RECORDAÇÃO DOS ANOS... Bom dia mãe! Bom dia pai!

Feliz Ano Novo!

Oswaldo Vicentin

Mãe, você lembra quando eu era pequeno? A gente morava lá no sítio no Bairro do Santo Antonio do Sapezeiro Você trabalhava na roça. Eu sempre levava almoço para você e o pai. Todas vezes te encontrava sentada ao lado do pé de café copado. Você estava com a cabeça envolvida num lenço empoeirado. Seu rosto suado, com aparência de cansaço, não escondia seus lindos olhos azuis, nem o sorriso meigo que você me dava. Enquanto você almoçava, eu abanava o chapéu de palha, fazendo ventinho e espantando os mosquitos. Lembra mãe? O sol já estava se escondendo no horizonte quando você chegava. Exausta, tomava banho lá no tanque, jantava, e depois ensinava a gente a rezar o pai-nosso, sob a claridade da lamparina. Muitas vezes nas caladas da noite, a gente ouvia os trovoes, e ficava com medo dos relâmpagos na janela. Você levantava, acendia velas para iluminar o nosso quarto. No final do ano a gente bebia genebra, itubaina, que o papai comprava no armazém do “Seu” Bataglia, lá perto da Igreja do Santo Antonio. Você fazia um bolo delicioso. Depois, você deixava e a gente sair de madrugada, atravessar os campos e pastos coloridos para ir pedir “bom principio” no sitio da Tia Pina. A gente ganhava uma moeda grande apelidada “patacão”. Lembra mãe?
Eu estava com cinco anos, quando o vovô comprou a casa na esquina da Rua l3 de maio, e nós mudamos para a nossa querida Santa Bárbara d’Oeste. Você foi trabalhar na tecelagem. Lembra mãe? A gente ia encontrar você na saída da fábrica. Como sempre, você estava sorrindo junto das companheiras. Mais uma vez você estava suada, e nem se importava com o vestido sujo de graxa, e as mechas de algodão nos cabelos. Lembra mãe? Mas, tinha dias que você reclamava do serviço que não rendia, dos rombos nos teares, do mau humor do contra-mestre. Suas lágrimas caiam. E quando a gente queria lhe consolar. Você dizia: “não há de ser nada, Deus vai me ajudar”. Alem de tudo, você lavava e passava nossas roupas. Dormia tarde. Você queria que todos ficassem sempre limpos e bonitinhos para ir à escola ou à missa aos domingos. Lembra mãe? Você sempre se preocupou com todos. Você animava as pessoas. Não queria ver ninguém triste ou sofrendo. Inclusive, devido ao seu nobre sentimento de altruísmo, participou da Sociedade São Vicente de Paula.
Quantas vezes você pedia para mim e amigos, usar o carro, levando alimentos e roupas aos doentes e desamparados. E mais emocionante era ver você conversar, dar conselhos e confortar os doentes. Lembra mãe? Como mulher religiosa, todos os dias ao meio dia, você elevava o som daquele “baita” radião, só para todos ouvirem as orações à Nossa Senhora Aparecida, e a eterna Ave Maria! Hoje me arrependo de uma coisa que lhe fazia.
Toda vez que lhe visitava, eu estava apressado. Apressado para ir ao bar, ou jogos. Você ainda dizia: caramba! Fica um pouco mais um pouco pra gente conversar!”. Desculpe mãe. Sei que você me perdoa. Sabe, mãe, tenho que te contar uma coisa. Lembra quando você ia à igreja, ou fazia algumas caminhadas. Você se arrumava, se maquiava, ficava mais bonita, conversava com todos. Agora todas vezes que faço minhas caminhadas, ou vou à missa, as pessoas perguntam: onde está sua mãe, aquela mulher maravilhosa, bela, simpática, extrovertida?
Respondo: está no céu! Todos respondem “Com certeza ela está com Jesus!”. Como é gostoso ouvir isso! Não é mesmo mãe? Mãe, já que você está no céu, queria lhe pedir um favor. Pede a Jesus interceder junto ao Pai Eterno, para melhorar este planeta tão lindo. Que faça mais um milagre acabando com a poluição, com o aquecimento global, e a violência. É apavorante, mãe. Tem filhos matando os pais; balas perdidas matando inocentes, gente passando fome; desmoronamento derrubando casa, ceifando famílias inteiras; ondas gigantes afogando populações; desmatamentos; extinção de peixes e animais; terrorismo. Mãe, fala para Jesus que nós ainda continuamos com a esperança de que a humanidade melhore. Mas precisamos desses milagres de Deus para que possamos ter mais amor, mais paz, e uma vida melhor a partir do ano novo. Mãe todos nós estamos com saudades, mas estamos felizes por saber que você e o pai, estão num lugar lindo. Tão lindo como as estrelas e as constelações que contemplamos em muitas noites. Então para relembrar o que fazíamos em todos finais de ano: Feliz ano novo mãe! Feliz ano novo pai!

