde criança, sobre a singeleza e alto significado do natal.
Era uma passagem pela Igreja Matriz, quando então apreciava os voluntários montar o cenário: a elevação das montanhas, as águas correntes, o verde da pastagem, destacando-se os animais e principalmente os carneiros, como também os reis magos; ao centro, a manjedoura e o predestinado menino Jesus.
Na antiga Rua do "Sabão", nome adotado pelas constantes trocas de denominação, hoje Rua Nicolau Mauro, esquina com a Rua José Estanislau de Oliveira, a família Longhi movimentava-se para o registro de mais um capítulo do histórico nascimento de Jesus. As famílias, muito provavelmente, procuravam difundir, através das replicas presepianas, o marcante evento e o verdadeiro sentido desse fato originário do cristianismo.
Assim, criança ou adolescente, já procurava entender "A Anunciação", quando Maria, portadora de obediência, fé, se dobra e "Sente que a alma, num vôo, aos pés de Deus lança, ao saber que vai ser a mãe d'Aquele que há de, aos que odeiam - pregar o Amor e a Caridade, aos que amam - anunciar a Bem-aventurança"! (Gustavo Teixeira, poeta).
Em Gustavo, assimilei aquela estrela (do Oriente), a qual "curvam-se os reis da Terra aos pés do Reis do Céu!". Vi a perseguição e a retirada de Maria, Jesus e José para o Egito.
Nas ruas estavam os infando-juvenis - pois era tradição e costume - a felicitar as pessoas e as famílias. Mesmo sob chuva, a alegria estava presente. Era o Natal!
As crianças, jovens e adultos interagiam e diziam: "Feliz Natal", "Felicidade", "Bom princípio de ano". Glória a Deus nas alturas e, na terra, paz aos homens de boa vontade, isto é, aos homens por Ele amados!
Quis, deliberadamente, refletir sobre a data magna e manifestações vividas e, ainda, o respeito existente entre as pessoas e famílias.
Para constatar o paradoxo do passado com a atualidade, hoje temos: "lobo transvestido de ovelha"; "o Anticristo transmudado em Cristo, parecendo-se com Cristo". O inimigo imitando a Cristo, para, ardilosamente, construir armadilhas para os homens. É verdade; quem acredita nessas ciladas e nesse estado de coisas tem o ódio a dominar a sua alma; alma que se apresenta doentia.
O que impera atualmente é o vício, bebida, droga, violência, o crime em geral, que "roubam" a tranqüilidade e a paz dos pais. Os pais, filhos e netos, acabam sendo vítimas da balbúrdia e do caos no seio familiar. Realmente é o desvario total; então se esgota a paciência, os pais perdem o controle e agridem suas próprias criaturas e vice- versa.
Faz-se necessário, nesta altura, "parar e observar", compenetrar-se sobre qual estágio estamos vivendo, bem como sua natureza. Conseqüentemente, será possível separar o joio do trigo. É importante distinguir-se o bem do mal; compreender-se uma atitude cristã e afastar os "oportunistas", que servem ao inimigo. Para que isso aconteça, basta lembrar-se da composição tradicional das famílias, que tinham o mestre Jesus Cristo na devida importância.
Ressalte-se a vida salutar que sempre propiciou tranqüilidade, respeito e a sobrevivência da humanidade. O trabalho na vida das pessoas tinha o fundamento principal: o bem comunitário e afirmação da honra e dignidade das pessoas e famílias.
Através dessa auto-análise, saibamos ajustar os sagrados princípios - fundamentos do passado, à evolução social e tecnológica, para, com Jesus Cristo, reencontrarmos e reconquistarmos os objetivos para a realização do verdadeiro papel da humanidade no mundo.
Façamos isso para que, realmente pulsando os nossos corações - cada um, templo do Espírito Santo - possamos comemorar o Natal da maneira mais cristã possível.
Que nestes tempos do advento, recoloquemos as coisas nos seus devidos lugares, para o nosso próprio bem e, por extensão, da humanidade. Será certamente o prenúncio de um bom e próspero ciclo de 2009. Que assim seja. Eis que Messias, Emanuel, Jesus, que em resumo é o próprio Deus, esteja conosco!
Sebastião Adail Ribeiro é membro da Associação dos Escritores de Piracicaba (SP).


