Juarez Alvarenga
O ciclo de um mundo antigo se fecha. Abre o início de novos tempos bem mais democrático onde a dinâmica social é mais veloz e pouquíssimo são os fatos consumados.
Uma sociedade acanhada se evaporou. O ciclo de nossas vidas é de uma mudança impressionante. Antigamente nosso percurso existencial era traçado com nosso nascimento. Não havia evolução e a estagnação era constante e a permanência de como nascemos uma regra.
Hoje o dinamismo e a democratização do êxito tornar-se a previsão individual incerta. No período quase feudal que ultrapassou a segunda metade do século XX as coisas eram estáticas e a vida um fato consumado. Se não nascermos na casa grande de Gilberto Freire estávamos condenados ao fracasso indefinidamente. Um grupo restrito pelo nascimento comandava a sociedade sem resistência nenhuma. Os primeiros letrados e não doutores originados desta oligarquia tinham poder absoluto e indiscutível. Hoje percebemos, principalmente nos grotões, que não podemos confundir pioneirismo com competência. Esta classe predominante produziu os primeiros profissionais intelectuais. Isto não quer dizer que o sucesso destes pioneiros nasceu do talento e sim das oportunidades financeiras desta facção. Hoje com a democratização de oportunidades percebemos que os verdadeiros talentosos estão tendo oportunidade de aprimoramento intelectual. Não como antigamente em que o êxito intelectual nascia da possibilidade financeira, hoje com a massificação da educação estão criando a verdadeira elite pensante, e por sorte vindo de famílias quase sempre sem patrimônio material.
Com a valorização do conhecimento e sua democratização vemos seus reflexos revolucionários em todo sustentáculos da sociedade. O êxito passou a ser uma conquista e não uma dádiva natural como antigamente. O desmoronamento das gratuidades sociais e o surgimento de abrangências de oportunidades fez amenizarem a hierarquização social. O aplauso atual é contaminado de suor e não de perfumes provenientes das dádivas naturais. O êxito é impregnado de sacrifícios e não acumulo herdado de nossos ancestrais. Aos que vão nascerem encontrarão uma sociedade de dinamismo exorbitante, mesmo não nascendo na casa grande de Gilberto Freire. Entre a senzala e a casa grande não existe mais o distanciamento inatingível e irrecuperável.
Hoje as pessoas podem nascer numa favela e conquistar o universo. O MUNDO MODERNO NÃO TEM DONOS COMO ANTIGAMENTE, TÊM CONQUISTADORES por isto vale a pena o nascer do sol e a tentativa de mudar nossa história de vida.
Juarez Alvarenga é advogado e escritor
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes
Computador, Internet, telefone celular, microondas e ar-condicionado. Diversas são as novas tecnologias e utilidades domésticas criadas para facilitar a nossa vida. Junto com as novidades, vêm as dúvidas. Estudiosos e fabricantes buscam provar que todos esses adventos só trazem vantagens ao ser humano, mas isso nem sempre é possível.
O computador e a Internet, por exemplo, já são comprovadamente incentivadores da vida sedentária e, indiretamente, da obesidade. O telefone celular já desperta a atenção de neurologistas para os possíveis malefícios das ondas eletromagnéticas emitidas pelos aparelhos. E o ar-condicionado, que mal pode fazer?
Essa tecnologia foi desenvolvida para proporcionar ao ambiente uma temperatura agradável e refrescante, garantindo o conforto em casa, no escritório ou no carro. Em contrapartida, durante o processo de resfriamento, a umidade do ar fica reduzida, prejudicando o revestimento das mucosas das vias aéreas e tornando-as vulneráveis. Outro agravante é que os ambientes munidos de ar condicionado são mantidos fechados, reduzindo a circulação do ar.
Há ainda muita falta de informação acerca do equipamento, especialmente sobre a manutenção correta. Poucos sabem que o ar-condicionado precisa ser reavaliado periodicamente para limpeza e correção de possíveis irregularidades. Sem este cuidado, o filtro perde sua capacidade e provoca uma verdadeira poluição no ambiente, tornando-o propício para o agravamento de diversas doenças respiratórias. Os grandes vilões são os fungos, as bactérias e os ácaros, que se acumulam nos ductos do aparelho e atingem o ambiente.
Quem trabalha exposto a esse equipamento fica mais suscetível a gripes, resfriados, sinusites e até pneumonia. Para portadores de doenças crônicas, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), há maior risco de agravamento da doença.
O ideal para quem não quer e não pode abrir mão do ar condicionado, é mantê-lo em perfeitas condições de funcionamento, com temperaturas entre 20ºC e 22ºC. Mais baixas do que isso, além do desconforto e possível necessidade de agasalhos, o frio favorece a proliferação de vírus que causam os resfriados e as gripes.
Estudos apontam que nos aviões o problema pode ser ainda pior. A má qualidade do ar e a pressurização no interior das aeronaves são fatores que podem gerar riscos à saúde. Nessa situação, o passageiro fica exposto à baixa umidade, já que o ar é elevado a altas temperaturas e sofre ressecamento quando passa pelas turbinas. A pressão na cabine do avião também contribui, pois torna o ar rarefeito, ou seja, com menor oferta de oxigênio do que a maioria das pessoas está acostumada.
Portadores de doenças respiratórias crônicas, ou quem já entra no avião com sinais de faringite, amigdalite ou sinusite, devem levar medicamentos previamente prescritos por seus médicos, e evitar as bebidas alcoólicas, que podem potencializar o problema.
Em geral, evite locais fechados, grandes concentrações de pessoas e trate qualquer sintoma respiratório tão logo apareça. Gripes e resfriados que demorem a passar, febre, tosse, dores no corpo ou falta de ar precisam de avaliação médica. Tome banhos mornos para evitar o choque térmico, mantenha uma alimentação saudável, tome muito líquido durante todo o dia e o principal: pratique atividade física regularmente. Ela ajuda a melhorar a respiração e a saúde.
Prof. Dr. Antonio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
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