Oswaldo Vicentin
Há pouco tempo Lula numa de suas costumeiras tiradas pitorescas, disse que a queda do império financeiro americano foi responsabilidade dos "gananciosos de olhos azuis". Obviamente, estava se referindo aos grandes banqueiros americanos. Lula só não disse que os dirigentes do império americano, possuíam SANGUE AZUL. Talvez porque na semana seguinte estaria sentado ao lado da Rainha da Inglaterra. E foi o que aconteceu. E adivinhem quem estava sentado atrás de Lula? O homem considerado mais importante do planeta. Nada mais nada menos do que o Presidente americano Barrack Obama. Talvez porque não tivesse olhos azuis. Aliás, Lula foi o primeiro Presidente do Brasil a ser elogiado por todos os presidentes dos chamados "paises ricos". O elogio de maior destaque foi o momento histórico em que o Presidente Obama o apontou para todos presentes e para o mundo dizendo: " este é o cara"!. Lembrou um pouco a frase de humor do grande goleador Romário, o qual disse que quando nasceu Deus apontou-lhe o dedo dizendo: "este é o cara"!.
A frase de Lula, nos faz lembrar de que durante os últimos séculos, nenhum presidente americano teve seus olhos voltados para ajudar ou colaborar com os paises da América Latina. Por incrível que pareça daqui alguns dias, Obama estará reunido com vinte presidentes dos paises latinos, e Lula está incumbido de contatar e preparar o terreno. Resumindo em poucas palavras, foi preciso um pobre e negro, assumir o poder do país mais importante do mundo, para dar maior atenção ao Brasil, e outros paises sub-desenvolvidos. É a vitória contra o preconceito.
Isso tudo me fez lembrar do preconceito que sempre predominou nos altos escalões tanto do governo como do poder bancário no Brasil. Só para se ter um exemplo, há muitos anos passados, aconteceu um fato em nossa cidade. Uma ocorrência no mínimo repugnante com um jovem bancário. Por sinal, se tratava de um jovem dinâmico inteligente comunicativo e carismático. Qualidades indispensáveis para ocupar qualquer cargo, tanto de gerente, como diretor. Naquele tempo cada agência bancária só tinha um gerente. Não daria para se comparar como agora cujas agências têm mais gerentes que funcionários no caixa. Para alcançar o cargo de gerente naquele tempo, o funcionário seguia uma escala que com méritos atingia o objetivo. Esse jovem conseguiu todos os méritos, mas foi descartado. Sabem por que? Porque ele era negro. Sabemos que ele entrou com uma ação judicial e foi indenizado.
Quando nos referimos a preconceito, não estamos nos referindo somente a cor da epiderme. Temos que combater os preconceitos raciais, econômicos, etc. Também temos que acabar com esse processo de o Brasil e o mundo ficarem nas mãos de meia dúzia de safados. Por que o resultado pode ser igual a catástrofe financeira nos Estados Unidos, cuja conseqüência foi o inicio da recessão. Se for preciso o governo terá que estatizar os bancos, a Petrobras, as companhias elétricas, os laboratórios. Por que? Por que a escravidão não acabou. Pois nós aposentados, somos escravos das companhias elétricas que cobram o que querem. Do petróleo que baixou 50% o barril e o preço da gasolina continua nas nuvens. Dos bancos gananciosos que estão podres de ricos e cobram taxas e mais taxas. Dos que medicamentos que sobem mais que a inflação, e os laboratórios estão monopolizados. Talvez sejam essas as "forças ocultas" de que Jânio Quadros tanto falava, motivo pelo qual renunciou. Contudo, temos certeza que a culpa não cabe ao governo executivo, mas às fragilidades de nossas leis as quais parecem terem sido feitas para beneficiar os poderosos, e com a benção de certos cardeais. Capice mano? O exemplo está ai. Só falta dar uma medalha de honra ao mérito ao lobista, chupim, parasita, de nome Daniel Dantas. Uma medalha aos deputados donos de castelos, e outras medalhas aos que pagaram passagem a Adriane Galisteu. É preciso falar mais alguma coisa?
Oswaldo Vicentin - Contador e colaborador.
Henrique Matthiesen
Mais apregoados nos derradeiros meses, os fundamentais conseqüências da Grande Depressão (1929-1933), assinalariam: uma queda acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) de -26% entre 1929-32; uma deflação de preços adicionada de -32% (1929-32); uma taxa de desemprego de 33% da força de trabalho nos EUA; cerca de 11.000 bancos arruinados; a agricultura e agricultores sofreram ruínas.
Quase 80 anos após, informações do National Bureau of Economic Research (NBER), órgão especializado do governo norte-americano, admitiram que os Estados Unidos estão em recessão desde 2007; adicionaram mais 2,5 milhões de desempregados no fim de 2008. E, segundo o presidente Obama (5/01/2009), "Se não atuarmos ligeiramente e decididamente, poderemos ver uma queda de atividade econômica muito mais densa, que poderia levar a taxas de desemprego de dois dígitos e fazer com que o sonho americano fique cada vez mais longínquo''".
"Desemprego de dois dígitos", extensa recessão: arduamente os EUA contornarão a depressão, e a tragédia. Sim, é o FMI que conjetura presentemente um crescimento negativo nos EUA, de -1,6% em 2009, além de cogitar um crescimento global de 0,5%. Segundo estas estimativas do próprio Fundo, o PIB será inferiormente zero, em 2009, para: México, Rússia, Espanha, França, Zona do Euro, Itália, Alemanha, Japão e Reino Unido.
É quase impossível o desenvolvimento da economia mundial em 2009 não ser negativo, esta é a leitura que se deve fazer das "previsões" do FMI.
Na veracidade, apesar do aporte trilionário dado ao sistema financeiro dos EUA, continua a crise de credito, a de liquidez, evoluindo concretamente para mais uma: uma crise de insolvência. Exemplifique-se com a quebradeira dos dois maiores bancos norte-americanos - o Citigroup e o Bank of America (Bofa) -, no que se seguiu nova "ajuda" bilionária do Tesouro, o que fez com que ex-banqueiros os analisassem "estatizados". O que ocorre depois do pacotaço de US$ 700 bilhões do programa Tarp, de setembro passado. Ao mesmo tempo no Reino Unido, onde o Royal Bank of Scotland - que havia passado 58% de suas ações ao Tesouro britânico para não ir ao chão - anunciou prejuízos que somarão US$ 41 bilhões em 2008. "A crise bancária não cede", constatou em Editorial "O Estado de S. Paulo", referindo-se aos dois países (23/01/2009, A-3).
Mais ainda: soube-se atualmente que a economia dos Estados Unidos diminuiu a uma taxa anual de 3,8% nos último trimestre de 2008; o PIB do país tinha já diminuído 0,5% no penúltimo trimestre, de acordo com o Departamento do Comércio norte-americano. Outros três indicadores da economia dos EUA fizeram murchar a euforia da aceitação no Congresso do outro pacotaço de US$ 887 bilhões: a venda de casas novas desmoronou 14,7% em dezembro, as encomendas de bens duráveis ruíram 2,6% também no mês passado e o número de seguro-desemprego ascendeu 159 mil na semana concluída em 17 de janeiro, para 4. 776 milhões. "Trata-se do maior patamar desde que o governo começou esse levantamento, em 1967" - conclui Luiz Guimarães. No terceiro trimestre de 2008 a dívida pública e privada do país obteve 358% do PIB - a maior da história -, tendo sido de 300% precisamente em 1933, na Grande Depressão!
n Henrique Matthiesen - colaborador
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