Paula Toller, com novo DVD, aposta na carreira-solo

Em agosto de 2008, Paula Toller subiu ao palco do Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, para gravar ao vivo o primeiro DVD de sua carreira solo, iniciada há 10 anos com o lançamento do CD que leva o seu nome. O show resultou no recém-lançado DVD "Nosso", anagrama de "Sónós", segundo álbum da discografia individual da artista, editado em junho de 2007, e que daria origem a este novo projeto.
Maior expoente do Kid Abelha, banda que estourou nos anos 80, junto com tantos outros nomes do pop e do rock nacional, Paula agora quer ainda mais os holofotes sobre si. Está radiante com sua bem-sucedida carreira-solo, que mereceu inclusive um inusitado voto de aplauso do Senado pelos 100 mil downloads pagos de internet e celulares que conquistou.
Em "Nosso", Paula passeia por vários estilos, alterna-se entre o clássico e o novo, recebe convidados como Kevin Johansen e Dado Villa-Lobos, e reforça a impressão geral de que canta cada vez melhor. E de que está a cada dia mais bela. Sobre esse trabalho, que além do DVD rendeu também um CD, e o momento iluminado de sua carreira, a cantora deu a seguinte entrevista.
Como você avalia este momento de sua carreira, com um novo projeto solo, após 25 anos do início do Kid Abelha?
Sinto-me feliz por estar já há tanto tempo no cenário e ao mesmo tempo muito produtiva e experimentando novos caminhos e novas parcerias. O público tem acompanhado sempre, e a crítica especializada tem sido atenta e elogiosa. Tudo isso está refletindo no meu canto, que está mais emocional.
Após seu segundo trabalho solo, o Kid Abelha continua sendo sua prioridade? Ou a aposta a partir da agora será mesmo na carreira solo?
O Kid é uma marca poderosa na música brasileira, as músicas que fizemos estão no coração das pessoas, isso é meu maior tesouro, mas chegou o momento de me colocar com mais personalidade, mostrar mais a minha voz e falar em primeira pessoa. Uma banda com mais de 25 anos pode e deve aparecer com certa parcimônia, para não se tornar repetitiva.
Como você faz para conciliar a carreira, a família, trabalhos publicitários e outros compromissos?
A cada coisa que faço, me entrego inteiramente, não tento fazer tudo ao mesmo tempo. Não fico numa situação e com a cabeça em outra; se estou num show, estou 100% ali, e não penso em mais nada. E, é claro, para isso conto com uma boa equipe de trabalho e uma família maravilhosa.
Com frequência, você é convidada para fazer capas de revistas, nem sempre ligadas à música, mas muitas vezes com referência à sua beleza. Você encara isso como um elogio?
É muito bom ser admirada, mas tudo isso começa na música, nas letras, na voz, na estética dos discos. É um conjunto completo, e não apenas o visual. As mulheres vêm falar comigo, elas gostam da minha atitude, da proposta de unir saúde física e mental, alternativa ao modelo "perua plastificada".
Você teve músicas suas incluídas nas trilhas de várias novelas recentemente, o que comprova que seu trabalho é acessível ao grande público. Por outro lado, não é tão comum vê-la em programas de TV ou ouvi-la no rádio. Como você analisa esse paradoxo?
Hoje em dia há pouco espaço na TV para música, e a novela é um veículo poderoso. Como eu só canto ao vivo e com banda, isso se tornou muito dispendioso, pois as emissoras nacionais não costumam dar apoio. Apresentadores como Hebe Camargo e Serginho Groisman são heróicas exceções.
"Nosso" mostra que você é musicalmente bastante eclética, passeando com desenvoltura por vários ritmos. Quais os critérios para selecionar as canções que farão parte de seus trabalhos solos?
Esse DVD é meu primeiro show solo, onde cantei as músicas dos discos "Paula Toller" e "Sónós". Cada trabalho reflete uma fase minha, um pensamento e uma tendência musical muito particular. No primeiro, eu fiz regravações de clássicos brasileiros e estrangeiros que me marcaram afetivamente; já no segundo, construí uma rede de parceiros nacionais e internacionais, com canções autorais. O show mistura isso e tem as novas ondas, como a mistura de "Saúde" e "Só Love". Como boa brasileira, tenho um universo cultural variado e acho importante mostrar isso.
Você conseguiu 100 mil downloads pagos de uma só música, o site do Kid Abelha foi premiado... Você considera a internet uma grande aliada?
Foi muito bom ser reconhecida e mostrar que há público para downloads pagos. Também foi importante nesse sentido o voto de aplauso que recebi do Senado Federal. O Brasil não é só boi, soja e biquíni. O Brasil é música. Só não acho justo que mega-empresas virtuais, mas bem reais nos lucros, não repartam esses ganhos com os artistas que fornecem conteúdo. Os compositores que não fazem shows estão com muitas dificuldades.
Muita gente diz que você fica melhor com o passar do tempo, tanto em termos de beleza quanto como cantora. Quais os seus segredos?
Cuido da saúde física e mental com disciplina comparável à de uma atleta profissional. É uma base segura para poder "viajar" na parte artística, no canto e na hora de compor as músicas.
Integrante de uma banda que surgiu numa época de ouro do rock nacional, como você vê o trabalho dos remanescentes daquela época, muitos em plena atividade e ainda atraindo bastante público?
Somos uma geração de ouro em se tratando de música pop. No começo, deixávamos a desejar tecnicamente, mas tínhamos excelentes idéias, éramos carismáticos e tínhamos vozes com personalidade. Nenhum conjunto - era o termo que a gente usava - se parecia com os outros. É bom lembrar que chegamos a pessoas de todas as classes, em todo o Brasil. Até hoje sou igualmente bem recebida nos subúrbios e nos lugares da alta burguesia.
O Brasil tem revelado muitas cantoras nos últimos anos. Na sua opinião, por que as mulheres vem se sobressaindo na música?
As mulheres vêm se sobressaindo em tudo!


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