José de Paiva Netto
O Dia Internacional da Mulher se aproxima. Numa justa homenagem a esse ser, que dentre tantas virtudes possui o dom de dar à luz, separei trechos do meu livro "O Capital de Deus", Editora Elevação. Espero que apreciem:
É notável a sensibilidade feminina para com os assuntos transcendentais. Mirando as perspectivas dos próximos anos, em que, por força do instinto de subsistir, as consciências estarão mais fecundas a tudo o que diz respeito à ascensão moral e espiritual, convidei os que me privilegiam com seu apreço, em 2000, a darem boas-vindas ao Milênio das Mulheres.
Com atenção assisti, àquela altura, à entrevista concedida à Boa Vontade TV pela saudosa escritora Heloneida Studart (1932-2007), que dissertou sobre o relevante papel que elas vêm assumindo no âmbito da melhoria da qualidade de vida:
"O feminismo tem sido sempre o mesmo, mas enriquecido de novas reivindicações. Existe uma ala dele, principalmente no Primeiro Mundo, que agora está engajada na luta contra a pobreza, um fenômeno crescente, ao contrário do que se podia antes imaginar, e atinge, de maneira muito dura e cruel, as mulheres, muito mais do que os homens. Elas trabalham em casa e fora de casa e têm de assistir, de viva voz, olho no olho, todas as carências de sua família. (...). Fica cuidando do filho doente que não tem remédio, preocupa-se por não poder dar vitamina às crianças e não ter como comprar frutas, vê mais vezes a conta da luz que está atrasada...
"A ONU tem uma estatística mostrando que a mulher pobre trabalha mais que o homem, porque atua em várias frentes: no lar, na rua, na empresa, enfim, estão ativas em grande quantidade de horas por dia. Em geral, quando saem para o emprego, já têm duas ou três horas de serviço executadas no próprio lar e, ao voltarem para casa, ainda têm tarefas a cumprir. O aumento dos espaços de lazer para elas, com a diminuição da carga trabalhista, é uma reivindicação do chamado novo feminismo".
A mulher e a estabilidade do mundo - Não há como negar a necessária participação dos diversos setores da sociedade para que o progresso feminino alcance pleno êxito em sua pacífica cruzada de resgate da cidadania da mulher, conforme o exposto pela dra. Heloneida. Adesão total que naturalmente inclui os que gerenciam as ações político-governamentais, em que é essencial o bafejo renovador da Espiritualidade Ecumênica, sem o qual a eficiência permanecerá aquém dos anseios populares.
A mulher, o lado mais formoso da humanidade, está no alicerce de todas as realizações profundas. Aquilo que fisicamente nos concretiza encontra-se nela. Componentes do gênero feminino constituem elemento vital para a sobrevivência das boas causas. Organizações estáveis contam com mulheres estáveis. (...) O meu fito aqui é destacar quanto é primacial para a evolução humana e a segurança do mundo a missão da mulher (...).
José de Paiva Netto - Jornalista, radialista e escritor.
Valdenice dos Anjos Silva
No período de 1940-1990, a força de trabalho feminina passou de 2,8 milhões para 22,8 milhões de pessoas, aumentando sua participação na população ativa do país de 19% para 35,5%. Em 1940, quase a metade (48%) da população ativa feminina estava concentrada no setor primário da economia. Em 1990 mais de dois terços (74%) da população ativa feminina estava concentrada no setor terciário, principalmente em algumas atividades, como serviços comunitários, serviços de educação, serviços de saúde e serviços domésticos.
Os dados acima mencionados resumem as principais características da força de trabalho feminina: embora crescente, é proporcionalmente pequena e profissionalmente marginal. Vamos explicar:
É proporcionalmente pequena porque, apesar de a mulher constituir maioria na população do país, sua participação no mercado de trabalho é de apenas 35,5%. O jornal a folha de São Paulo de hoje (06/03/2008), relata que cresceu a taxa de desemprego, porém em relação aos homens as mulheres tiveram um crescimento muito baixo.
É profissionalmente marginal porque a grande maioria das mulheres que participam do mercado de trabalho exerce atividades de média e baixa qualificação profissional.
Além da pequena participação no mercado de trabalho e a marginalização profissional, existem vários outros problemas relacionados à população ativa feminina:
Os rendimentos salariais da mulher são, em geral, muito inferiores aos dos homens. Em 1990, dos trabalhadores que ganhavam até meio salário mínimo, 62% eram mulheres, e dos trabalhadores que ganhavam de 5 a 10 salários mínimos, 73% eram homens. Os baixos salários são uma das razões que explicam a preferência de muitas empresas pela mão-de-obra feminina.
A dupla jornada de trabalho ou trabalho redobrado (no emprego e no lar) que sobrecarrega violentamente a mulher.
Além de perceberem baixos salários e de exercerem a dupla jornada de trabalho, as mulheres são vítimas de preconceitos (por exemplo, o da chamada "inferioridade" do sexo feminino em relação ao masculino) e abusos (por exemplo, o assédio sexual e moral no trabalho) que são reveladores do tratamento desigual a que estão sujeitas. O caráter patriarcal e machista da sociedade brasileira está na base da marginalização profissional da mulher.
Apesar do eleitorado feminino no Brasil ser maior o número de mulheres no Parlamento Brasileiro e também no Executivo são ainda muito pouco. Nos altos cargos do escalão do governo são ocupados pelos homens.
O que significa que vai ano entra ano, situação da mulher ainda é totalmente desfavorecida, houve avanços, mas, a mulheres tiveram que lutar muito ao longo dos anos, umas com seu próprio sangue, outras com sua própria vida. Que se dependêssemos do sexo oposto ainda não teríamos nossos direitos garantidos.
Sem contar a violência ainda sofrida pela mulher, que abalroam as Delegacias de Defesa da Mulher do país, entre tantos outros casos que se quer vão ao conhecimento da polícia.
Hoje se estima em recente pesquisa, que só no Estado de São Paulo 300.000 crianças não contam com o nome do pai em seus registros de nascimento, e outra boa parte dos lares brasileiros são comandados palas mulheres que criam seus filhos sozinhas, muitas destas abandonadas pelos maridos, ou vítimas de violência doméstica, acabam que assumindo papel de "pai" e de mãe.
Enquanto não houver uma educação completa da sociedade, enquanto houver violência contra mulher, abandono de crianças, falta de políticas públicas a mulher, e de conscientização da própria mulher de seu papel na sociedade, haverá poucos avanços para mudar nossa situação no país.
Que esse dia Internacional da Mulher seja um dia de reflexão. E que sejam homenageadas todas as mulheres, independente de cor, raça, profissão ou posição social e mais ainda a aquelas que lutam por um Brasil mais justo. E finalizo com a frase de George Bernard Shaw: "Não há progresso sem mudança. E, quem não consegue mudar a si mesmo, acaba não mudando coisa alguma.".
Valdenice dos Anjos Silva, Bel.ª em Ciências Jurídicas American
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