A exposição precoce à nicotina pode modificar o funcionamento cerebral de jovens e favorecer o aparecimento de transtornos psiquiátricos na vida adulta --como a depressão e a ansiedade--, sugerem estudos clínicos e populacionais.
Um dos maiores trabalhos sobre o tema foi publicado em janeiro na revista científica "Addiction", a mais renomada na área de dependência química. Pesquisadores da Universidade de Oslo (Noruega) acompanharam 1.501 jovens --entre 13 e 27 anos-- durante 13 anos.
A conclusão foi que aqueles que começaram a fumar precocemente tiveram mais chances de desenvolver depressão, transtornos da ansiedade e pensamentos suicidas em relação aos não fumantes. O assunto será um dos destaques de uma conferência internacional sobre tabagismo, que acontece em abril em Dublin (Irlanda).
A nicotina é um estimulante do sistema nervoso central. Como a adolescência é uma fase em que os neurônios não estão totalmente formados, a exposição precoce à substância deixaria uma "marca" no cérebro.
"Se aprendemos inglês ou a andar de bicicleta na infância ou na adolescência, não esquecemos mais. Isso só é possível porque o cérebro está em formação. A nicotina deixa uma marca mnêmica. Isso aumenta a predisposição à dependência e a outros transtornos que têm como causa um desequilíbrio da neurotransmissão cerebral", explica a médica Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira para Estudos do Álcool e outras Drogas.
Gigliotti e outros especialistas em tabagismo avaliam que, diante dessa conclusão, deverá ocorrer uma mudança na forma de avaliar e de tratar o fumante, especialmente o jovem.
"Estamos diante de um novo paradigma da medicina em relação à nicotina. A gente imaginava que o doente psiquiátrico procurava o tabagismo para aliviar seus sintomas psíquicos. Agora, postula-se o contrário. O fato dele ter sido exposto ao cigarro na adolescência pode ter levado ao transtorno psiquiátrico", afirma a cardiologista Jaqueline Issa, do InCor (Instituto do Coração).
Para Gigliotti, a criação de políticas de prevenção ao tabagismo "mataria vários coelhos numa mesma cajadada". "A dependência de nicotina é uma doença do cérebro, assim como a dependência a drogas e outras doenças mentais. Evitando-a, preveniríamos doenças mentais, dependências de drogas e morte precoce dos adolescentes e dos fumantes passivos."
Exposição precoce
No Brasil, pesquisas mostram que 90% dos fumantes adquirem o vício antes dos 18 anos. "Quanto mais jovem você se expõe ao cigarro, mais cedo vai alavancar esses possíveis transtornos mentais", alerta Jaqueline Issa.
Segundo o psiquiatra Sergio Nicastri, pesquisador do Grea (grupo de estudos e álcool e drogas), há evidências de que o uso de nicotina interfira nos sistemas neuroquímicos (neurorreguladores como acetilcolina, dopamina e norepinefrina), que, por sua vez, afetam circuitos neurais, associados à regulação de humor.
Ele afirma que as perturbações psiquiátricas mais frequentemente relacionadas ao tabagismo são depressão, esquizofrenia e transtornos de ansiedade e de humor.
Vários estudos já demonstraram que a incidência de doenças mentais é maior entre os fumantes do que no restante da população. Nos EUA, por exemplo, o índice de tabagismo na população em geral é de 12%. Entre os doentes psiquiátricos, chega a 70%. No Brasil não há esse levantamento.
Esquizofrenia
Na literatura médica, existem vários estudos demonstrando uma maior prevalência de tabagismo entre os portadores de esquizofrenia --em relação à população em geral e também em comparação a outros doentes psiquiátricos. Nos EUA, cerca de 80% dos esquizofrênicos fumam.
Um trabalho recente, com 668 pacientes, revelou que o tabagismo pesado (consumo de um ou mais maços de cigarros) durante a adolescência é associado a um risco maior para o aparecimento de transtorno de pânico, agorafobia e ansiedade generalizada na vida adulta.
Há uma outra linha de estudos que tenta vincular a dependência aos genes. Um deles, da Universidade de Utah (EUA), analisou amostras de DNA de 2.827 fumantes e concluiu que mutações genéticas podem estar relacionadas ao tabagismo.
Os fumantes que começaram a fumar antes dos 17 anos possuíam uma cópia duplicada do gene que interage com a nicotina no cérebro. Com isso, eles tinham até cinco vezes mais chances de se tornarem dependentes do cigarro durante a vida adulta, segundo a pesquisa.
Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo com mais de 56 mil pessoas com sintomas causados pelo Mal de Alzheimer, em 2008, revela que a maioria que procurou tratamento contra a doença era mulher. Segundo a pesquisa, das 56.827 pessoas que procuraram tratamento nos serviços conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para evitar ou retardar os sintomas da doença, 64,1% eram mulheres.
De acordo com o levantamento, a idade média das pacientes em busca de atendimento é de 76 anos, sendo que 24% delas são das classes A e B, ou seja, com renda acima de 20 salários mínimos.
Entre os homens que procuram atendimento contra a doença, a idade média é de 75 anos. São 20.403 pacientes predominantemente das classes C (8.173) e D (7.338), mas os mais ricos, das classes A e B, já representam 22% do total de atendimentos.
O Mal de Alzheimer é caracterizado pela perda de memória e por dificuldades em fazer coisas consideradas simples. Por ser uma doença progressiva, a tendência é que o paciente perca cada vez mais a memória recente, lembrando-se de fatos do passado, mas tendo dificuldades de se recordar dos momentos presentes.
Para colaborar com as pessoas que convivem com pacientes que sofrem de Alzheimer, o Complexo Hospitalar Padre Bento, em Guarulhos, e o Centro de Referência do Idoso da Zona Norte realizam encontros mensais e semanais com cuidadores de Mal de Alzheimer, para dar dicas de como tratar os pacientes em casa.
Uma superpílula que combina três medicamentos --contra a hipertensão, um anticolesterol (uma estatina) e a aspirina-- reduziu os riscos de doenças cardiovasculares em pessoas saudáveis, sem efeitos secundários, segundo um estudo clínico apresentado na segunda-feira.
O estudo --denominado TIPS (The Indian Polucap Study) e realizado na Índia em 2.053 pessoas de 45 a 80 anos-- é o primeiro a avaliar a tolerância de um tratamento combinado e a determinar se este gera uma diminuição notável do risco cardiovascular.
Foi apresentado pelos dois autores, os doutores Salim Yusuf, do Population Health Research Institute, da Universidade McMaster (Ontário) do Canadá, e Prem Pais, do St John's Medical College de Bangalore, na Índia, na 58ª conferência anual do American College of Cardiology (ACC) realizada em Orlando (Flórida, sudeste).
Durante três meses, esses cardiologistas compararam os efeitos dessa pílula, batizada "polypill", com os de outros oito medicamentos.
"Este estudo clínico é a primeira etapa crucial para a concepção de estudos mais extensos cujos resultados serão mais conclusivos", considerou Yusuf.
Crianças nascidas entre a 34ª e a 36ª semanas de gestação apresentam mais problemas de desenvolvimento e comportamento ao atingirem os cinco anos de idade, segundo estudo da Universidade da Flórida com 153 mil crianças, publicado na revista "Pediatrics".
Embora esses problemas ocorram em menos de 1 em cada 7 prematuros, são 36% mais frequentes que entre nascidos a partir da 37ª semana.
Já suspensões da escolinha por mau comportamento aumentam em 19%.
Conforme o pediatra Steven Morse, líder do estudo, o desenvolvimento a longo prazo entre nascidos nesse período não era preocupação até então.
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