Uma instituição em crise

Antonio Carlos Pannunzio

Se o Brasil ainda fosse regido pela Constituição Imperial, outorgada aos brasileiros em 1824 pelo Imperador Pedro I, ou por aquela votada pela Constituinte Republicana e promulgada em 1891, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nem ao menos teriam iniciado, ainda, seus trabalhos do ano de 2009.
Previam, os dois textos constitucionais, que a sessão legislativa iniciar-se-ia em maio, acrescentando, o da República Velha, que os trabalhos legislativos duravam quatro meses, encerrando-se em agosto.
A Constituição da República de 1988 colocou ponto final num grande ciclo autoritário que, com os interregnos representados pelas Constituições de 1934 e 1946, se estendeu por mais de meio século a partir de 1930. Além disso, valorizou o papel do Congresso no conjunto dos poderes da República.
Em momento algum da nossa História republicana, o Legislativo teve atuação mais intensa na vida nacional, consubstanciada nos trabalhos de plenário e no de suas múltiplas comissões permanetes e extraordinárias.
Essa valorização do Legislativo, lastimavelmente, tem contrapontos deploráveis. As matérias de iniciativa dos parlamentares perderam espaço na pauta de votação e, quando se transformam em lei, cuidam, em muitos casos, de assuntos que pouco ou nada contribuem para melhorar a vida dos cidadãos.
A fim de viabilizar um Congresso pluralista sob o ponto de vista econômico e social, foi necessário consolidar e ampliar disposições que remontam à transferência da Capital Federal para Brasília, assegurando moradia funcional e transporte aéreo aos parlamentares. Num país com as dimensões do Brasil, essa é a única maneira de permitir que os legisladores atuem, simultaneamente, em Brasília e junto às suas bases eleitorais.
Infelizmente, esta última medida acabou sendo entendida como a criação do direito a uma milhagem aérea em benefício do parlamentar, cujos critérios de utilização cabe a ele mesmo fixar. O resultado tem sido sua utilização sem critério algum.
Coisa parecida aconteceu com o auxílio moradia, convertido num adicional em favor de quem tem casa em Brasília.
Esses e outros abusos, envolvendo deputados e senadores de múltiplas legendas, vindos a público nestes meses iniciais do ano, caracterizam sério dano à credibilidade da instituição parlamentar.
Esse dano ocorre num raro momento da nossa vida independente em que o Congresso tem a possibilidade de se afirmar como o poder político paradoxalmente mais alto e mais próximo dos cidadãos, a que Niemeyer deu forma nas torres e cúpulas da Praça dos Três Poderes.
Até por isso deve ser reparado, sem firulas que levem mais lenha a fogueira, com severidade e presteza exemplares.
Antonio Carlos Pannunzio, deputado federal, membro da Comissão de Constituição e Justiça, ex-líder de bancada, ex-presidente do Diretório Estadual do PSDB/SP.