Natal de Jesus e Direitos Humanos

José de Paiva Netto

O Natal não é época de esquecer os problemas, mas, sim, pedir inspiração divina para resolvê-los. A sua ambiência deve ser a da fraternidade, agora mais do que nunca, imprescindível para que de fato surja a cidadania planetária, que positivamente saiba defender-se da exploração mundial endêmica. Não apenas o corpo adoece, a sociedade também.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos completou no dia 10 o seu 60º aniversário. Em apoio a tão significativo marco, apresento trechos de palestras que proferi, alguns deles reunidos em "Dialética da Boa Vontade" (1987) e "Manifesto da Boa Vontade", de 21 de outubro de 1991, quando lancei a pedra fundamental do ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília, na presença de cerca de 100 mil pessoas.
Bastante se avançou desde a promulgação da Magna Carta. Todavia, há muito a ser feito para impedir que, em pleno século 21, mulheres, meninas e meninos continuem sendo vendidos como mercadoria; crianças prossigam trabalhando em fornos de carvão ou em outras atividades cujas condições são subumanas; ou que se tornem cegas por carência de vitamina A; que a perspectiva de impunidade arraste pessoas ao absurdo de roubar doações destinadas aos flagelados de Santa Catarina. Sem contar a tortura institucionalizada que se dissemina pelo planeta. Contudo, que tormento maior que a fome, além das multidões de analfabetos ou semi-alfabetizados, dos quais a perspectiva de uma existência decente é mantida distante?
Lei da solidariedade universal
Na contramão da insensatez humana, vislumbramos na vivência do Mandamento Novo de Jesus o denominador comum capaz de, fraternalmente unindo, iluminar os corações. É a religião da amizade, do bom companheirismo, destacado por João Evangelista, no Apocalipse (1:9). É a lei da solidariedade universal, portanto espiritual, moral e social. Asseverou Giuseppe Mazzini (1805-1872), patriota e revolucionário italiano: "A vida nos foi dada por Deus para que a empreguemos em benefício da humanidade". E Augusto Comte (1798-1857), o filósofo do Positivismo, concluía: "Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade".
O amor é essencial, a começar dos governantes. Os que sofrem violência o digam.
Deveres de ser humano e de cidadão
No Sermão da Montanha de Jesus, o Cristo Ecumênico (Evangelho, segundo Mateus, 5:1 a 12), vemos a exaltação aos bem-aventurados, isto é, aqueles que compreenderam ao longo das eras que, cumprindo com seus deveres de ser humano e de cidadão, têm plenamente garantidos os seus direitos, numa esfera que nem todos ainda podem conceber.
Direitos Humanos no ParlaMundi
Em 24 de outubro do corrente, por ocasião das comemorações do 19 o aniversário do Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília, a dra. Monica Sharma, diretora de Formação de Capacidades e Lideranças da Sede das Nações Unidas (ONU), participou da solenidade em homenagem aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que fez parte da Semana de Espiritualidade, Valores e Interesses Globais promovida na sede da ONU - instituição onde a LBV tem status consultivo geral no Conselho Econômico e Social (Ecosoc). Na oportunidade, foi recepcionada pelo Coral Ecumênico Infantil e, em seguida, visitou os ambientes do Templo da Paz e do ParlaMundi, o qual considerou "um espaço de coragem e compaixão, que todos precisamos manifestar".
No local, conectando-se por videoconferência a integrantes da comunidade internacional no auditório Labouisse Hall, no prédio do Unicef, na sede da ONU em Nova York/EUA, a dra. Monica palestrou sobre o tema "Como a Espiritualidade e a Consciência podem ajudar a concretizar os Direitos Humanos".
Ao conhecer o Instituto de Educação da LBV, em São Paulo, a dra. Monica, com quem tive o prazer de falar ao telefone, escreveu no livro de visitas:
"Esta educação é tão completa - uma aproximação holística:
"- Dos jovens membros da nossa família global para a juventude;
"- Da escola para o lar e a família;
"- Do aprender de matemática e ciências;
"- Da criatividade na música e balanço pelo caratê!
"Como podemos fazer disso um movimento mundial? Respeitando os valores profundos de cada religião e aprendendo a 'amar em ação'".
Ministério Público
No Rio Grande do Sul, o primeiro a constituir uma Comissão de Direitos Humanos no país, o Ministério Público realizou, em 10/12, o Seminário Anual do Fórum de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades. A matéria publicada no site do Ministério e assinada pelo jornalista Marco Aurélio Nunes esclarece que "o objetivo é integrar ações e iniciativas que possibilitem a melhor informação, implementação dos direitos e melhoria na acessibilidade das pessoas com deficiência".
Parabéns! A deficiência que mais compromete a vida em sociedade é a falta de respeito ao semelhante.
José de Paiva Netto é Jornalista, radialista e escritor.paivanetto@uol.com.br


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