Uma vacina contra pressão alta poderá substituir o consumo diário de remédios para controlar a condição, afirma um estudo da empresa suíça de biotecnologia Cytos, publicado na revista especializada Lancet.
A equipe de cientistas desenvolveu uma vacina que inibe o hormônio angiotensina - que provoca a contrição dos vasos e aumenta a pressão sanguínea. Em testes, a vacina reduziu significativamente a pressão sanguínea de pacientes.
Os cientistas testaram a vacina - em doses diferentes - em 48 pacientes, e compararam o resultado com o de outros 24 pacientes que tomaram placebo. As vacinas foram ministradas em três doses administradas em intervalos de poucas semanas e causaram poucos efeitos colaterais.
Os pesquisadores consideraram o resultado promissor, mas afirmam que a vacina ainda precisa ser testada em larga escala.
A pressão alta, que afeta 35% dos adultos acima de 40 anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, dobra o risco de morte por doença cardíaca ou derrame. Segundo o IBGE, em 2004 a doença afetava 17 milhões de pessoas no Brasil.
Os hipertensos têm que tomar remédios diariamente para controlar a doença, mas muitos não mantém o tratamento por que as pessoas com hipertensão não apresentam sintomas.
Os cientistas acreditam que a vacina pode oferecer uma alternativa mais simples, já que ela só precisa ser tomada de quatro em quatro meses.
Nenhuma das vacinas (com doses de 100 microgramas e 300 microgramas) baixou significativamente a pressão dos pacientes durante a noite, mas durante o dia, a dose mais alta reduziu significativamente a pressão sanguínea, especialmente no fim da manhã, quando se sabe que a pressão aumenta.
Os únicos efeitos colaterais causados pela vacina foram sintomas leves de gripe.
O cientista que liderou a pesquisa, Martin Bachmann, disse que a vacina pode oferecer uma maneira muito mais simples de controlar a pressão sanguínea e pode ser administrada durante visitas regulares ao médico.
”Um regime assim deve promover a aderência ao tratamento, mas ele tem que ser corroborado por dados clínicos.”
O professor Jeremy Pearson, da British Heart Foundation, concorda que mais pesquisas são necessárias, mas descreveu os resultados como promissores. ”A imunização pode trazer benefícios particularmente para aqueles que acham difícil continuar tomando a medicação para pressão alta, mas ainda há um longo caminho antes que o método substitua os atuais tratamentos, altamente eficientes.”
“Cuidar do coração com a prática de exercícios, redução do consumo de sal e o consumo moderado de álcool ainda são as melhores formas de evitar pressão alta.”
Tim Chico, cientista da Universidade de Sheffield, afirma que “a maioria dos pacientes não gosta de tomar remédios para a pressão alta e iria gostar de uma alternativa”.
“A imunização é uma perspectiva inovadora e animadora. O desafio é alcançar uma boa redução da pressão sanguínea sem os efeitos colaterais, e mostrar que ela reduz os ataques cardíacos e derrames tanto quanto os medicamentos tradicionais.”
Há informações de que outras empresas também estão testando vacinas contra a hipertensão.
Um estudo realizado por cientistas canadenses sugere que a toxina botulínica, principal substância do Botox, se espalha com facilidade pelos músculos além da região onde foi injetada, o que pode provocar paralisia e enfraquecimento dos músculos vizinhos.
Publicado na edição desta semana da revista científica “Journal of Biomechanics”, o estudo foi liderado pelo médico e pesquisador Walter Herzog, da Universidade de Calgary. Ele vinha usando a toxina botulínica como parte de suas pesquisas sobre artrose e a influência do enfraquecimento dos músculos na degeneração das juntas.
A intenção do médico era usar a toxina para paralisar temporariamente os músculos e analisar o impacto nas juntas. Para isso, Herzog injetou a substância em um músculo na perna de um gato e observou que, quatro semanas depois da injeção —período no qual a toxina atinge o efeito máximo—, a substância havia se espalhado pelos músculos vizinhos e os enfraquecido.
“Muitas pessoas acreditam que, quando o Botox é injetado em um músculo, fica apenas naquela região. No entanto, a pesquisa mostra que isso não é assim tão fácil de controlar”, afirma Herzog.
Segundo o médico, apesar dos benefícios do uso do Botox como ferramenta terapêutica, é preciso conhecer melhor o produto.
“Com o aumento no uso da toxina botulínica tipo A nos humanos, é importante entender mais sobre os efeitos funcionais deste produto, que, no final das contas, é uma toxina”, disse o médico.
A publicação da pesquisa segue um alerta recente feito pela Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês) —principal órgão de vigilância sanitária nos Estados Unidos— sobre os efeitos colaterais da toxina botulínica.
O alerta se referia à relação da toxina com sintomas graves de botulismo, como dificuldade de deglutição e respiração. Essas reações seriam causadas quando a toxina se espalha além da região onde teria sido aplicada, o que teria provocado, em alguns casos, a paralisia e enfraquecimento dos músculos responsáveis por estas funções —um efeito colateral que, segundo a agência, pode ser fatal.
Na época, a empresa Allergan, produtora do Botox, afirmou à BBC Brasil que o comunicado emitido pelo FDA dizia respeito “principalmente a relatos específicos de eventos adversos relacionados a crianças que sofrem de paralisia cerebral juvenil e são tratadas com Botox”.
Segundo um porta-voz da empresa, os casos de eventos adversos relatados pela FDA “envolvem crianças que estão seriamente comprometidas, muitas vezes por sintomas relacionadas à sua condição de saúde”.
A toxina botulínica é usada em tratamentos estéticos e medicinais. Os tipos mais comuns são o Botox (toxina tipo A) e o Myobloc (tipo B), usados em procedimentos estéticos para atenuar as rugas da pele e em diversas condições médicas.
Na medicina, a toxina é utilizada no tratamento de paralisia cerebral, espasticidade muscular, estrabismo e diversas síndromes neurológicas.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autoriza o uso da toxina desde 1992 para tratamentos de espasticidade e paralisia cerebral, entre outros diagnósticos.
Uma pesquisa sugere que o vírus HIV pode sobreviver a medicamentos antivirais e permanecer inativo por vários anos, se escondendo em células do corpo.
Pesquisadores do Instituto Karolinska, da Suécia, descobriram níveis baixos de HIV inativo em pacientes soropositivos sete anos depois que estes iniciaram, com sucesso, o tratamento padrão com coquetéis de medicamentos.
Segundo os cientistas, o HIV pode ficar escondido nas células CD4+, que agem no sistema imunológico. Estas células são as mais suscetíveis à infecção antes do início do tratamento.
A pesquisa também sugere que, apesar de as potentes terapias com antivirais conseguirem suprimir a infecção pelo HIV a níveis que quase não podem ser detectados, estes medicamentos não conseguem erradicar o vírus.
Por isso, segundo a pesquisa, os pacientes devem continuar tomando os medicamentos por tempo indeterminado e, qualquer interrupção, pode trazer o risco de reativar a infecção.
A pesquisa foi publicada na revista especializada americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”.