Medo de avião

Anita Rebeca Fischer
 
Causas do desenvolvimento de uma fobia
 Podem ser diversas as causas de uma fobia. Ultimamente, em meu consultório, fobias de avião tem representado uma porcentagem grande em relação a outras fobias.
Relatos de acidentes aéreos, amplamente divulgados pela mídia, incidentes durante uma viagem, como turbulência, mau tempo ou até mesmo um pouso de emergência, podem provocar um medo muito exagerado e até mesmo o desenvolvimento de fobias.
Este medo pode também ter sido “herdado” pelo histórico familiar. Não geneticamente, porém, repetidas histórias ouvidas por pessoas significativas, mães, pais e até mesmo avós, podem desencadear um desequilíbrio importante, que se não tratado, pode sim caminhar para o desenvolvimento de uma fobia.
Uma pessoa que tenha ficado presa, alguns segundos, em um elevador, pode generalizar este medo para todos os lugares apertados e fechados. É mais comum que isso aconteça na primeira infância. Este medo pode se expandir para outras situações semelhantes, e não raro esta pessoa evitará entrar em túneis, lojas pequenas e apertadas, shows com grande multidões e assim por diante.
Como tratar a fobia de avião pela Programação Neurolinguística
Sabemos que o ser humano não nasce com medos. Haja vista o fato da criança, em sua exploração pelo mundo, enfiar o dedo em tomadas, puxar o rabo do cachorro, debruçar-se em janelas etc. Em algum momento da vida, ela incorporará certos medos. Diga-se de passagem, o medo é um sinalizador importante, nos protege. Sem ele correríamos sérios riscos em nossas vidas. Entretanto, um medo excessivo, exagerado, pode limitar muito a vida de seres humanos.
Poucos sabem, porém, que eles podem ser tratados. Leva-se o carro para a oficina quando ele apresenta certo barulho, mas uma visita ao psicoterapeuta para aprender a lidar com esses medos, infelizmente, ainda é vista com muito preconceito. Acredita-se que apenas os “fracos” precisem de ajuda. E, ironicamente, apenas os mais conscientes são os que as procuram.
A Programação Neurolinguistica utiliza técnicas para lidar com estas fobias. Uma delas é a regressão, feita conscientemente, dentro do Modelo de Milton Ericson, para descobrir em que momento este indivíduo “aprendeu” a ter esta reação fóbica diante do avião. A partir daí, atualizaremos o ocorrido. Muitas vezes o indivíduo esteve de fato ameaçado. Mas a informação de que tudo acabou, que ele se salvou, não foi levada ao “sistema”. O que ele precisou e não teve naquele momento? Coragem? Calma? Tranqüilidade? Paciência? Uma vez descoberto o que faltou, levamos agora este recurso para esta experiência. Não mudamos o que aconteceu, mudamos a maneira como a história ficou arquivada. Se antes estava num arquivo de traumas, perigos, podemos agora guardá-la como um evento mais simples, com segurança. Novas sinapses ocorrem a partir destas atualizações.
E, o mais incrível de tudo, esta cura pode ser rápida e indolor. Steve Andreas, grande colaborador da Programação Neurolinguista nos Estados Unidos, admite que a maioria das pessoas ainda acha que devem sofrer para se curar. E, muito pelo contrário, existe um cuidado muito grande ao tratarmos fobias e traumas, em preservar o indivíduo do sofrimento. Já basta o que passou.
Em um dos casos em que trabalhei, uma paciente, diretora de uma agência de turismo, delegava todas as viagens de avião ao sócio, por conta de sua fobia. Ao perceber sua sabotagem, procurou-me com o intuito de viajar sem sofrimento.
Estranhamente, no passado ela viajava de avião e gostava. Em determinado momento de sua vida, paralizou-se diante da hipótese de estar dentro de uma aeronave. Como este medo também se repetia, algumas vezes, em elevadores, partimos para uma pesquisa através da “sensação” desagradável que sentia nestes lugares. Descobrimos, para seu grande espanto, que bem pequena, com aproximadamente 3 a 4 anos de idade, numa festinha da família, sem que ninguém percebesse, bebeu todos os restos de bebidas alcoólicas que encontrou ao seu alcance. Entrou em coma alcoólico, desmaiou e foi parar no hospital, correndo grande risco de morte.
Anos a frente, em uma ocasião, dentro de um avião, este entrou numa turbulência e a sensação desagradável do desmaio “acordou” em seu sistema e todos os seus sentidos foram estimulados para a “fuga”! Após trabalharmos alguns minutos com esta experiência, tudo se modificou. Algumas semanas mais tarde ela me enviou um cartão da Nova Zelândia, relatando que sua viagem tinha sido ótima e que ela tinha até “gostado”!
Nosso cérebro é muito esperto. Se ele, por proteção, instalou um medo, uma fobia, em frações de segundo, não precisará de anos de terapia para modificar esta experiência. No entanto, cada caso é um caso e devemos respeitar o ritmo de cada um que nos procura. O que pode levar algumas sessões para uns, pode se estender por alguns meses para outros. Cada um tem uma história. Somos seres únicos.
Em outro caso, uma garota acordou de uma anestesia em uma cirurgia, amarrada numa cama em um centro cirúrgico. Esta experiência generalizou-se para todos os lugares em que não podia “escapar” se assim o desejasse. Avião era um destes lugares. O tratamento durou seis meses e hoje, quando necessário, viaja de avião. Não espera-se que “adore”, mas que o faça sem o sofrimento que acontecia antes.
A Programação Neurolinguística é muito respeitada atualmente, como uma fonte riquíssima de ferramentas que ajudam às pessoas a superar medos, traumas e fobias, e assim melhorar sua qualidade de vida, ganhando autonomia e melhorando sua auto-estima e portanto sua vida.
Anita Rebeca Fischer é psicóloga, psicanalista e psicoterapeuta, com 25 anos de exercício profissional em consultório; há 12 anos vem trabalhando com Programação Neurolinguística e ministrando cursos na Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.


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