Quero aproveitar para desejar à todos barbarenses, um Feliz no de 2009, sob as graças de Deus!. Vamos em frente!

Oswaldo Vicentin é Contador e colaborador.


A Crise Econômica e o Direito do Trabalho

Sônia Mascaro Nascimento

Desde a revolução tecnológica vivemos a crise do emprego no mundo. Com a criação de novas profissões surgiram novos empregos e, em contrapartida, outros desapareceram. Daí a necessidade da qualificação e formação profissional, que é tendência no mundo.
Claro que, em momentos como o atual, onde toda uma realidade social é acrescida de crise econômica, cresce a necessidade de preocuparmo-nos com o mercado de trabalho. Muitos juristas defendem que a nova função do Direito do Trabalho e dos sindicatos deve ser voltada para a empregabilidade e para a proteção do emprego e não para a proteção dos direitos do trabalhador. Nesse cenário, a elaboração de legislações, como a nova lei do estágio, somente engessam e tornam mais difícil o acesso ao emprego.
Ademais, o sindicato tem papel importante por conta das negociações que propiciam a preservação de postos de trabalho em troca, por exemplo, da redução de salários por um determinado período. Isto não se trata de perda para o trabalhador, mas de adequação temporária às necessidades sociais e econômicas do momento. Daí a importância da elaboração de leis mais genéricas, para não se falar em flexíveis, no sentido de possibilitar que, em momentos como de crise, as decisões drásticas da dispensa de trabalhadores sejam evitadas.
Sem essas leis, a dispensa de empregados tornar-se medida necessária de contenção de gastos pelas empresas e o que contribui muito para isso é o excesso de ônus que a legislação trabalhista e previdenciária embutem na relação de emprego.
A perda para o trabalhador está na perda do próprio emprego. Este prejuízo é maior, que a perda de direitos ou de salários. Para as empresas, a perda está na diminuição da produtividade e do lucro, empobrecendo-as em decorrência da redução do consumo. Diminuindo-se o poder do consumidor, como conseqüência, se diminui o lucro da empresa que, para conter despesas, dispensa empregados. É um círculo vicioso.
Nesse sentido, um acordo entre a organização sindical, as empresas e o governo é importante para a equação desde que a legislação permita. Daí a importância da elaboração de leis mais genéricas e maleáveis e do fortalecimento do sindicalismo.
No entanto, para fortalecer o sindicato devemos adotar por completo o princípio da liberdade sindical e a ratificação da Convenção nº 87 da OIT, para que este segmento da sociedade não permaneça à margem da competitividade a que todos estamos sujeitos. O monopólio da organização sindical causa acomodação e seu enfraquecimento. Nada adianta um número elevado de sindicatos se não há representatividade.
Sendo assim, o Direito do Trabalho tem uma série de instrumentos que poderão ser utilizados em momentos de crise financeira mais aguda como negociações coletivas para diminuição temporária de salários e criação de banco de horas, mas pode ainda criar outras medidas que conciliem os interesses das empresas, dos trabalhadores e do governo.

nSônia Mascaro Nascimento é Mestre e Doutora em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo, advogada e consultora do Sônia Mascaro Nascimento Advocacia e Consultoria Trabalhista e Presidente da Comissão de Estudos em Direito e Processo do Trabalho.


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